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quarta-feira, 19 de dezembro de 2007

Bar do Jenner

Há muito tempo, eu vou ao bar do Jenner. O nome certo é Chopperia do Gacemss, mas ninguém fala assim. No máximo, só chopperia. Embora não vá com freqüência como antes, mas sempre que quero ver pessoas interessantes, tomar cerveja gelada e me sentir em casa, é pra lá que vou. Tem alguns probleminhas de atendimento, mas nada que faça a gente se aborrecer. Um dos fundadores do Beco da Gordura, junto com o Salvador, o Joãozinho, o Luso Brasileiro e o Tom, do Vermelhinho. Sobrevivente dos áureos tempos do Teatro de bolso, quando acabavam os shows de chorinho ou mpb e desciam todos para lá.
Palco de artistas ímpares, de todas as preferências musicais, muitos momentos inesquecíveis para mim, em termos de música e performances, eu presenciei no Bar do Jenner. Posso não me lembrar dos anos 80, pois ainda não frequentava o bar como "adulta", mas sei de muitos artistas de Volta Redonda que começaram por lá.
Na época do Fábrica do Poema, em 2003 e 2004, nós pudemos ter a alegria de ouvirmos Ciron, Guerra e Iran Adler juntos numa só noite, Fabrício e Romão, com Marcelos de vez em quando, Joe Sany e Serginho, Carmélia e Mariangela Leal, Cici, Jorginho Íris, Dom Robi, Bilau, Ricardo Gilly e Tilinha e muitos mais.
Mas, o que me faz escrever é movida pela emoção da tradicional festa de aniversário da Chopperia, este ano antecipada para dezembro. Invertida com a festa de aniversário do Ricardo Monstro, que será em janeiro. Qualquer uma das duas sempre foram movimentadíssimas, sempre com apresentações surpreendentes.
Lembro-me de uma delas em que montou-se um praticável, com a bateria do Max, o Marcial e o Ciron no violão, o Ney na guitarra...O Marcelos pegou o teclado do Cláudio de Castro e tocou também. Foi um festival de Beatles inesquecível, emendando James Taylor, Carly Simon, e outros tantos. Impagável a Poly dançando com o chapéu do Rastero(benção), e ele não se aborrecendo por isso.
Este ano, tivemos muitos artistas no domingo, 16, fazendo um novo show. Sei que não vou mencionar todos e peço perdão. Teve Julinho dos Palmares (meu rei). Teve Dona Célia e Tilinha cantando juntas que foi lindíssimo. Mas minha emoção ficou em ver o Marcial, o Ney e o Ciron mandando ver no Clube da Esquina, e o Jenner tentando acompanhar na voz. E mais tarde, o Ney no blues, o Pascoal na bateria acompanhando e entrou o Figurótico, o André (da dupla Elington e André) e o Tony Madeira, cantando Cazuza e Barão Vermelho. O Figurótico deu canja de Sting e The Police, que me deu vontade de não mais sair de lá. O Wilson, que filmava tudo, nesta hora quase chorou, porque a bateria da filmadora já tinha acabado (também filmando desde cinco horas).
Não dava vontade de sair de lá, mas como já se passava bastante coisa depois das dez, e segunda é dia de trabalho, eu fui embora. Imagino como deve ter ficado depois disso, pois ainda faltava muita gente pra tocar. E me acompanhando, sempre, a Anielli. Nem precisa falar como eu estava curtindo.
Esses momentos são especiais em Volta Redonda. O desânimo que se abateu em nosso meio artístico não é privilégio daqui, é um reflexo do Estado e do país. Mas não é meu prósito, hoje, comentar este assunto. Minha necessidade é de registrar o Bar do Jenner, do meu querido que me chama de irmã, que me trata como irmã, e que nunca fechou as portas para nós, quando ficávamos até às 3 da manhã. Aliás, nós fechávamos a porta com ele.
Então, é isso: tá registrado!



obs: Quem tiver foto ou filmagem do dia para enviar, mande pra cá e que eu coloco aqui também.

domingo, 16 de dezembro de 2007

Inda hoje

Só quando olhamos no espelho descobrimos que ainda somos os mesmos. Só quando a garganta solta o grito é que descobrimos os ouvidos que precisavam ouví-lo. O Edson escutou lá no Mude e entendeu o que eu queria dizer. Inda bem que inda existe vida inteligente entre versos e poemas. Beijo amigo.

sexta-feira, 14 de dezembro de 2007

Desabafo

Eu não vou me transformar naquilo que a sua vontade quer.
Nem vou negar quem fui, como fui, só para aliviar deixar sua cabeça mais "leve".
Sou Regina, a mesma que um dia amou intensamente suas palavras, mas que sentiu a desilusão de seus atos. Sou Regina, a que sempre deu amizade, do jeito que sei dar, e não pedi mais do que queria. Eu digo de cara, para meus amigos e amores: não me dê promessas, me dê o que és; não me acostume com o que não é seu de verdade.
Um dia, as máscaras caem.
E eu não gosto de olhar para trás.

obs: eu não vou fingir uma poesia. estou necessitando do grito. me perdoem os ouvidos sensíveis, mas a vida nos pede liberdade.

quarta-feira, 12 de dezembro de 2007

Quintana - o sábio!

Espelho Mágico

DA OBSERVAÇÃO
Não te irrites, por mais que te fizerem...
Estuda, a frio, o coração alheio.
Farás, assim, do mal que eles te querem,
Teu mais amável e sutil recreio...

DO ESTILO
Fere de leve a frase... E esquece.. Nada
Convém que se repita...
Só em linguagem amorosa agrada
A mesma coisa cem mil vezes dita.

DO CUIDADO DA FORMA
Teu verso, barro vil,
No teu casto retiro, amolga, enrija, pule...
Vê depois como brilha, entre os mais, o imbecil,
Arredondado e liso como um bule!

terça-feira, 27 de novembro de 2007

Sara

Saiu sonhando, sonâmbula.
Serpenteou, subiu,
salivou, soluçou.
Soltou súbito som sem
sentido. Sentiu saudade.
Sentiu suar.
Sofá sentada,
sem sinal se sorria.
Sem sabedoria,
Sujeita solta.
Só saiote sambou.
Saltou, sassaricou,
saracoteou,
sumiu.
Sussurrou
secretos suspiros.
Sapeca, salgada.
Sacerdotisa sádica.
Secou sândalo.
Sede saciada,
sorveu sidra.
Serena, sensata.
Sorumbática.
Suave sobre sua sombra.
Sigilosa selou sim.
Seguiu,
sonhando.

regina vilarinhos

sexta-feira, 23 de novembro de 2007

Cura Poesia

Poesia pra mim é cura. Não para doença ou vício. Pode ser na palavra escrita, na música ouvida, na foto revelada ou na dança valsada. Sinto, toco, caminho poesia todos os dias, por entre minha rua, entre os prédios e seus jardins. Vejo poesia na placa do carro dos amores que vem e vão, nos olhos brilhantes de meus pais, na cama forrada com limpos lençóis.
Bato com poesia na cara quando o vento fecha a porta, dói poesia nos joelhos quando caio no chão.
Como poesia com café com pão, feijão com arroz, com coca gelada, na mesa para dois.
Vinho poesia, cervejo poesia, choro poesia, grito poesia.
Roupa lavada com poesia. Amaciante, pregador, varal e passada a ferro, a poesia.
Em rio de poesia, nado de costas.
Em dia de poesia, ofusco os olhos no sol.
Poesia em pedra dura,
poesia-me com quem andas,
mais vale duas poesias nas mãos...
Aliás, é um tratamento, que nem sei se termina, mas que me alivia.

quinta-feira, 15 de novembro de 2007

De alma lavada


Busquei na estante as fotos e a alegria,
na gaveta, a blusa e o cheiro,
na fruteira, o sabor,
no fogão, o tempero.
Lambi nos dedos o chantily,
nos lábios a maresia.

Abri os armários, entrou a luz,
entrou o vento, entraram as borboletas.
Lavada e linda de usar,
pendurei minh´alma.

Pintei as paredes da cor do sim
E jurei, de novo, jamais amar assim.

quarta-feira, 14 de novembro de 2007

Millor Fernandes

"Se você não consegue realizar os seus sonhos, procure ao menos evitar a realização de seus pesadelos."

Sabedoria - humor - atualidade - profeta

FRASES

"Invejar é do queixoso e do doente; agradecer é do que está satisfeito."
(Sêneca)

"Duas pessoas têm vivido em você por toda a sua vida. Uma é o ego, tagarela, exigente, histérico, calculista; a outra é o ser espiritual escondido, cuja silenciosa voz de sabedoria você somente ouviu ou reparou raramente - você revela em si mesmo o seu próprio guia sábio."
(Sogyal Rinpoche)

"Não basta conquistar a sabedoria, é preciso usá-la."
(Cícero)

"Compreender que há outros pontos de vista é o início da sabedoria."
(Thomas Campbell)

É tão fácil ser poeta, e tão difícil ser um homem."
(Charles Bukowski)


"Não encontre defeitos, encontre soluções. Qualquer um sabe queixar-se."
(Henry Ford)


"Minha poesia é cheia de imperfeições. Se eu fosse crítico, apontaria muitos defeitos. Não vou apontar. Deixo para os outros. Minha obra é pública."
(Carlos Drummond de Andrade)

"Ser feliz é ler o coração, antes que a vida vá embora!" regina (eu mesma)

segunda-feira, 12 de novembro de 2007

BORGES

Graças quero dar ao divino labirinto dos efeitos e das causas
pela diversidade das criaturas que formam este singular universo,

pela razão que não cessará de sonhar,
pelo amor, que nos deixa ver os outros,

pela linguagem, que pode simular a sabedoria,

pelo hábito, que nos repete e nos confirma como um espelho,
pela manhã, que nos depara a ilusão de um princípio,

pela noite, sua treva e sua astronomia,
pelo valor e a felicidade dos outros,

pelos íntimos dons que não enumero,

pela arte da amizade,
pelo fato de que o poema é inesgotável e se confunde

com a soma das criaturas e jamais chegará ao último verso
e varia segundo os homens...
PELA VIDA RARA!!!!!!!!!!!

JORGE LUIS BORGES


começo a semana com este trecho de Borges, pois que é preciso entender a raridade dos momentos com os amigos, para eternizá-los. para todos meus amigos e aqueles que julgam ser capazes de me fazer sua inimiga. não existe isso. o que existe é gostar ou não gostar, inimigo para mim é o bandido que rouba, que mata, que me prende entre grades de ferro. os outros são os outros, e nem quero pensar neles. só penso na minha essência e sei o que sou e o quero da vida.
Quarta-feria, por exemplo, eu quero ir ao Flávio Venturini...

Silêncios

Silêncios. Preciso mantê-los
enclausurados, perdidos.

Permanência?
Monotonia percebida.

Palavras manipuladas escamoteiam
verbos escondidos.

Olhos e lábios, calados.
Braços, encolhidos.

Pensamento queimando nas
veias, velas, ventos.

Outono.
Folhas.
Decadência?

Sábado perdi meus
sonhos, tremores e urgências.

Literatura...
amor...
perdura?

terça-feira, 6 de novembro de 2007

quinta-feira, 1 de novembro de 2007

Loucos e loucas, sei deles

Só os loucos sentem minha falta.
Para eles, o verso guardado.
Para eles, o vaso quebrado,
o dia cinza, a rua,
os pés, a chuva, os carros nos sinais.
Para eles, as luzes riscam.
Para eles, meu céu, saliva e língua.

Só os loucos, doidos de pó,
de pedra, de sal, partidos,
embriagados,
desesperados.
Para eles, a planta,
para eles, minha foice,
o chão, a semente, o anzol e o rio.

Porque de min há muito não tenho notícias.
Não tenho poesia, nem os versos puros,
brancos, livres, alexandrinos.

Para os loucos que me prendem.
Para os loucos que me perco.
Para eles, o dom, o traço,
o risco, aquarela, bemol.
Para eles, o dólar, o show,
o lead, o break.
Para eles, la plata.
Para eles, la playa.

Loucos, loucas, sei deles.
Não usam luvas, não falam alto.
Pedem, imploram,
regateiam e empulham.

Para eles, o sonho.
Para eles, o caminho,
o sol, o dia, meu braço,
o encontro, mar e lua.

Somente os loucos me vestem
me cabem e me caem
sem a arrogância do tempo
e me puruficam a alma
e dão voz aos meus anseios.

Só os loucos me acalmam
e gargalham a lira dos meus sonhos
e me calam com um beijo morno
e me movimentam o corpo
todo.

Só a nudez das mãos
que destilam a ilógica me afetam...

São os loucos poetas da morte.
Morte moura de uma vida torpe.
São navalhas
que sangram palavras
em folhas mortas.

São meu corpo, minha voz,
minha demência escancarada,
uma gargalhada sonora
sorrindo das velhas e desbotadas horas...




Bom feriado!

terça-feira, 30 de outubro de 2007

Desiderata

Autor Desconhecido
Achado na igreja de Saint Paul, em Baltimore, 1692
Vá calmamente, entre o barulho e a pressa, e lembre-se da paz que somente existe no silêncio.

Na medida do possível, e sem se atraiçoar, tenha boas relações com todas as pessoas.

Diga a sua verdade quieta e claramente. Ouça os outros, mesmo os obtusos e ignorantes. Eles também têm uma estória a contar.

Evite as pessoas ruidosas e agressivas. Elas são tormentos para o espírito.

Se você se comparar aos outros, você se tornará ora vaidoso, ora amargo, pois há sempre pessoas que lhe são inferiores ou superiores.

Goze tanto as suas realizações quanto os seus sonhos. Mantenha-se interessado naquilo que você faz, por humilde que seja. Aquilo que você faz é algo que você realmente possui, num tempo em que tudo muda sem parar.

Pratique a prudência nos seus assuntos comerciais, pois o mundo está cheio de trapaças. Mas não deixe que isto o faça cego para as virtudes que existem. Muitas pessoas se esforçam por ideais altos. Por toda parte a vida está cheia de heroísmo.

Seja você mesmo. Não finja afeição. E nem seja cínico acerca do amor. A despeito da aridez e do desencanto, ele renasce tão teimosamente quanto a tiririca.

Aceite com elegância o conselho dos anos, deixando graciosamente para trás os prazeres da juventude. Crie força de espírito para proteger-se na desgraça repentina. Não se aflija, porém, com coisas imaginadas. Muitos temores nascem do cansaço e da solidão.

Tenha uma disciplina saudável, mas seja gentil para consigo mesmo. Você é um filho do universo, tanto quanto as árvores e as estrelas. Você tem o direito de estar aqui. E, quer você saiba disto ou não, o fato é que o universo caminha como deve. Por isto, esteja em paz com Deus, não importa como você pensa que ele é.

A despeito da barulhenta confusão da vida, mantenha-se em paz com a sua alma.

Com todos os seus enganos, labutas e sonhos não realizados, este continua a ser um belo mundo. Cuide-se. Esforce-se por ser feliz...

quinta-feira, 25 de outubro de 2007

A Chave e a senha

Enquanto fico aqui à beira de um poema
passa um mar à minha volta
ouço Baco e letras me provocando
vou colocar no poema tudo o que sinto
deixar as palavras de lado
elas sobem e descem
enjoam meu estômago
de novo na areia o silêncio dói
barcos pássaros redes faróis
garganta sal e sol
guardo dentro dos sonhos meu brinde
jogo para o mar meu corpo
diga ele o que quiser
guardarei o poema
a chave a senha e eu mesma
dentro da garrafa que envio ao horizonte.

regina vilarinhos

terça-feira, 23 de outubro de 2007

Um Colombo sul-americano

"Há trinta anos. Trinta. Me senti um Colombo sul-americano chegando a um país fascinante, meus olhos se enchiam da exuberância das paisagens, das frutas, do tamanho, da diversidade e do contraste enormes. Argentino do interior, da terra da carne, do vinho e da neve de junho ao pé dos Andes, eu via deslumbrado os caminhos que me traziam a Volta Redonda, a de julho de 77. Passeando pela calçada da rua Trinta e Três fui até a rua sessenta com meu guia, hoje perdido de mim nos caminhos da vida...
Contornamos pela igreja de Santa Cecília, o morro do Rosário, a calçada do Macedo (em que, no ano seguinte, eu trabalharia no meu primeiro emprego em terras do Brasil). E, na virada da esquina, ali, estava ele: esse monumento estranho para mim, fruto da fartura de um tempo há muito ido. Parte de um expoente que deixou saudades, de um tempo em que tudo girava em torno da mãe de fumaça e fogo que a todos seduzia, em todos embalava o sonho do emprego para sempre.
Quando perguntei o que era esse complexo, o amigo me disse, não sem uma pitada de despeito (ele não era daqui: "-Recreio do Trabalhador-".
Na época, o vi como uma figura inalcançável, como era uma instituição estatal para um estrangeiro. O trabalhador encontrava ali o lado social de suas relações, torneios de todos os esportes, festas, shows... tudo! Tudo tinha lá, campeonatos internos de futebol que provocavam febre nas pessoas, em seu sagrado direito de torcer. A família metalúrgica para lá convergia, às vezes iam somente para se verem. Quantos casais se conheceram lá e hoje têm netos? Guardo lembranças do que eu conheci sem ter participado, saudades de um tempo que não vivenciei, da minha história que correu sempre paralela à do Recreio, como dois trilhos que se juntam, quem sabe, no horizonte?
Como é diferente hoje! Me parece mudo, sem barulho de vida, em suas formas calado e abúlico na distância entre seu tempo e as gentes de hoje. Se, ao menos, você tivesse se tornado apenas velho, Recreio, eu aceitaria como aceito meus anos, mas como eu te remembro... prefiro teu passado, prefiro te ver como você foi e não como você poderia ter sido e não é mais.
Recreio do Trabalhador. Você é um canto de vozes que o tempo engole e, aos poucos, se torna vento..."

José Antonio Toral

Este texto eu recebi como comentário e meu amigo autorizou colocá-lo na página principal do site. Emocionante! Preciosa lembrança, que eu não imaginava causar a um "estrageniro". Obrigada Toral pelo carinho, obrigada aos amigos pelos comentários e pela leitura.

segunda-feira, 22 de outubro de 2007

Recreio do Trabalhador

Mais um quadro do Ronaldo Gori, o Recreio do Trabalhador é passagem obrigatória nas lembranças de minha infância e adolescência (e de muitos). A piscina com toda a família, o parquinho escondido lá no fundo, e os jogos de basquete e volei na quadra. As arquibancadas cheias, o Paulo Camargo e o Rafael comandando as meninas. o Abiatti no comando dos meninos... Festivais de Música, shows e a Festa do Hino Nacional, com o Maestro Franklin e tio Mattos.

O Paulão mandando parar o jogo para achar a lente de contato caída na quadra. As bolas de 3 pontos entrando de chuá no último segundo...
Muito bom para começar a segunda-feira...

sexta-feira, 19 de outubro de 2007

OBA! A chuva veio!!!



Deixa ela cair, e reacender o ciclo de vida...!! Bom final de semana!

Histórias do povoado de Santa Cecília




Estes quadros são de Ronaldo Gori, está terminando o seu livro sobre Volta Redonda. O trabalho que ele está fazendo é fantástico: ele pinta os pontos da cidade, antes (no passado) e depois (hoje). Uma pequena amostra...

quinta-feira, 18 de outubro de 2007

quarta-feira, 17 de outubro de 2007

É preciso Ler, sim!!! Sempre!

Um livro tem que ser um machado para o mar congelado dentro de nós. A literatura só é digna desse nome quando descongela o sangue de quem lê."
(FRANZ KAFKA)


Já pensou quantas pessoas que precisam quebrar o gelo???? Eu sempre li muito, com a faculdade então, são muitos mais livros para ler. E a leitura me abre idéias, me inspira, me põe em contato com histórias que poderiam ser de qualquer um de nós. Ler não é pra adquirir "status" no sentido pejorativo. Ler traz evolução, aprendizado, renovação, aperfeiçoamento de dons, talentos e técnicas em qualquer área, humanas, exatas e biológicas. O profissional longe da leitura não se atualiza, não interage, não consegue nem mesmo se colocar diante de uma palestra para alunos ou outros profissionais.

Ler é para adquirir formação, desenvolver nossa habilidade de crítica e escolhas, tudo o que pudermos: jornais, revistas, revistas técnicas, livros literários e não literários. Para distinguirmos o bem e o mal, o bom e o ruim, a vida e a morte, além da vida e suas experiências, a leitura nos ajuda a entender tudo isso, desde crianças até mesmo adultos, pois nunca é hora de parar de aprender. Quando eu parar de ler e aprender, pode saber que morri.

segunda-feira, 15 de outubro de 2007

Que continue a chuva


e mantenha o ciclo da vida...
para nós, para a terra, para o dia e para a noite. Bom para quem precisa se renovar... chuva não é lamento, é renovação, é carinho...
Lamento é do ser humano, não da natureza!

quinta-feira, 11 de outubro de 2007

Antologia Vozes de Aço

Ontem à noite, fui ao lançamento da Antologia, organizada pelo Jean Carlo, a convite da minha querida Maria José, uma das homenageadas. Fiquei muito feliz de reencontrar as meninas Maria José, Dora de Araújo e Eny Braga. E outros tantos que reverencio há tempos, como Pedro Viana e Sr. José Fleming, do Grêmio de Barra Mansa. Vejam o poema do Jean e o serviço para a compra da Antologia.


Vozes de Aço II

(Jean Carlos Gomes)

Vozes resgatadas,
Cada qual percorrendo
O seu itinerário
Nas veredas do acaso,
Ásperas, amenas,
De mundos diferentes...

Despertam as atenções,
Provocam melancolias,
Compõem novas canções
A cada estação...

Vozes fortes, febris,
Infelizmente algumas já se calaram,
Calam...

Mas felizmente ainda existem
Outras que foram convidadas
A saírem do anonimato que as cercava,
Para, juntas, conseguirem entoar cânticos
Louváveis ao som da lira do vate incansável,
Apesar dos inúmeros obstáculos existentes
Nesse mundo de tantas desigualdades...

Vozes tímidas, românticas, sociais...
Continuem proclamando sempre
Presságios virtuosos e edificantes
Para tantas outras vozes...
Fazendo com que elas possam ser também
Autênticas Vozes de Aço!

Serviço

• Vozes do Aço - II Antologia Poética de Diversos Autores - Poemas de Airton Lécio do Prado Castro, Angela Alves Crispim, Antônio Oliveira Pena, Edilson de Freitas Pereira, Jean Carlos Gomes, José Fleming, Luciano Baptista Domingos, Natália Terezinha de Almeida Faria, Orsina Prado de Castro (“in memoriam”) e Tarcizio Teixeira. Coquetel de lançamento: dia 10 de outubro, às 20 horas, na Câmara Municipal de Volta Redonda (Avenida Lucas Evangelista, 511, Aterrado). Valor do convite: R$ 20,00, com direito a um acompanhante, um livro e sorteio de brindes. Dedicado às escritoras Dora de Araújo e Maria José Maldonado. Organização e realização: Editora PoeArt. Contato: (24) 9993-0615. Ou:
jean_carllo@yahoo.com.br

segunda-feira, 8 de outubro de 2007

Em exposição...





foto: Cesar Lugão, diretor do SESC, e Regina Vilarinhos na Exposição POESIA EM VOLTA, no SESC/BM.


No SESC/BM, até dia 30 de outubro, exposição de Poesia em Volta, com poemas meus. De terça à domingo.
Visitem!

sexta-feira, 5 de outubro de 2007

A Volta de...

Começando as novidades no blog, que além de poesia e crônicas, tem texto de amigos e fala de amigos e amigas, hoje a gente tem uma pitada de conversa com a Celeste Silveira, nossa amiga, que monta projeto, divulga, cria e é esposa do Carlos Henrique, o Baiano. Vejam o que ela diz de Volta Redonda:

A Volta de... Celeste Vieira

Quem é de Volta:
(um personagem que marca a cidade)
- A arte, o artista. Nada mais representativo para uma cidade do que o retrato verdadeiro do artista, nas várias formas de expressão.



foto capa do CD Vale dos Tambores - Carlos Henrique Machado

Na Volta tem:
(coisas que só aqui você encontra)
- Uma cultura de mais de meio século de pensamento industrial. Isso é um trunfo para uma cidade.



foto - PortalVR

Amigos em Volta:
(dê o nome, um ou mais)
- São muitos e queridos amigos, não tem como citar um ou outro.

Volta tem programa?
(teatro, cinema, show, qualquer lugar)

- Tem muitos, muita gente fazendo teatro, artes plásticas, poesia, música, muita música. Mas quero destacar as rodas de samba que acontecem nos bairros periféricos. Ali acontece um manancial de arte genuína.

Comendo em Volta:(bar, restaurantes,etc)
- Qualquer PF bem temperado resolve a minha fome.



Recordações de Volta:
(noitadas, dias, festas, bairros)
- Minha chegada a esta terra, em 1979.

Volta e conta:
(Histórias, poesia, melodias, revelações e outros)
- O que se percebe em Volta Redonda é que é rodeada por várias formas de histórias, mas há uma especial que precisa ser devidamente contada e documentada, é a do dia 09-11-88.


foto- Greve dos metalúrgicos 1988.

Olhando em Volta:
(lugares e paisagens)

quinta-feira, 4 de outubro de 2007

COLHEITA


Há tempos de começar: nós vemos o horizonte e desejamos chegar até ele.
Há tempos de descobrir: nós vemos o horizonte e ele vai mais além.
Há tempos de esperar: a tempestade no horizonte caminha até nós.
Há tempos de retomada: lá no horizonte o sol nasce novamente.
Há tempos de pedir: para irmos ao horizonte precisamos que nos levem pela mão.
Há tempos de aprender: o horizonte nos manda mensagens pelo arco-íris.
Há tempos de plantar: nós jogamos as sementes e elas crescem em direção ao horizonte.
Há tempos de dor: algumas delas são levadas ao horizonte antes do que queríamos.
Há tempos de sonho: só acreditamos no que existe lá no horizonte.
Há tempos de mudar: nos viramos e o que era para trás, agora é o horizonte.
Há tempos de reflexão: nossa visão do horizonte hoje é melhor que ontem.
Há tempos de relembrar: nós vemos o horizonte e ele refresca a nossa memória.
Há tempos de brilhar: o horizonte nos acena dos olhos de alguém.
Há tempos de colheita: as sementes lançadas nos dão novos horizontes.

terça-feira, 2 de outubro de 2007

Crônica de uma mãepai




Certa ocasião, me pediram para fazer um poema sobre meu sentimento de mãe, e eu consegui escrever uma crônica. Muitas vezes, me perguntam porque não fiz um poema para Ludmila, minha filhota, e eu sempre respondi que já fiz um livro para ela, “Poemas acesos para noites apagadas”, em setembro de 2000.
Acontecem muitas coisas na rotina de uma mãepai e não sei como descrevê-las uma a uma. Sei que tive uma identidade durante muitos anos como a filha do Vilarinhos e da Inês. Quando fiquei adulta, experimentei um pouco da identidade de Regina Vilarinhos, a técnica de informática, cheguei a ser Maria Regina em muitas vezes. Mas, a partir de 1993, passei a ser a mãe da Lud. Desde o posto de saúde, passando pela creche, pelas amiguinhas do prédio, até chegar na pré-escola. No portão era sempre assim:
- Quem você é mesmo? – a tia perguntava na hora de pegá-la.
- Regina – minha resposta simples.
- Quem?!
- A mãe da Ludmila.
- Ah, tá bom. Vou buscá-la.

Daí por diante, todos os meus sentimentos de mulher, profissional, amiga, filha, tia, passavam por um único filtro. Era uma releitura de mim mesma.
Entre tantos momentos alegres juntas, um marcou o começo de tudo. Lud nasceu de cesariana, numa quinta-feira, no Hospital da CSN/Volta Redonda, e ficamos até o domingo internadas. Tudo corria tranqüilamente, ela mamava no peito e eu estava passando bem. Na noite de sábado, depois das 18 horas, eu havia tomado meu banho e caminhava pela enfermaria. Lá dentro do quarto, outras mães estavam amamentando seus bebês e escutávamos um choro forte, vindo do berçário. Mas era um choro muito forte, a plenos pulmões, e as outras mães me disseram que era a Ludmila.
Fui até lá para me certificar do que acontecia, cheguei no vidro e vi a enfermeira tentando acalmá-la no colo. Bati levemente, ela abriu a porta e perguntei admirada: “É a Lud que está chorando assim?!” Quando fiz esta pergunta, ela se calou e virou os olhos procurando minha voz. A enfermeira sorriu e disse: “Nunca vi! Tão novinha e já fazendo manha para a mãe!”
Pois assim que a peguei em meus braços, deu um suspiro fundo e me olhou com seus olhinhos penetrantes. Não preciso nem dizer que os meus se encheram de lágrimas, tamanha a felicidade de perceber que todas as teorias são verdadeiras. Os nossos filhos nos conhecem de todas as formas, com todos os sentidos.
E assim tem sido até hoje. Ludmila me conhece como ninguém e eu a ela. Nossa cumplicidade é o melhor tesouro que temos. O fato de ser pai e mãe me proporcionou uma felicidade exclusiva. Ela me chamava de mamãezinha, quando pequenininha e me chama assim ainda hoje.
O significado de seu nome já diz tudo que eu sempre quis para ela: amada por todos.



publicada no Diário do Vale em 2004 - dia das mães

visite o blog www.descoloriar.blogspot.com

Eternos Amantes

Quero ter teus olhos aos meus,
e, sem vendas,
mergulhar dentro de ti.

Quero ter tua boca à minha
e, sem cansar,
sufocar-te de beijos.

Quero ter tua pele ao meu tato
e, sem medidas,
cobrir-te de carícias.

Quero ter teu corpo ao meu
e, sem censuras,
fazer o nosso amor.

Quero ter tua mente à minha
e, sem limites,
conhecer-te os pensamentos.

Quero ter teus sonhos aos meus
e, sem perturbá-los,
despertar-te ao amanhecer.
Quero ser o teu querer
e, sem temor,
eternizar-me dentro de ti.

regina vilarinhos - 1987

segunda-feira, 1 de outubro de 2007

Chuva de amigos no blog!!!


Que bom que a chuva veio. Precisa de mais um pouco, pro Rio Paraíba ficar mais cheiinho.
Chuva de amigos no blog: veio o Edson Marques, comentando aí no último post e no overmundo. Veio a Jussara, a Rita Costa... e veio a Ione, depois de tantos e tantos anos, morando ali do lado. Vou pedir mais... quem sabe vem mais gente que anda sumida e outros que preciso conhecer.

Músicas pra semana: todas do U2,em homenagem à Ione e Ludmila!
Tem novidades no blog amanhã!

sexta-feira, 28 de setembro de 2007

Que vontade de chuva!



Eu tô com vontade de chuva. E parece que ela vem chegando, finalmente. E logo na sexta à noite...tudo bem, que ela venha e lave esse pó, lave a alma, lave a coragem e ponha de novo o sol para que o ciclo não cesse, para que a vida se fortaleça.
Chega de lamentação, é urgente ser feliz !

Fabrício Carpinejar

www.portalliteral.com.br


Faculdade, provas, trabalhos, leituras demais para uma semana e meia e ainda vem a Semana Acadêmica. Ótimo! Já cheguei ao 3º bimestre, tem só mais um pouquinho. Maravilha de semana. E hoje achei este texto do poeta e passo o link pra quem se aventurar a ler. Aliás, o Portal Literal tem muita coisa boa de ler.
Saúde e bom fim de semana! Com a poesia nos braços...

Leitura doce, de iluminar, de fazer crer em muitos amores e luares.
http://www.fabriciocarpinejar.blogger.com.br/

terça-feira, 25 de setembro de 2007

Você

Se fosse pintura
não seria tão colorido.
Se fosse foto
não teria tanta revelação.
Se fosse sangue
não levaria tanta vida.
Se fosse corpo
não tomaria tantas formas.
Se fosse jóia
não seria tão lapidada.
Se fosse vidro
não quebraria tão fácil.
Se fosse sonho
não traria tanta calma.
Se fosse encontro
não seria tão pontual.
Se fosse sexo
não daria tanto prazer.
Se fosse fogo
não arderia tanta labareda.
Se fosse charada
não teria tanto mistério.

regina vilarinhos

EU

Te vejo,
te beijo,
te desejo,
te uso,
te misturo,
te iludo,
te perturbo,
te sinto,
te preciso,
te pressinto,
te quero,
te espero,
te venero,
te mereço,
te esqueço,
te aqueço,
te aguardo,
te arranho,
te abandono,
te gosto,
te mostro,
te roço,
te abraço,
te invado,
te adoro,
te namoro,
te ...

regina vilarinhos

segunda-feira, 24 de setembro de 2007

II JORNADA DE LETRAS - FERP 2007







fotos: palestra/exposição
Fabiane e Regina
professores
nosso grupo em BP - as duas fabiane, daiane, edna e regina
"É preciso ousar ser poeta para ser tudo o que somos.
Para não soçobrar na espuma.
Para o mergulho no abismo do ser e do não ser.
Para facilitar a lida com os conflitos e a travessia da dor.
Para abraçar a vastidão humana."
(Roberto Crema)

Prisão



Regina Vilarinhos


De dentro do cárcere, a visão do universo.
Olhos que vagueiam no manto azul,
por entre muralhas, guaritas,
onde o inimigo espreita.
Vozes felizes, vozes.
Promessas. Encontros.
Almas tenras, flores pequenas,
crescem no jardim,
cercadas de algozes.
No ritmo do fuzil, marcha o rio
banhando a terra vermelha.
Nasce de novo a lua,
na cortina enfumaçada,
a ouvir o pranto das ruas.
E os corações fotografados
dos homens bombados,
em preto e branco marcados,
alinham-se nas colunas dos mascarados.
O tempo vai vagaroso.
A nova arquitetura de ruínas.
A escola sem meninas.
A comida no meio das cinzas.
De dentro do cárcere, a crença na dor.
Dor de onde não crescem milagres.
O inferno do homem
que não acredita no homem.
A não razão de negociar
a liberdade de amar.
No deserto da vida, a caravana de reis
que trazem o mel e a água,
para a amargura e a chama.
Magos, fabricam novas almas.
A paz vem com os poetas.

sexta-feira, 21 de setembro de 2007

Prateando




quadro de Silvia Victoria -

Existem estrelas, ainda que solitárias,
perdidas na imensidão do universo...
que mantêm seu brilho,
mesmo nas noites sem luar...
pingando gotas de prata,
nos olhos de quem as pode enxergar!

regina - 1997

quinta-feira, 20 de setembro de 2007

Livros e árvores - eu amo muito!




"Quando eu era criança, durante muito tempo pensei que livros nascessem como as árvores, como os pássaros. Quando descobri que existiam autores, pensei: também quero fazer um livro."

Clarice Lispector


"Todo homem que sabe ler tem o poder de se ampliar, de multiplicar as formas de sua existência, e de fazer sua vida repleta, significante e interessante."
Aldous Huxley


O tempo para ler, assim como o tempo para amar, aumenta o tempo de viver.
Daniel Pennac

quarta-feira, 19 de setembro de 2007

O anjo mais velho

Fernando Anitelli - O Teatro Mágico


O dia mente a cor da noite
E o diamante a cor dos olhos
Os olhos mentem dia e noite a dor da gente
"Enquanto houver você do outro lado
Aqui do outro eu consigo me orientar
A cena repete a cena se inverte
enchendo a minha alma d'aquilo que outrora eu deixei
de acreditar
tua palavra, tua história
tua verdade fazendo escola
e tua ausência fazendo silêncio em todo lugar
metade de mimagora é assim
de um lado a poesia o verbo a saudade
do outro a luta, a força e a coragem pra chegar nofim
e o fim é belo incerto... depende de como você vê
o novo, o credo, a fé que você deposita em você e só
Só enquanto eu respirar
Vou me lembrar de você

O fim de Todas as Guerras

O Fim de Todas As Guerras
tavinho paes

anistiou-se: os perseguidos
desculpou-se: os algozes
reconciliaram-se: os combatentes...
e não foi suficiente!
o fim de todas as guerras
não vê inocentes nem culpados
nem civis nem soldados
entre traumas, dores e desilusões
a grande paz em todos os sentidos
quer ver oferecido e aceitos
em nenhum preconceitode corpo, alma e coração
a santíssima felicidade...o perdão!
A PESSOA ERRADA
Luis Fernando Veríssimo
Pensando bem
Em tudo o que a gente vê, e vivencia
E ouve e pensa
Não existe uma pessoa certa pra gente.
Existe uma pessoa
Que se você for parar pra pensar
É, na verdade, a pessoa errada.
Porque a pessoa certa
Faz tudo certinho
Chega na hora certa,
Fala as coisas certas,
Faz as coisas certas,
Mas nem sempre a gente tá precisando das coisas certas.
Aí é a hora de procurar a pessoa errada.
A pessoa errada te faz perder a cabeça
Fazer loucuras,
Perder a hora,
Morrer de amor.
A pessoa errada vai ficar um dia sem te procurar
Que é pra na hora que vocês se encontrarem
A entrega ser muito mais verdadeira.
A pessoa errada é, na verdade, aquilo que a gente chama de pessoa certa.
Essa pessoa vai te fazer chorar
Mas, uma hora depois vai estar enxugando suas lágrimas.
Essa pessoa vai tirar seu sono
Mas vai te dar em troca uma noite de amor inesquecível.
Essa pessoa talvez te magoe
E depois te enche de mimos pedindo seu perdão.
Essa pessoa pode não estar 100% do tempo ao seu lado
Mas vai estar 100% da vida dela esperando você.
Vai estar o tempo todo pensando em você.
A pessoa errada tem que aparecer pra todo mundo.
Porque a vida não é certa
Nada aqui é certo.
O que é certo mesmo, é que temos que viver
Cada momento, Cada segundo Amando, sorrindo, chorando, emocionando, pensando, agindo, querendo,conseguindo
E só assim
É possível chegar àquele momento do dia
Em que a gente diz: "Graças à Deus, deu tudo certo"!
Quando na verdade
Tudo o que ele quer
É que a gente encontre a pessoa errada
Pra que as coisas comecem a realmente funcionar direito pra gente.

Partida


Não derramarei o sangue
Não colocarei sobre ti meu corpo.
Basta da tua palavra.
Não te salvo,
não te prendo,
não te entrego.

Orgulho não é minha virtude.
Criação não é tua verdade.

Fogo e terra se esvaem,
Água e ar se invadem.

O tanto que me enganaste.
O tanto que me feriste
Ficou minha cruz pendurada
ficou a ilusão atada,
ficou meu medo, que persiste.

Silêncios


Silêncios. Preciso mantê-los
enclausurados, perdidos.

Permanência?
Monotonia percebida.

Palavras manipuladas escamoteiam
verbos escondidos.

Olhos e lábios, calados.
Braços, encolhidos.

Pensamento queimando nas
veias, velas, ventos.

Outono.
Folhas.
Decadência?

Sábado perdi meus
sonhos, tremores e urgências.

Literatura...
amor...
perdura?

Ausência


Para que ouvir o som da tua voz
se entre mim e você
há milhares de nós?

Para cada piscar de olhos
é preciso desembaraçar meu pensamento.

Estou fraca de mim
busco o meu nos outros.
Perdi o jeito de versos,
ganhei um jeito de blues.

Vou cair no bando da rua
e beber você em cada esquina de lua.

Copo, bebida, violão e carinho.
Triste balanço de ondas
que se atiram no meu caminho.

Desejo a Lagoa e Laranjeiras
caminho na beira-mar de teu peito.
Só os ruídos do Sol
sabem de teu sorriso.

A porta tá aberta.
Entra, toma um café.
De noite, eu te trarei as estrelas.

sexta-feira, 14 de setembro de 2007






Não tenho inimigos de plantão. Tenho anjos e mentores que me aparam na solidão.
Regina Vilarinhos

Caras como eles estão ficando raros














Caras como eles estão ficando raros...

Eles falam de coisas que não conhecemos ainda. Falam coisas que só eles conheceram. Falam de outras que começamos a conhecer agora. As histórias cheias de personagens e datas e que eles nunca esquecem. E nós não conseguimos nos lembrar de acontecimentos do mês passado, a não ser que busquemos no HD ou nos arquivos de dados dos jornais e revistas. Descrevem a roupa que suas mães usavam, a disposição dos objetos na cozinha da roça. Eles se lembram de rezas, missas, salmos, cantos, doss sermões do padre Bernardo, do casamento da moça mais bonita que dançava nos bailes do Aero e da inauguração do primeiro cinema da cidade.
Eles não precisam pintar os cabelos, nem estão preocupados se estão caindo. Eles vêem no espelho um homem íntegro, que se entregou à vida e ao destino, e fizeram parte de uma história que não está registrada em máquinas digitais. A fotografia de sua alma é captada nos olhos dos filhos, netos e bisnetos. Sem contra-regras, sem diretor de luz, sem cenógrafos, sem camareiras, eles entraram pelo palco da vida e representaram o melhor papel que Deus lhes deu: serem os nossos pais.
Quando entram em cena para falarem deles mesmos, transformam-se em artistas performáticos, roubando a atenção dos jovens ouvidos da platéia. Da simples tarde de depoimentos espontâneos, saímos todos de alma lavada. Viajamos em suas histórias e construímos uma outra cidade que não conhecíamos, caminhando por lugares carregados de significados exclusivos para cada um deles. Nada ficou esquecido: a Amélia que passava pelas ruas recolhendo os almoços para os primeiros operários da usina, a discriminação social sofrida pelos mais simples, as espessuras dos cilindros, a visita de Getúlio à cidade, a inauguração da primeira escola, a construção do viaduto, os rapazes que moravam nos hotéis da Rua 33, as casas de barro do Rústico.
Quantas horas de depoimentos já estão gravadas e quantas ainda estão por vir? A cada ano, este trabalho desenvolvido pelo professor Cleber Vicente, da FERP, colhe mais depoimentos e presenteia outro tanto de alunos numa tarde de sábado. Que estas imagens virem documentário e livro para se perpetuarem.
Porque só nas nossas mentes jovens, elas se perderão. E caras como eles estão ficando raros.
título de uma música dos Titãs.

quinta-feira, 13 de setembro de 2007

Viola Caipira

VIOLA CAIPIRA

Côs braço cheio de fita,
Ainda me acho bonita,
Meu pená ninguém atina
Mêmo amarrada de imbira,
Não lamento minha sina:
-Sô a viola caipira!.

Imbora vancê se admira,
Mêmo pindurada num prego,
Minhas lembrança carrego,-
Queria que vancê me afina.

Eu ia sempe em festança,
Animava véio e criança,
Das veiz eu era levada,
Nos bordé e nos velório,
Com amor era tocada,
Por um matuto simplório.

Me alembro das noite,
Daquelas festa de reis,
Tocava pra Deus menino,
Cantavam, batiam sino:
-Quanta coisa que nóis fez!.

Nas festa de São João,
Eu era admirada,
Animava todo mundo,
Junto com verso e poesia,
Meu dono as corda tangia,
E eu tinía um som profundo.

Agora amarrada num prego,
Esta é a cruz que carrego,
Eu vivo no desamô,
Me alembro do dotô matuto,
Seu pai, junto a meu regaço,
Anseio por seu abraço:
-Pode me tocá, seu dotô!

ACAS Antonio Carlos Afonso dos Santos - poeta e cronista - meu amigo de longa data, que me presenteou com este poema para o blog

Publicado no Recanto das Letras em 10/08/2005

Vida de Teresa

Vida de Tereza

Aceito tudo. Cara feia de namorado, bronca de pai, amolação de irmão, repreensão de professor, traição de amiga. Tudo, já disse, mas não me chamem de Terezinha de Jesus. Onde minha mãe estava com a cabeça quando me batizou com este nome? Por que não escolheu Joana D´arc, Maria Madalena, Luiza Brunet ou, até mesmo, Sharon Stone? Mas, não. Para pagar promessa, tem que ser do jeito que prometeu.
Depois de oito filhos homens, meu pai mais do que feliz com tanta gente pra trabalhar com os cavalos, ela queria uma menininha. E tanto pediu à Santa Tereza, que eu vim. Aí, Terezinha de Jesus. Enquanto ficasse no Tereza, tudo bem. O nome de todos meus irmãos começa com T: Teodoro, Tiago, Túlio, Tarcísio, Torquato (esse, promessa de meu pai), Tobias, Tomás e Teotônio (nome de meu avô materno). Lindos nomes! Parece time de futebol de salão. Todos com um nome e o sobrenome: Teixeira da Cruz. Aí é que começa minha tristeza (“t” de novo).
Veja bem: Tereza Teixeira da Cruz. Muito lindo! Nome de escritora, pintora, intelectual, economista, como nome de atriz também ficaria maravilhoso. Assim, simples, Tereza, que inspira os mais belos poemas, rimando com beleza, natureza, realeza, esperteza, a dona do pedaço. Minha mãe pagava a promessa e a Santa continuaria a sua proteção à nossa família do mesmo jeito.
- Mas, Esmeralda - dizia meu pai – a menina é tão pequenininha, com um nome imenso desses, vai ser cheia de apelido na escola.
- Por isso mesmo! Promessa é promessa! Resmungava minha mãe. Cê num pagou a sua? Agora é minha vez: Terezinha de Jesus Teixeira da Cruz. Num é pequenininha, então, Terezinha! Quem botá apelido nela, vai se vê comigo.
Pois assim foi feito. Nascida no dia 25 de dezembro de 1987. Dá para saber porque de Jesus, né? Realmente, nasci pequena; acho que já tinha medo da imaginação da minha mãe, de tanto que ela conversava comigo na gravidez. Imagina se eu fosse menino, como é que ela ia me olhar? De onde sairia outro nome com T?! E será que deixaria de acreditar na Santa? Duvido muito que tanta oração e tanta novena não seriam atendidas. Dona Esmeralda chegou a subir as escadarias da igreja de joelhos no dia da padroeira, com meu pai atrás dela para qualquer caso de passar mal, já que estava de 7 meses.
Mas minha mãe não podia imaginar que eu seria tão rebelde por causa de um nome. Ela é que não conhece os rapazes daqui de Imperatriz, no colégio. Quase todo dia tem uma piadinha: “O Terezinha, vai me dar a mão hoje?” “Terezinha, ú ú!” Sem falar daquelas que se dizem amigas e, na hora da paquera, quando a gente já ta quase ficando com o cara, cantam bem alto: “Terezinha de Jesus...”. Minha vontade é de sumir no mundo, ir para a capital, mudar de nome e esquecer Imperatriz e sua padroeira. Só depois dos vinte e um.
Enquanto isso termino, meu curso de teatro amador. O nome artístico ainda não resolvi. Uma amiga me levou ao numerologista para uma consulta. Sabe qual a sugestão que ele me deu: Therezinha Teixeira. Pelo menos, já é uma mudança. Tirou o de Jesus.
v. redonda - 2006

quarta-feira, 12 de setembro de 2007

O maior poeta de Volta Redonda é este

FUGA

esqueço nomes dias datas
minha nave de prata
pirado pirata flibusteiro
na ebulição do tempo atento
ilógico o tempo inteiro

esqueço que me sinto
que me dopo que me estrepo
retrato da inanição
quando me zune o snague
insana gana suicida

esqueço que me assino
que me escrevo escravo e desejo

esqueço que me ensinam
matar e mentir
esqueço o apreço
e o que não mereço

esquecer lembrar memorar

quem serei
quando a memória for
para não voltar?

Rastero - o poeta primeiro
"Minhas memórias são da cidade, em torno dela, mesmo quando viajando em outras cidades, é nela que penso, é para ela que volto. Não sei se ela me aceitou como filha. Talvez eu a tenha adotado como mãe. "

da crônica Sobre outono e dia das mães.

terça-feira, 11 de setembro de 2007

Nós não sabemos perder!

Este texto eu recebi por email, autor desconhecido. Quem souber o nome, por favor, mande-me para que faça o crédito correto.

Perder um amor dói
Mas perder a dignidade que esse amor te proporciona
Dói bem mais
Perder um amor
Causa-nos um vazio na alma
Prende nossa respiração
Tira-nos o sono
Dá-nos arrepios
Perder um amor
Seu único amor
Dá medo
Medo de seguir em frente
Ousar novos passos
Tentar outros rumos
Quando a gente perde um amor
A gente perde um pedaço da gente
Um pedaço do tempo que vivemos
O futuro que almejamos
Perder um amor
É perder a própria existência
Mergulhar na solidão muito vazia
Perder o senso
Perder um amor é acordar pra outra realidade
E vemos que não somos muita coisa sem alguém
E que sozinhos, fica muito mais difícil a caminhada.

segunda-feira, 10 de setembro de 2007




"Mundo velho e decadente, Mundo ainda não aprendeu a admirar a beleza, a verdadeira beleza, a beleza que põe mesa, que deita na cama, é a beleza do erro; do engano e da imperfeição" (Zeca Baleiro)
texto enviado por um anjo

liberdade

























No vento
que leva pra longe todo meu pensamento.
Na lua
que faz a noite ser feita de azul,
no rio que te espelha e
guarda meus silêncios.
Dona,
me abre rosa em tua mão.
Nas páginas
que sempre abertas te exalaram.
Liberdade.
Desata-me, perto do rio que te margeia,
do vôo de aves, do ninho dos braços teus.
Liberte-me
deste convés, destas amarras, deste barco
que não é de ninguém.
No grito que dei hoje
desabou meu medo,
embora me sinta, ainda,
guardada em ti.

para voar e chegar à campo grande (MS)

terça-feira, 4 de setembro de 2007

Poeminha de Outono

Poeminha de Outono

regina vilarinhos
arte: luiz - infrabit


Eu me sinto poeta marrom
meus verso caindo de mim como folhas secas,
em cada pedaço de rima
uma infinidade de mim se espalhando no papel.
Beijos feridos que queriam tocar seus lábios
e te encontravam cinza.
Qual a cor que você pode me dar hoje?
Fosse amarelo para minhas cantigas de desejo,
ou vermelho para meus sonetos de amor.

quinta-feira, 30 de agosto de 2007

Nalgum lugar


E. E. Cummings



nalgum lugar em que eu nunca estive,

alegremente alémde qualquer experiência,

teus olhos têm o seu silêncio:no teu gesto mais frágil

há coisas que me encerram,ou que eu não ouso tocar

porque estão demasiado perto teu mais ligeiro olhar facilmente me descerra

embora eu tenha me fechado como dedos,

nalgum lugarme abres sempre

pétala por pétala como a primavera

abre(tocando sutilmente, misteriosamente) a sua primeira rosa o

u se quiseres me ver fechado, eu e minha vida

nos fecharemos belamente, de repente

assim como o coração desta flor imagina a neve

cuidadosamente descendo em toda a parte;

nada que eu possa perceber neste universo iguala

o poder de tua intensa fragilidade: cuja textura

compele-me com a cor de seus continentes,

restituindo a morte e o sempre

cada vez que respira (não sei dizer o que há em ti que fecha e abre;

só uma parte de mim compreende que a voz dos teus olhos

é mais profunda que todas as rosas)

ninguém, nem mesmo a chuva, tem mãos tão pequenas.

música de Zeca Baleiro - cd Líricas

Socorro!!

20/08/2007

Hoje é dia de escrever mais. Aliás, sempre é dia de escrever mais, já que a fala está embutida, agarrada na faringe, estremecida nas nossas relações do dia-a-dia. O ano já passou, agosto se foi, e mês que vem veio a galope. Tudo pra nós já é ontem e pouco sobra para amanhã. Quem pode dizer o que é hoje? Acredito que hoje é o cara, aquele que ninguém denomina, ninguém viu, ninguém vê. Mas ele tá aí, pertinho, encostando o cano na nossa cara e nos tirando o nosso melhor, o nosso AGORA. Quem consegue limpar os olhos e enxergá-lo depois da fumaça? Alguém aí consegue gritar socorro?

Será que existe um tempo em que alguém pode nos socorrer? Será que tem alguém que pode nos socorrer? Nem mesmo sabemos qual o socorro que queremos, de como ele pode ser, mas ele tem que vir. Socorro financeiro? Socorro afetivo, emocional? Socorro médico, pajelança, benzedeira de mal olhado...qualquer um que faça a dor passar. Até mesmo a dor ausente, aquela que se pressente que vai dar cria já já. Enquanto esperamos este bombeiro-paramédico-afetivo-monetário-psico-sexual-efervescente, escrevemos e mandamos centenas de emails de correntes, novenas, auto-ajuda, mantras, que no assunto disfarçamos a palavra que grita na garganta:SOCORRO!

quarta-feira, 29 de agosto de 2007

Ausência

Ausência

Para que ouvir o som da tua voz
se entre mim e você
há milhares de nós?

Para cada piscar de olhos
é preciso desembaraçar meu pensamento.

Estou fraca de mim
busco o meu nos outros.
Perdi o jeito de versos,
ganhei um jeito de blues.

Vou cair no bando da rua
e beber você em cada esquina de lua.

Copo, bebida, violão e carinho.
Triste balanço de ondas
que se atiram no meu caminho.

Desejo a Lagoa e Laranjeiras
caminho na beira-mar de teu peito.
Só os ruídos do Sol
sabem de teu sorriso.

A porta tá aberta.
Entra, toma um café.
De noite, eu te trarei as estrelas.

sexta-feira, 24 de agosto de 2007

Olhos cheios d´água

Olhos cheios d´água
Regina Vilarinhos


Esse jeito da gente olhar para o outro e querer que se enxergue as palavras.
E eu queria um dia dizer para todos palavras tão simples,
que não precisassem ser apagadas e reescritas,
pois todas as partes que me conhecem,
todas as partes que me prendem,
em cada um dos meus amigos,
são feitas de simplicidade.
De qualquer lugar onde pudessem me ver e ouvir,
saberiam que elas me anunciavam.
Meu primeiro ai, saindo da dor que não explico,
sobre a vontade que tenho de cuidar de cada um de meus amores.
Todo os meus "até logo" precisavam ser "não se vá".
Nenhum deles nunca couberam dentro de minha mão,
mas sempre estiveram lá.
Nem sempre me deram razão, mas sempre me acharam razoável.
De tudo o que soubesse dizer, nada poderia sair por completo antes de minha boca completar a fala.
O prato que servi, a comida que fiz, não tem sabor de ver que guardo nos meus olhos.
Ver foto de Elvis, ouvir mpb, assistir um filme de amor,
pensar nas melhores amigas, dormir com a filha,
tomar chopp, sorvete,
sentir o vento no rosto, fazer o café,
viajar em boa companhia
e lembrar de não esquecer a chuva no telhado,
me fazendo crer que estou em Passa Quatro.
Se fosse só saudade seria fácil explicar,
mas nem de amor é bom falar,
porque fica perdida a metafísica do jeito
mais que de ser poeta, mas de querer ser perfeito.

quinta-feira, 28 de junho de 2007

A implosão da mentira






Este texto é parte de um poema de Afonso Romano de Sant´ana, da época da ditadura, e atualíssimo!


Pra quem se esqueceu de que mentira dói!



Fragmento 3


Mentem no passado. E no presente
passam a mentira a limpo. E no futuro
mentem novamente.
Mentem fazendo o sol girar
em torno à terra medieval/mente.
Por isto, desta vez, não é Galileu
quem mente.
mas o tribunal que o julga
herege/mente.
Mentem como se Colombo partindo
do Ocidente para o Oriente
pudesse descobrir de mentira
um continente.
Mentem desde Cabral, em calmaria,
viajando pelo avesso, iludindo a corrente
em curso, transformando a história do país
num acidente de percurso.


Fragmento 4


Tanta mentira assim industriada
me faz partir para o deserto
penitente/mente, ou me exilar
com Mozart musical/mente em harpas
e oboés, como um solista vegetal
que absorve a vida indiferente.
Penso nos animais que nunca mentem.
mesmo se têm um caçador à sua frente.
Penso nos pássaros
cuja verdade do canto nos toca
matinalmente.
Penso nas flores
cuja verdade das cores escorre no mel
silvestremente.
Penso no sol que morre diariamente
jorrando luz, embora
tenha a noite pela frente.

Fragmento 5


Página branca onde escrevo. Único espaço
de verdade que me resta. Onde transcrevo
o arroubo, a esperança, e onde tarde
ou cedo deposito meu espanto e medo.
Para tanta mentira só mesmo um poema
explosivo-conotativo
onde o advérbio e o adjetivo não mentem
ao substantivo
e a rima rebenta a frase
numa explosão da verdade.
E a mentira repulsiva
se não explode pra fora
pra dentro explode

implosiva.

Estamos correndo risco...




Este não é tão novo, mas vale para o dia!





Estamos correndo risco
Regina Vilarinhos

Corremos risco do planeta estufar, do gelo derreter, risco de querer chorar, de bala encontrar.
Corremos o risco de não mais morar onde queremos morar.
Da cratera abrir e no buraco tudo sumir.
Corremos risco de chegar antes e ser tarde, mas também de ser na hora.
De escorregar e cair e achar graça. Ser peixe, saber nadar.
De arar, semear e a árvore crescer.
Corremos o risco do leite não derramar, do arroz não salgar.
Risco de não queimar a carne, do bolo não solar.
Estamos correndo risco de estudar a teoria e na prática ela dar certo.
Defender a monografia, enfrentar a argüição e tirar 10.
Do corte doer e depois a mãe beijar.
De sermos memória e das boas.
Risco de terminar tudo, tinha que ser feito.
De encontrar mais um e, finalmente, ser perfeito.
Corremos o risco do segredo ser revelado, do Buda estar reencarnado.
De acharmos o caminho, mesmo sonhando acordado.
Dizer não e ele ser aceito e de dizer sim, o mais verdadeiro.
Corremos o risco de sabermos do nosso valor e ele ser alto.
Doloridamente. Totalmente. Felizmente!

segunda-feira, 25 de junho de 2007

Texto de segunda...



Esse eu recebi da Chryz agorinha e decidi colocá-lo aí. Abraços!











Uma escolha
autor desconhecido





Mais uma segunda-feira...O sono é enorme, parece que acabamos de deitar e o despertador já toca.Começamos a lembrar do trânsito que teremos que enfrentar, da cara do chefe, dos problemas que nos aguardam, do estresse do serviço e tantas outras chateações, que já ficamos desanimados. Porém, hoje, decidi adotar uma postura diferente. Levantei com sono, mas pus a minha música preferida para tocar e me vi cantarolando pela casa.Decidi estampar no rosto, o melhor sorriso que pudésse.Vesti a calça, combinei a blusa e a bolsa, e demorei alguns minutos na frente do espelho, não apenas conferindo o visual, mas percebendo o quanto de potencial interno eu tinha e que dependia de mim aumentar a minha confiança. Afinal sou capaz de superar os desafios que a vida me apresenta.
Preparei o café e perdi o horário brincando com meu cachorro, como há muito tempo não fazia.Mas ao invés de correr, aproveitei os minutos, sabendo que eles não iriam voltar.Ao sair pude ver a lua que ainda brilhava onipotente e me encantei. E sem pressa de chegar, caminhei pelas ruas e admirei as flores.Passei a contemplar o canto dos pássaros.Esqueci todas as dores que um dia me fizeram chorar.E nesse momento, decidi mudar a minha história.
Comecei a sorrir para todas as pessoas que encontrei.Fui adiante e descobri que a alegria brota do coração. Não está distante, nem é difícil. Basta desistir de encontrá-la, na forma de um diamante e passar a achá-la nas coisas simples da vida.Ao continuar andando, notei olhos admirados a se perguntarem o motivo de minha felicidade.E apenas achei graça, afinal estava alegre e era o que realmente importava.E como uma criança, voltei a sonhar e acreditar em meus poderes.Talvez não possa voar, como meus heróis de infância, mas pelo menos posso mudar.Muitos dirão que é apenas uma loucura.Mas prefiro ser uma louca e viver a alegria intensamente, do que me fechar num quarto, colecionando mágoas.
Prefiro me sujar, com as cores do guache, do que ver a minha história, terminar como uma folha em branco.Quero espalhar essa alegria que existe dentro de mim e não me incomodar com os pessimistas de plantão.Quero não precisar de motivos, nem justificativas para estar alegre.Quero cantar as boas novas e ter o prazer de acordar a cada manhã, sabendo que o Pai está me concedendo mais uma oportunidade de renovação.
Quero fazer do meu futuro, o reflexo do que estou sentindo hoje.E não importam as dificuldades e nem as caras feias.Muito menos as tristezas, que terei que enfrentar.Nesse instante eu escolho lutar!
E lutarei em todos os momentos, enfrentarei as adversidades e desfrutarei as conquistas.Esquecerei as coisas artificiais e me envolverei por completo.Para muitos, pode parecer estranho ou confuso,Mas que seja.O que importa é essa alegria, que está no meu coração e brilha nos meus olhos.Não importam as dificuldades que encontrarei, irei agradecer por esse dia, sabendo que muito posso realizar.
Irei levantar a cabeça e confiante, seguirei o me caminho, sem me abater com o sofrimento.
Porque eu escolhi viver...

Mau olhado

Segunda-feira dia de espantar mau olhado!


Não tenho inimigos de plantão. Tenho anjos e mentores que me aparam na solidão.

Regina Vilarinhos

sexta-feira, 22 de junho de 2007

sabedoria


Sabedoria

No meio do caminho da vida
são dadas as pistas
dos segredos que se revelarão
lá na chegada.



regina vilarinhos

Começando a vida de blogueira

Pra começar a vida de blogueira, postando um poema inédito:

Partida

regina vilarinhos

Não derramarei o sangue
Não colocarei sobre ti meu corpo.
Basta da tua palavra.
Não te salvo,
não te prendo,
não te entrego.

Orgulho não é minha virtude.
Criação não é tua verdade.

Fogo e terra se esvaem,
Água e ar se invadem.

O tanto que me enganaste.
O tanto que me feriste
Ficou minha cruz pendurada
ficou a ilusão atada,ficou meu medo, que persiste.