Páginas

segunda-feira, 22 de dezembro de 2008

Pedra

Mesmo que a gente não queira, acaba fazendo as contas de nossa vida com a contas do tempo que passa, do ano que termina, da vida que fica no passado. Pensei que um dia viria as pessoas agirem naturalmente, sem contar os dias nem as noites, sem pensar no que ficou e apostar só no que vem.

Não sabia que um dia enfrentaria quatro anos de uma faculdade, que estaria contando os dias para uma cerimônia de formatura, para terminar uma monografia e outras tantas questões burocráticas que são parte de tudo isso. Hoje é o último dia, mesmo, de cumprir essa burocracia. E estou mesmo contando os dias para a formatura.

Além disso, tenho que ficar contando os minutos com e sem cólica renal, por conta de uma pedra que resolveu se materializar no rim esquerdo. Um instante ela vem, mexe com tudo, dói demais e segundos depois ela passa. Haja buscopan na veia, haja chá, haja paciência! Imagino se Drummond tivesse pedra nos rins (cálculo renal é a forma correta) e ainda por cima fizesse outro poema para ela. Enfim, tive que reconhecer que também fico na ansiedade de fim de ano e que não possuo abstração suficiente para estar fora deste contexto.

Ah, para quem gosta de ficar patrulhando o blog, eu não escrevi um poema sobre isso e nem vou escrever. Prefiro continuar escrevendo sobre o amor! Quem acha que consegue, pode fazer um poema e mandar para mim que eu faço um post.

terça-feira, 16 de dezembro de 2008

Permiti II

Deixei o coração aberto
e perdi a noção do tempo.

regina vilarinhos

"Porque
coração
não
é
cofre
para
guardar
segredo,
é
rio
pra
gente
se
jogar
no mar."(sergio Vaz)

segunda-feira, 1 de dezembro de 2008

Permiti

Deixei o coração aberto
e perdi a noção do tempo.

Esqueci o rádio ligado
e nossa música tocou de novo.

Caí em tentação no seu braço
e começamos tudo outra vez.

quinta-feira, 27 de novembro de 2008

Por que escrevi

Escrevi o texto anterior por conta de observar as críticas que leio sobre poesias e textos literários em blogs de muitos conhecidos de nossa região. E também porque recentemente recebi um email onde se dizia "poetisa? você?!" e também coisas como "medíocre e louca". Portanto, não me cabe uma revolta, mas uma dica: a leitura de meu blog e meus poemas não é obrigatória para ninguém. Respondi ao email dizendo-lhe que escolhesse ler outros blgos e outros poemas, sem a necessidade de passar pelo meu blog.
Já fizeram isso antes, e farão de novo. Se não a mesma, outros se acharão no direito de fazê-lo. E eu tenho o direito de continuar escrevendo, porque é o que acredito.
Os meus 3 leitores (como diz a Giovana) merecem!
Beijos
Regina

A crítica despreparada favorece o debate

Sobre leitura e poesia

Como falar de poesia e arte em meio a balas perdidas e achadas, chuvas, desabamentos, terrorismo e crianças assassinadas?
Como falar da leitura, de educação, quando no nordeste de nosso país livros novos, lacrados, são mandados à reciclagem, muito antes de terem sido tocados? Lembra-nos da queima de livros em Alexandria, ou na Alemanha nazista. Fico imaginando as crianças daquelas escolas, que não se aproximaram daqueles e de outros livros. A reciclagem dos livros aconteceu antes da reciclagem que eles proporcionariam aos alunos, professores e aos diretores. Doeu no peito!

Minha paixão pela leitura surgiu ainda criança, com os livros didáticos. Foi através dos textos empregados para o ensino de português que descobri quem era Carlos Drummond de Andrade, Clarice Lispector, Cora Coralina, Machado, Alencar, e tantos outros. Hoje em dia, guardo livros didáticos de várias séries, que me são entregues para doação, para ainda ler estes mesmos autores e os contemporâneos, como Fabrício Carpinejar e Ana Maria Machado. E fico a viajar com tantas aventuras, desventuras, romances, e, claro, com as poesias. E em seguida compartilho meu prazer de ler.

Todos as manifestações artísticas possuem valor. E realizam uma ligação química no cérebro que daí tira as sensações, absorve-as e leva diretamente ao coração de cada um de nós. O tocar, o sentir, o ouvir, o olhar fazem parte da arte, para que ela possa realmente SER. Escondida, trancada, julgada, queimada, impedida de estabelecer essa ligação com a percepção humana, deixa de existir a arte. A arte é responsável por catalisar anseios de nossa sociedade. A arte poética nos oferece a negativa da dor, nos dá o bálsamo para a alma. A poesia emite um grito coletivo. Quem a ouve, se delicia como um vinho na taça. Quem a declama, faz oração, conecta com o belo e proclama sua arte.

Para que a poesia seja elemento presente, o poeta tem que se fazer presente ao seu tempo. Somos responsáveis (se poeta me chamam) e precisamos escrever, declamar, gravar e expor nossos poemas, em todos os espaços que nos forem oferecidos. Se não nos oferecem o espaço, nós o abrimos seja através de blogs, sites colaborativos, panfletos poéticos, livros cooperativados, produção independente e tantas outras maneiras que temos de divulgar-nos. Sem buscar culpas e saudosismos em épocas passadas, temos um novo conceito de informação hoje que nos favorece a procura e a oferta de todo tipo de arte.

Dessa forma, colocamos o leitor e o editor integrados do que fazemos. Construímos nosso caminho e vamos alimentado-o, uma hora ele poderá nos levar além do que imaginávamos. E não serão as críticas despreparadas que derrubarão o trabalho de quem quer que seja.

A escolha é um direito, a permanência da arte é uma conseqüência das escolhas, não de quem se julga dono da arte.



Regina Vilarinhos
Convoco meus leitores ao debate. Aguardo os comentários.

segunda-feira, 24 de novembro de 2008

Uso inteligente da vírgula

Gente, na boa. Usar vírgula é muito bom. Mas tem gente que acha que é a vírgula é pra ser usada em tudo. O texto fica tão pausado, tão chato...
Então vai aí a dica da ABI.

Campanha inteligente pelo uso correto da vírgula

Vírgula pode ser uma pausa... ou não.
Não, espere.
Não espere.

Ela pode sumir com seu dinheiro.
23,4.
2,34.

Pode ser autoritária.
Aceito, obrigado.
Aceito obrigado.

Pode criar heróis.
Isso só, ele resolve.
Isso só ele resolve.

E vilões.
Esse, juiz, é corrupto.
Esse juiz é corrupto.

Ela pode ser a solução.
Vamos perder, nada foi resolvido.
Vamos perder nada, foi resolvido.

A vírgula muda uma opinião.
Não queremos saber.
Não, queremos saber.

Uma vírgula muda tudo.

ABI: 100 anos lutando para que ninguém mude uma vírgula da sua informação.

Fonte: Campanha dos 100 anos da ABI (Associação Brasileira de Imprensa).
Assista o vídeo de onde foi extraído este texto no site da ABI: www.abi.org.br
Fonte: ABI

segunda-feira, 17 de novembro de 2008

Exposição Feira da Primavera







Durante os dias 14,15 e 16 foi montado o Pavilhão Cultural, na Ilha São João, para a Feira da Primavera. Com o apoio da super Graça Dias, nós colaboramos com a montagem dos espaços para Machado de Assis e Guimarães Rosa, além da exposição dos meus poemas.

Essa exposição itinerante está disponível para escolas, instituições, centros culturais, teatros, museus, lojas, enfim, onde cabe a poesia, ou seja, em todos os lugares. Já foi ao Sider Shopping, ao SESC Barra Mansa, ao UNIFOA, à FERP VR, à Paraty ...

As fotos falam por si.




sexta-feira, 7 de novembro de 2008

Porto poema

quando ele chegar trazendo em seus olhos
meu porto
baixarei as velas na manhã

e no claro dia de minha alma
colocarei meu corpo ao seu lado
sem amarras, sem âncora

pois que nele só poderei chegar
nunca partir.


regina vilarinhos

Poemas e poetas especiais

Nos achados para a monografia de fim de curso, encontrei alguns poemas, todos da década de 80, que é o período que estou registrando. Autores volta-redondenses, cada um com seu estilo próprio, que mostram a diversidade de nossos poetas.

Bernardo Maurício, Durval Cortez, Eliane Lacerda e Silvio da Fonte...

Em breve outros mais.

"Crepúsculo do Poema Utópico

Na surpresa do regresso nulo
Na busca de rostos amigos
No inútil consolo dos homens inconsolados
No choro dos covardes iludidos
Na ilusão enjaulada
Na contaminada procura do poeta
Nos deturpados sonhos da ciência
Nas máscaras das doutrinas
Na ignorância dos deuses forjados
No orgulho dos heróis de barro
Na decepção da criança
E na verdade poluída
Encontrei o tempo
E o infinito do teu corpo:
Nos teus olhos pratiquei meu olhar
Nos teus lábios encurtei meu sorriso
E curvei-me para o amor do minuto gasto."


Bernardo Maurício - no livro "É proibido enterrar os sonhos"


"Rio Paraíba do Sul – in Memoriam

No verde vale brotou
Esta cidade hedionda
Que o rio homenageou
Com sua volta redonda.

Com o chamariz do progresso
Muitos homens pagaram para ver
Vindo de longínquas terras
Para nesta terra morrer.

E com sua obra faraônica
Sucumbiu ao cansaço
Retribuindo para o rio
O vômito do aço.

Adeus traíra e lambari
Adeus dourado e piau
Paraíba só leva no leito
A borra do vil metal."

Durval Cortez - no livro "Persistindo no viver"


"Depoimento de um poeta

Sou acusada de sonhar...
De falar de amor,
De declarar minha solidão,
De insinuar paixões,
De estar sempre presente,
De recriminar!
De admitir e ser...
Sr. Promotor, ouça-me:
Se não amei-desamando,
Sei exatamente como amar-amando.
Se não tenho provas de que vivi,
Experimento, todos os dias,
O prazer de respirar;
Não vivi aventuras,
Mas faço, de todos os momentos,
Um eterno arriscar-arriscando-me...
Sou acusada todos os dias,
E mesmo assim ainda escrevo!
Não me torturem mais...
Nem me coajam...
Eu apenas quero falar do que
Sinto-sentindo!
A sentença foi dada,
Eu me condenei a permanecer
Infinitamente calada-calando-me!!!"


Eliane Lacerda - no livro "Além das Palavras"


"Prisão Perpétua

fruto da terra...
revoltado descendente de utópicas quimeras
e ingênuas realizações...

o que faço
nem sempre é lógico e coerente...
visto que costumo realçar e dar sincera ênfase
às minhas emoções!...

... me sinto
um rico continente...
explorado e a espera de um consciente
redescobridor...

príncipe
nunca encantado!...
afogado de pacíficas fantasias...
e desde os mais inocentes tempos de criança
apaixonado e preso... eternamente preso
nas irresistíveis armadilhas
do próprio amor!..."


Silvio da Fonte - do livro "Eu e o Poeta"

quinta-feira, 23 de outubro de 2008

Salmo da Paz




"Os pés do mundo hoje caminham por estradas de asfalto e violência,
mas o coração dos humildes é mais forte que os tanques.
A paz para os homens não virá de fora
nem se construirá com armas nucleares, nem chegará por acordo de governos.
Ela está presente no coração do Universo.
Chegará como a aurora, para este mundo maltratado.
Chegará das mãos dos simples, dos humildes e pobres desta Terra.
E será anunciada por bocas de crianças, ao som de música de jovens corajosos.

Será como o orvalho, para esta Terra seca!"


Eu não conheço o autor desta música, que nós cantávamos há alguns anos atrás, no Grupo de Jovens que freqüentei no Colégio Macedo Soares. Mas ela sempre foi muito importante para mim e hoje é muitíssimo atual.


a foto é do livejournal

segunda-feira, 20 de outubro de 2008

Dúvidas






Quem ou quê me ilumina
neste caminho tão perto de ser comum?

Por que tenho que procurar em alguma coisa
a culpa do que foi feito?

Por que mais fácil para os outros
do que para mim?

Quando que isso passa?

Será que a palavra que tenho em mãos
vai te salvar?

Será que quando você me ler
vai me salvar deste precipício?

Por que a corda que puxou a comida
não matou a fome de amor?

Por que o medo abriu a janela
e pediu socorro?

E se, ao invés da bomba,
fosse a mão de mãe a abrir a porta?

E se...

quarta-feira, 15 de outubro de 2008

Coisinhas Simples II

Ela sempre gostou de meninos. Meninos que podem ficar sujos e a mãe achar normal, meninos que ficam sentados à frente da TV e ninguém pede pra estender a roupa, apagar o feijão, "atende a campainha!". Ela queria ser menino assim. Ela só queria entender porque ela e não ele. Lucas nem sabia o preço do nescau, porque era ela quem comprava quando acabava. Bendito apartamento no terceiro andar, fresquinho, mas sem elevador.

Manú:
- Só isso, mãe?
- Se eu me lembrar, te ligo no celular.

Na calçada, era a hora de se entregar às idéias mais loucas. Ia direto na padaria, pra sentir mais rápido o cheiro de pão doce com côco. As bandejas de pães estão tão à vontade que parece que tudo é de graça. Ah, nada como roubar um sonhozinho. Só de vez em quando. A última vez que fez isso, sorriu sorrateiramente para seu irmão, que resolvera ir junto por causa de uma revista de surf pra comprar no Léo. Ele dava de ombros. Quando chegava na banca, deixava-o à solta com as revistas e ficava vendo a rua com suas gentes esquisitas. Os carros, os loucos que dirigem carros.

A sua Kombi estava bem diante de seus olhos, como ontem. Só não entendia aquele cara com o jornal na cara, parado na porta do outro prédio. Será que a Kombi é dele? Vai vender? Era exatamente o que ela e as amigas estavam querendo, vermelha e branca, 74, com aquele farolzão.

Pensou em perguntar ao Léo de quem era, mas o Lucas, mais uma vez puxando o boné (ela adorava se esconder nele), e querendo que ela entendesse que o skate é sua alternativa para o surf.

- Ainda vamos ter uma casa na praia e, até lá, eu saberei tudo sobre ondas. Já imaginou, Manú? Seu brother na prancha e você pegando geral na areia?
- Qual seu “brema”? Que areia, que onda? Vai pra casa, leva seu nescau. A mãe tem que ir pro trabalho e já tô voltando.
- Ih, pirou... você ficou colada nessa Kombi, hein? Fui!

Ele via a cena, saia de seu posto de todos os dias e entrava na sapataria pra disfarçar. Ela chegava perto da Kombi, olhava pelo vidro do motorista, na janela de trás, voltava, se abaixava... Pegava o celular, fotografava. Ele queria saber o que ela queria com um carro velho daqueles. Deve ser do jornaleiro e ela fica falando com ele sobre isso.

Lá vai Manú, entrando de volta no prédio, com o fone no ouvido. Ele volta para a calçada. Léo vê tudo.

quinta-feira, 9 de outubro de 2008

Coisinhas simples

Praticamente todos os dias ele esperava na porta do prédio. Quatro horas, passava na banca e pedia o "Extra". O Léo já deixava guardado pra ele. Atravessava a rua, parava do outro lado pra vigiar.

Só queria ver os dois saindo, mochila nas costas. O fone no ouvido deixava Manú distraída, o skate e o boné a faziam ficar cada vez mais parecida com Lucas. Ele puxava o boné de volta e a revelava, com seus cabelões castanhos.

Ele nem queria chegar perto. Tá certo que Belém é longe, sair do Galeão pra pegar a Linha Vermelha é um saco, subir a Serra pior ainda. Mas esperar 6 anos para tomar uma atitude é muito. Depois de ver os olhos negros de Manú nas fotos, é que tomou coragem de vir. Queria saber como era sua voz, como o Lucas batia a porta do carro, como era acordar e pegá-lo roubando a geladeira.

Sem chance. Enquanto durassem suas férias era só isso que iria fazer. E sentia-se feliz de vê-los assim.


regina vilarinhos

terça-feira, 7 de outubro de 2008

Separados

Era muito fácil perceber que o vinho de ontem ia ter gosto de adeus.
Eu é que quis que a taça derramasse em você. Pode brigar, eu sei que faço esse jogo mesmo. Sou, ou tento ser, aquela que planeja tudo. Você chega e finje não perceber nada. Você está cansado disso, eu sei. Eu também. Porque todas as manhãs que me deixei acordar ao seu lado precisavam ser pefeitas? A paisagem lá fora, o vento entrando de mansinho, o cheiro de erva-doce, o gosto de lábios, tudo tinha que estar no lugar certo. Mas, aí, vem o lençol e marca a minha pele, o meu cabelo fica do lado errado, minha irmã liga cedo demais e você se lembra da promessa de levar seu pai à missa.
Não teremos mais domingos...
Pode pegar seu livro do Carpinejar, "Canalha!", combina bem com você. Não vai ter mais nada mesmo na estante para você vir buscar. Só agora entendi porque me pedia uma "bolsinha de mercado, amor!" todas as vezes que voltava pra sua casa.
Os dias em Penedo vão virar digitais numa pasta qualquer no computador. Enquanto não me der vontade de deletar. Já mudei a senha no blog, não tem como você continuar postando como se fosse eu.

Minha vingança será ver você tomando café no bar, segunda-feira, correndo para abrir o ponto, com a gola da camisa amassada.

regina vilarinhos

segunda-feira, 6 de outubro de 2008

Vanguarda carioca?

Notícia no Caderno Mais, da Folha ontem, e no Globo online de hoje, nos conta de um professor de Literatura que foi demitido no Rio de Janeiro. O professor OSWALDO MARTINS TEIXEIRA, segundo notícia do Caderno Mais! da Folha, lecionava literatura para alunos da 7ª e 8ª série da escola da Zona Sul do Rio de Janeiro, a Escola Parque, e foi demitido à pedido de alguns pais que acharam inconveniente um professor de seus filhos ser poeta, gostar de escrever, e por ventura, escrever poemas eróticos.

Perfeitamente "atualizada" e vanguardista, a Direção da Escola primeiro sugeriu ao mestre que se demitisse e, como ele não o fez, acabou por demití-lo.
Então, é assim: você é professor(a) e não pode criar?

Os poemas, que foram "colhidos" pelos alunos na internet, e os próprios enviaram uns para os outros, não foram utilizados em sala de aula.
Creio que assim, os professores de arte da mesma instituição não poderão mostrar Di Cavalcanti, Michelângelo, Picasso, e os professores de Português e Literatura não podem levar textos de Drummond, Machado de Assis, Shakespeare, Florbela Espanca, e quantos mais por aí a fora, pois todos têm conteúdos eróticos. Ah, tem mais: esses pais devem manter a televisão desligada e não permitir que seus filhos ouçam as rádios, comprem CD´s. Já imaginou se eles deixassem de assistir as novelas TODAS?

Admiro-me da iniciativa ter surgido da classe alta do Rio de Janeiro, a cidade mais vanguardista do Brasil, onde se produz arte, muita arte, de onde saem profissionais premiados em todos os setores, onde a elite acadêmica da Literatura Nacional reside. Não sei quantos, mas alguns outros pais já se manifestaram solidários ao professor. Talvez as aulas de Literatura devam ser ampliadas por aquela escola e estendida aos que pediram sua demissão.



regina vilarinhos

terça-feira, 30 de setembro de 2008

Objeto de desejo hoje!




Resenha no site da livraria da Travessa

RESENHA
No Ano Nacional Machado de Assis, a Pinakotheke presenteia os leitores com uma homenagem a um de nossos mais importantes escritores. Machado de Assis: o Rio de Janeiro de seus personagens apresenta um roteiro carioca com passagens dos personagens machadianos por ruas, praças, praias e outros cenários da cidade onde o Bruxo do Cosme Velho passou a vida inteira. O livro será lançado dia 23 de maio, às 15 horas, no X Salão do Livro para Crianças e Jovens, no Museu de Arte Moderna. Na ocasião, o organizador do trabalho, Henrique Rodrigues, fará leitura da obra e conversará com leitores.

Machado de Assis: o Rio de Janeiro e seus personagens seleciona selecionados trechos de livros em que as paisagem urbana aparece com destaque. Essas passagens são ilustradas com pinturas dos mais respeitados artistas brasileiros e viajantes do período, como Rosalbino Santoro, Gustavo Dall'Ara, Nicolao Antonio Facchinetti, Nicolas-Antoine Taunay, Giovanni Battista Castagneto, Johann George Grimm e Karl Wilhelm Von Theremin.

O livro é voltado para o público jovem e serve como introdução àqueles que começam a ler a obra machadiana, com a vantagem de visualizar a cidade que, DE tão recorrente, foi também uma espécie de personagem do escritor.

DADOS DO PRODUTO


TÍTULO: MACHADO DE ASSIS: O RIO DE JANEIRO DE SEUS PERSONAGENS
ISBN: 9788571910546
IDIOMA: Português.
ENCADERNAÇÃO: Brochura | Formato: 14 x 21 | 40 págs.
ANO EDIÇÃO: 2008
ORGANIZADOR: Henrique Rodrigues


Oba! Tô indo comprar! Já já!

mais


essa foto é da FLIP 2008, o cara aí fez um super sucesso e teve gente querando tirá-lo da praça, pode?

José Saramago

Hoje descobri o blog do escritor em http://caderno.josesaramago.org.

Também hoje devo assistir o filme "O ensaio sobre a cegueira". O livro é ótimo, um dos melhores que já li. Sei que ele virá fazer o lançamento mundial de seu novo livro na ABL, em novembro.
Espero estar lá. Quem quiser me acompanhar é só entrar em contato.

sexta-feira, 26 de setembro de 2008

O que jornalistas e médicos têm em comum?


Oscar Nora e eu no Primeiro Prêmio ACIAP-VR de Jornalismo Valéria Galvão

O tempo é a minha matéria, o tempo presente, os homens presentes. A vida presente.”
Carlos Drummond de Andrade


Dizem que é chique ser jornalista. Dizem que jornalista é super-homem, boêmio, poeta idealista, um cara intelectual. Alguém aí se lembrou do Rastero?

Eu penso que ser jornalista é como ser médico: ouvir, cuidar, prescrever, testemunhar, radiografar, confirmar, negar, atender... Ele trata da vida.
O jornal é efêmero, não o jornalista!

É por formação, não por nascimento. Ou você acha que é todo dia que nasce um Oscar Nora? Não é uma vontade que dá e passa! Cresce de dentro pra fora. Sem pedir licença.

Quando você vê, já é jornalista. Pesquisa detalhes, chega lá na hora certinha da coisa. Helton Fraga sabe do que estou falando.

E transforma o transitório em vida. Revira baús, vasculha gavetas, desenha mapas, revela fotografias. Até jogador de futebol jornalista vira, pois tem que jogar nas onze.
Quando é jornal do interior então? Vende anúncio, tira foto, faz composição, revisa, corrige, responde email, usa pseudônimo, faz de tudo para a matéria estar na página ok. Lá vem a memória puxar outro nome: Ricardo Monstro!

Tem mais: jornalista é de centro, na melhor definição dada por Gandhi ao caminho do meio.
O bom ou ruim, o feio ou bonito, o novo ou velho, a oposição é do fato, não é dele. O leitor decide o que pensar, mas é o jornalista quem lhe dá todos os dados para esta decisão.
Então, vira um conto, uma novela, que se desvenda todos os dias aos olhos do leitor.
Podem virar crônicas nas mãos de Givana Damasceno. Roteiro e direção feitos pelo jornalista.

Premiar esse olhar é reconhecer o seu papel como agente da transformação e divulgador da verdadeira imagem de nossos dias.

Este texto eu apresentei na entrega do Primeiro Prêmio ACIAP-VR de jornalismo, no dia 23/09/2008, e pude fazer minha reverência à diversos nomes de nossa região que sempre me fizeram crer na profissão.




Abraços a todos que estiveram por lá.

Nova leitura

"Não há como afogar mágoas que aprenderam a nadar."

Rodrigo Levino - "Luz negra", do livro "Aos Pedaços".

Este livro está no site http://www.overmundo.com.br/banco/aos-pedacos, pode baixar que é livre.

É a leitura para o fim de semana de chuva, para as noites de mormaço, para o dias claros de poesia.
Sei que vão gostar.

quarta-feira, 24 de setembro de 2008

Essência




Nenhuma câmara é capaz
de captar nossa essência.
Somente com os olhos d´alma
é que conseguimos vê-la.

regina vilarinhos

Prêmio Jabuti

Ontem saiu a lista dos vencedores do Prêmio Jabuti, dado pela Câmara Brasileira do Livro, em diversas categorias. Na categoria poesia, o prêmio foi para:

1º lugar - "O outro lado", de Ivan Junqueira
2º lugar - "O xadrez e as palavras", de Marcus Vinicius Teixeira Quiroga Pereira
3º lugar - "Tarde", de Paulo Fernando Henriques Britto


Segue aí um poema e a foto do Prof. Marcus Quiroga, junto com a Vera, quando me visitaram na Exposição Poesia em Volta, na OFF FLIP 2008. Meu abraço para ele e parabéns!






LIÇÃO DE BOTÂNICA
Marcus Quiroga

havia em um poema a precisão das avencas
mas o vento moveu-as através do tempo
mantendo-as sempre dentro de ambiente úmido

e elas, únicas em sua delicadeza,
foram plurais, apesar das formas, e as mesmas
permanecerem uma só, em horas múltiplas

que os olhos tontos de botânica e lições
como se pelo aroma dos chás e das sombras
não distinguissem, quando noite, as avencas

havia em um poema a precisão da dúvida:
com que palavras ou húmues ele se aduba?
o que cultiva com seu pólen, o que pensa?


do livro "Campo de trigo maduro" - 2006

quinta-feira, 18 de setembro de 2008

Amores eternos!




E continua a inspiração de amores eternos...
Pai e Mãe, "ouro de mina"!

A imagem melhorou



olha aí, a imagem mais clarinha, ficou melhor!
aí, j.o., eu sei muito bem como fazer essas coisas!

Olha só que lindo!



Recebi isso de uma amiga por email, que ela recebeu no orkut dela.

Olha só que linda homenagem fizeram para mim e minha amiga Jussara! Não é que ficou maneira? Não sei de quem foi a criatividade, mas eu e Jussara agradecemos muito mesmo! Ficou quase perfeita, a foto tá meio escura podia clarear um pouquinho. Mas valeu demais.

Eu e a Jú temos muito trabalho pela frente, Graças a Deus, e não temos tempo de fazer um trabalhinho desses.

Para quem fez, muito obrigada mesmo, de coração! E para quem está distribuindo na net, muito obrigada por fazer propaganda gratuita para nós.
Abraços a todos! Carpe Diem!
Como dizia o Ibrain Sued: "os cães ladram e a caravana passa!"

A inveja é f....

Hihihi!

quarta-feira, 17 de setembro de 2008

Assim como você



Assim como você é um blog muito legal, de um jornalista da Folha o Jairo Marques, que é "malacabado", como ele mesmo diz! Um super papo, inteligentem, e bem humorado, com tantas e tantas notícias sobre um outro modo de ver a vida. A gente se sente bem, dá pra fazer uma interação e trazer pro nosso dia-a-dia as mega dicas que ele dá. Hoje tem uma homenagem aos atletas paraolímpicos que é pura Poesia.
Acessem e comentem que ele gosta muito!

http://assimcomovoce.folha.blog.uol.com.br/

quarta-feira, 10 de setembro de 2008

De vez em quando





Ser feliz é ler o coração, antes que a vida vá embora.

regina vilarinhos


Nenhuma câmara é capaz de captar nossa essência. Somente os olhos da alma é que podem vê-la!


regina vilarinhos

segunda-feira, 8 de setembro de 2008

Amar dói amar




Do poeta Sérgio Vaz . www.colecionadordepedras.blogspot.com

Cansei de amar
Quero ser amado.
Não quero estar no mapa
Quero ser encontrado.


Se o coração está seco
De nada adianta beijo molhado.
Grande coisa um belo olhar
Se você não é notado.


Amar é sofrer
Ser amado... nem dói.


Que chorem pelos cantos
Como já chorei!
Ou se quiserem que façam promessas
aos santos, ao papa, ao pastor,
e até a Deus se quiserem, que eu nem ligo
- amar já não me interessa.


Olhei demais pela janela
Agora só quero só olhar para o meu umbigo.


Também não quero amor de mentirinha
Quero que amem de verdade
Assim como Romeu amou Julieta,
De tomar veneno e tudo.
mas já vou logo avisando:
veneno eu não tomo. Só cerveja.


Pois é, acordei com preguiça de amar
E disposição para ser amado.


Se alguém quiser, bem. Senão, bem também.


Quem me amar, que não me mande bilhetes,
Quero cartas de amor chorosas
Cheirando perfumes indecentes.


Bom, já disse, amar não amo mais.
Nem percam tempo comigo
Que é andar para trás.


Quem me quiser
Tem que saber dar de comer, pois:
Quero estrelas no café
Bolinhos de fogo no almoço
E seios fartos no jantar.


Não vou levar ninguém no colo.
O máximo que posso fazer
É dar saliva na boquinha,
Pentear sobrancelhas e fazer cosquinhas na virilha.
De resto, ficar esperando pelo gozo
Sem ter trabalhado.

Sempre amei, nunca fui amado
Ser amado é melhor que amar? Não sei.
Mas foi assim que me disse um poeta abandonado.

é, tem dias que a gente se sente assim mesmo...

sexta-feira, 5 de setembro de 2008

Olhos cheios d´água

Esse jeito da gente olhar para o outro e querer que se enxergue as palavras.
E eu queria um dia dizer para todos palavras tão simples,
que não precisassem ser apagadas e reescritas,
pois todas as partes que me conhecem,
todas as partes que me prendem,
em cada um dos meus amigos,
são feitas de simplicidade.
De qualquer lugar onde pudessem me ver e ouvir,
saberiam que elas me anunciavam.
Meu primeiro ai, saindo da dor que não explico,
sobre a vontade que tenho de cuidar de cada um de meus amores.
Todo os meus "até logo" precisavam ser "não se vá".
Nenhum deles nunca couberam dentro de minha mão,
mas sempre estiveram lá.
Nem sempre me deram razão, mas sempre me acharam razoável.
De tudo o que soubesse dizer, nada poderia sair por completo antes de minha boca completar a fala.
O prato que servi, a comida que fiz, não tem sabor de ver que guardo nos meus olhos.
Ver foto de Elvis, ouvir mpb, assistir um filme de amor,
pensar nas melhores amigas, dormir com a filha,
tomar chopp, sorvete,
sentir o vento no rosto, fazer o café,
viajar em boa companhia
e lembrar de não esquecer a chuva no telhado,
me fazendo crer que estou em Passa Quatro.
Se fosse só saudade seria fácil explicar,
mas nem de amor é bom falar,
porque fica perdida a metafísica do jeito
mais que de ser poeta, mas de querer ser perfeito.

regina vilarinhos

acho que já publiquei esse poema antes, mas quero repetí-lo.

"pensar nas melhores amigas", porque hoje a Giovana me fez entender que ela entrou nesse pensamento há muito tempo e eu nem tinha me dado conta.

Eu costumo dizer que poema bom de ler, com música boa de ouvir e vinho bom de beber... e vida boa de viver!

é isso!

Gabriela cravo e canela




Trecho do Romance "Gabriela, cravo e canela", de Jorge Amado

segunda-feira, 1 de setembro de 2008

Eu sei

No dia em que os sonhos
deixarem meus versos,
e a minha poesia não te levar mais
para a sua ilha deserta,
avise-me que eu congelarei
os dedos.


regina vilarinhos

quinta-feira, 28 de agosto de 2008

Sobre muitos, sobre um

Sobre muitos, sobre um

Um qualquer,
num qual que nada,
nunca teu hoje e ontem
embora em meio e no fim.

Se lá suas outras, depois de tudo, ainda por ele.
Para tanto, o cujo que no todo ou parte,
já sempre assim, pouco.
Apenas tampouco.

Como? Aquele? Aquilo?
Nada um!
Aqui, algum.
Até uma vez mais...
mas ausente enquanto
da gente, dos outros e daqueles.
Pra quem tudo sempre.

Assim, através sem além.
Ela agora do tempo jamais.
Até, ao longo.
Já é amanhã.

regina vilarinhos

terça-feira, 26 de agosto de 2008

Poema de Affonso Romano de Sant´ana

Os homens amam a guerra
Affonso Romano de Sant´ana


Os homens amam a guerra. Por isso
se armam festivos em coro e cores
para o dúbio esporte da morte.

Amam e não disfarçam.
Alardeiam esse amor nas praças,
criam manuais e escolas,
alçando bandeiras e recolhendo caixões,
entoando slogans e sepultando canções.

Os homens amam a guerra. Mas não a amam
só com a coragem do atleta
e a empáfia militar, mas com a piedosa
voz do sacerdote, que antes do combate
serve a hóstia da morte.

Foi assim na Criméia e Tróia,
na Eritréia e Angola,
na Mongólia e Argélia,
no Saara e agora.

Os homens amam a guerra
E mal suportam a paz.

Os homens amam a guerra,
portanto,
não há perigo de paz.

Os homens amam a guerra, profana
ou santa, tanto faz.

Os homens têm a guerra como amante,
embora esposem a paz.

E que arroubos, meu Deus! nesse encontro voraz!
que prazeres! que uivos! que ais!
que sublimes perversões urdidas
na mortalha dos lençóis, lambuzando
a cama ou campo de batalha.

Durante séculos pensei
que a guerra fosse o desvio
e a paz a rota. Enganei-me. São paralelas
margens de um mesmo rio, a mão e a luva,
o pé e a bota. Mais que gêmeas
são xifópagas, par e ímpar, sorte e azar
são o ouroboro- cobra circular
eternamente a nos devorar.

A guerra não é um entreato.
É parte do espetáculo. E não é tragédia apenas
é comédia, real ou popular,
é algo melhor que circo:
-é onde o alegre trapezista
vestido de kamikase
salta sem rede e suporte,
quebram-se todos os pratos
e o contorcionista se parte
no kamasutra da morte.

A guerra não é o avesso da paz.
É seu berço e seio complementar.
E o horror não é o inverso do belo
-é seu par. Os homens amam o belo
mas gostam do horror na arte. O horror
não é escuro, é a contraparte da luz.
Lúcifer é Lubel, brilha como Gabriel
e o terror seduz.
Nada mais sedutor
que Cristo morto na cruz.

Portanto, a guerra não é só missa
que oficia o padre, ciência
que alucina o sábio, esporte
que fascina o forte. A guerra é arte.
E com o ardor dos vanguardistas
frequentamos a bienal do horror
e inauguramos a Bauhaus da morte.

Por isso, em cima da carniça não há urubu,
chacais, abutres, hienas.
Há lindas garças de alumínio, serenas,
num eletrônico balé.

Talvez fosse a dança da morte, patética.
Não é . É apenas outra lição de estética.
Daí que os soldados modernos
são como médico e engenheiro
e nenhum ministro da guerra
usa roupa de açougueiro.

Guerra é guerra!
dizia o invasor violento
violentando a freira no convento
Guerra é guerra!
dizia a estátua do almirante
com a boca de cimento.
Guerra é guerra!
dizemos no radar
desgustando o inimigo
ao norte do paladar.

Não é preciso disfarçar
o amor à guerra, com história de amor à pátria
e defesa do lar. Amamos a guerra
e a paz, em bigamia exemplar.
Eu, poeta moderno ou o eterno Baudelaire
eu e você, hypocrite lecteur,
mon semblable, mon frère.
Queremos a batalha, aviões em chamas
navios afundando, o espetacular confronto.

De manhã abrimos vísceras de peixes
com a ponta das baionetas
e ao som da culinária trombeta
enfiamos adagas em nossos porcos
e requintamos de medalha
-os mortos sobre a mesa.

Se possível, a carne limpa, sem sangue.
Que o míssil silente lançado à distância
não respingue em nossa roupa.
Mas se for preciso um banho de sangue
-como dizia Terêncio:-sou humano
e nada do que é humano me é estranho.

A morte e a guerra
não mais me pegam ao acaso.
Inscrevo sua dupla efígie na pedra
como se o dado de minha sorte
já não rolasse ao azar,
como se passasse do branco
ao preto e ao branco retornasse
sem nunca me sombrear.
Que venha a guerra! Cruel. Total.
O atômico clarim e a gênese do fim.
Cauto, como convém aos sábios,
primeiro bradarei contra esse fato.
Mas, voraz como convém à espécie,
ao ver que invadem meus quintais,
das folhas da bananeira inventarei
a ideológica bandeira e explodirei
o corpo do inimigo antes que ataque.
E se ele não atirar primeiro, aproveito
seu descuido de homem fraco, invado sua casa
realizando minha fome milenar de canibal
rugindo sob a máscara de homem.

-Terrível é o teu discurso, poeta!
Escuto alguém falar.
Terrível o foi elaborar.
Agora me sinto livre.
A morte e a guerra
já não podem me alarmar.
Como Édipo perplexo
decifrei-a em minhas vísceras
antes que a dúbia esfinge
pudesse me devorar.

Nem cínico nem triste. Animal
humano, vou em marcha, danças, preces
para o grande carnaval.
Soldado, penitente, poeta
-a paz e a guerra, a vida e a morte
me aguardam
- num atômico funeral.

-Acabará a espécie humana sobre a Terra?
Não. Hão de sobrar um novo Adão e Eva
a refazer o amor, e dois irmão:
-Caim e Abel
-a reinventar a guerra.


Bem atual em face às Olimpíadas e a Guerra da Geórgia

quarta-feira, 20 de agosto de 2008

O que eu desejo para você, sempre!

Que em todos os dias de sua vida, Deus te mostre o desabrochar de muitas flores, o canto de muitos pássaros e a renovação de muitas vidas dentro de você!
Desperte com a primeira impressão de vida que te cercar, encha de luz o teu quarto e sala do coração, cante junto com o galo que vês da janela de tua existência.
Faça um incêndio para dissipar as nuvens que quiserem se juntar n´alma. Junte a saudade que sentes dos dias passados, dos anos não possuídos, e abrigue-a dentro de vidros coloridos, para usá-la em momentos reservados.
Possua a poesia do sol, do vento, da chuva, do frio, do sorriso, da lágrima, do forte e do fraco. Ela se torna tua propriedade particular para que distribuas de acordo com a música de teu coração.
Para o mal que teima em arranhar teus sonhos e verdades, use tua voz em alto e bom som e grite: Nunca mais!
Lembre-se que és uma gota no oceano infinito, e que nele navegam seus amigos e amigas de batalha.

Regina Vilarinhos


Visitem o Cooperifa - http://www.colecionadordepedras.blogspot.com/

Cartaz Poético

quinta-feira, 14 de agosto de 2008

O Barão de ITararé disse...

"O homem que se vende recebe sempre mais do que vale.
.
Quem foi mordido de cobra até de minhoca tem medo.
.
Sabendo levá-la, a vida é bem melhor do que a morte.
.
As crianças atingem aos sete anos a idade da razão. Depois disso, começam a praticar toda espécie de loucura, até o juízo final.
.
É mais fácil sustentar dez filhos do que um vício.
.
Diplomata é um homem inteligente que consegue convencer a senhora que, com um casaco de pele, pareceria muito mais gorda.

A esperança é o pão sem manteiga dos desgraçados.
.
Queres conhecer o Inácio, coloca-o num palácio.
.
O mal alheio pesa como um cabelo.

El vivo vive del sonzo y el sonzo, de su trabajo.
.
Há Cadilacs de oitenta cavalos, sem contar com o proprietário.
.
Aquele senhor era tão tímido que até tinha vergonha de proceder honestamente.
.
Desgraça de jacaré são essas bolsas de couro.
.
A primeira ação de despejo de que se tem memória foi a expulsão de Adão e Eva do Paraíso, fundamentada na falta de pagamentos de aluguel e comportamento irregular.
.
Esporte é tudo aquilo que fazemos para deixar de fazer justamente aquilo que deveríamos fazer.
.
Os homens são sempre sinceros. O que acontece, porém, é que às vezes trocam de sinceridade.
.
Quem é mais porco? O porco ou o homem que come o porco?
.
O médico militar é um doutor que examina rigorosamente o soldado para ver se ele está em perfeito estado de saúde para ir morrer no “front”.
.
Adolescência é a idade em que o garoto se recusa a acreditar que um dia ficará cacete como o pai.
.

Máximas e mínimas do Barão de Itararé
Barão de Itararé
Seleção e organização de Afonso Félix de Sousa
Editora Record – 2ª edição, 1986"


Achei isto hoje e achei muito legal....

quarta-feira, 6 de agosto de 2008

Marginal

Os pobres do mundo esperam chegar ao outro lado do rio.
A margem de cá é o desalento.
Uma parca esperança de crescimento,
a vislumbrar a saída.

Toda a pressa do mundo é incapaz
de tirar toda a miséria do mundo.

Senti a fome na poesia.
Não alimentei a tua luta,
nem com o banquete de palavras.

O meu barco não chega à tua margem,
nesse rio de leito largo.

terça-feira, 5 de agosto de 2008

A chave e a senha

Enquanto fico aqui à beira de um poema
passa um mar à minha volta
ouço Baco e letras me provocando
vou colocar no poema tudo o que sinto
deixar as palavras de lado
elas sobem e descem
enjoam meu estômago
de novo na areia o silêncio dói
barcos pássaros redes faróis
garganta sal e sol
guardo dentro dos sonhos meu brinde
jogo para o mar meu corpo
diga ele o que quiser
guardarei o poema
a chave a senha e eu mesma
dentro da garrafa que envio ao horizonte.

regina vilarinhos

De portas abertas para a poesia

De portas abertas para a poesia

‘A Chave e a Senha’, de Regina Vilarinhos, reúne poemas sinceros
e cativantes de uma maneira simples; nem por isso, clichês


Cláudio Alcântara

Certa vez uma de minhas entrevistadas me disse: “Gosto quando você escreve as matérias sobre meus trabalhos, seu texto é jornalístico mas há poesia também no que você escreve”. Não tenho essa pretensão, apenas escrevo o que salta de dentro de mim. Não há como segurar. Simplesmente, e naturalmente, as palavras vão ganhando forma. Outro dia também, uma colega de profissão perguntou se eu “nunca tenho ‘branco’ na hora de começar a escrever uma matéria”, o que de vez em quando acontece com ela. Sinceramente, não. E, talvez, um dos motivos seja o fato de que cresci lendo poemas. A poesia me conquistou cedo e nos tornamos amigos logo de cara. Jornalismo nada tem a ver com poesia, eu sei disso. Mas se é que consigo, de alguma forma, tornar meus textos um tantinho diferentes, devo isso aos poetas. A todos eles.

••••••

Poetas como a gaúcha criada em Volta Redonda, que me presenteou com um de seus “livrinhos”: “A Chave e a Senha - Porção de Poesias de Regina Vilarinhos”. E na dedicatória escreveu assim: “Poesia é abraço na alma!”. Bonito isso.

••••••

Gosto de gostar de poemas dos mais variados. E, às vezes, gosto igualmente de poetas que por um motivo ou outro deixaram de se gostar. Também cultivo o gosto de admirar, e valorizar (e também criticar, quando não gosto), os talentos locais.

••••••

Já entrevistei Fernanda Montenegro e Irene Ravache. Da mesma forma, Claudia Leite e Rita Lee. Profissionalmente, também Martha Rocha e Ed Motta... Assim como os nossos Paulo Rangel e Joca Ottoni. Rodrigo Hallvys e Elisa Carvalho. E tantos e tantos outros. O que quero dizer com isso? Que a vida é como poesia: existem variáveis, mas a essência é a mesma.

••••••

É a essência de Regina que consegui tocar ao ler “A Chave e a Senha”. Ela abre o livreto com verdade banhada em singeleza: “Quando você quebrar seu gelo interior, refresque quem está à sua volta. Poesia, por exemplo”. E é de poesia que me alimentei durante os minutos em que escancarei minhas portas para o que a poetisa tinha a dividir. Em “Pedido”, por exemplo, eu me vi apaixonado. “Fica comigo / Cuidarei das orquídeas, das rosas e do jasmim, / enfeitando o centro do teu peito”.

••••••

Os poemas de Regina têm o dom de nos mostrar aquilo que somos. E de nos entender melhor. São sinceros, como sinceros são os olhares infantis. E cativantes de uma maneira simples. Ela escreveu em “Ausência”: “Estou fraca de mim / busco o meu nos outros. / Perdi o jeito de versos, / ganhei um jeito de blues”.

••••••

Com a poesia aprendi que não, necessariamente, preciso ter a mesma maneira de gostar das outras pessoas. Aquilo que não me toca como arte pode muito bem representar o ideal de Regina, de Luciene Martes, de Picasso, de Neruda... “Quando escolho ter asas, é para poder viajar mais alto e longe, e sentir que posso ter o vento como companhia. O mar visto de cima me emociona”, é o que ela tem a dizer em “Quando Escolho Ter Asas”. Uma escolha difícil, mas necessária.

••••••

Terminado o livro de Regina, eu me senti como um de seus poemas, o “Poeminha de Outono”, que diz assim: “Eu me sinto poeta marrom, / Meus versos caindo de mim como folhas secas. / Em cada pedaço de rima, / Uma infinidade de mim se espalhando no papel. / Beijos feridos que queriam tocar teus lábios / E te encontravam cinza. / Qual a cor que você pode me dar hoje? / Fosse amarelo para minhas cantigas de desejo / Ou vermelho para meus sonetos de amor”.

••••••

Ela tem a chave para quem está trancado por dentro. É só querer abrir."


Coluna publicada na página 4, no caderno "Lazer e & cia", do jornal Diario do Vale, de 05/08/2008.

terça-feira, 29 de julho de 2008

Dá um tchauzinho! o dia em que o Cristo sumiu?

- Mãe! Corre, mãe! Vem ver! Mãe! Mãe!

- Pára com isso, menino! Pára! Desse jeito acorda teu pai e tu já viu como ele fica, né??

- Anda, mãe! Aqui na janela do meu quarto. O Cristo ... ele sumiu!!

- Que Cristo?! Tô indo!

Mal pude acreditar! Meus olhos doeram na claridade, baixei o rosto, levantei e olhei de novo: o Cristo tinha mesmo sumido! Olhei para todos os lados, pra praia, pro calçadão. Nada, a rua estava deserta, só eu e o Mateus vendo aquilo. Quer dizer, não vendo.

- Credo! Que é isso! Mateus, chama teu pai! Agora! Corre! Eu vou ficar aqui vigiando.

Nem parei pra pensar no que falava. Só sentia que tinha que vigiar.

- Cacete! Quantas vezes vou te pedir pra não me acordar cedo na segunda?! Que porra é essa de Cristo que sumiu? Tá doidona, já fumou um e nem me esperou?

- Cala a boca, Otávio, num tá vendo o Mateus aí, pára de falar essas coisas perto dele. Que diferença faz pra você se é segunda ou sábado? Tu num acorda cedo nunca! Vem aqui e eu te mostro.

- Puta que pariu! Cadê o cara? Neguinho já rouba até a estátua do Cristo? E agora? Como que a cidade fica? Quem vai abençoar? Nossa Senhora da Penha? Já ligou pro bombeiro, pra polícia...

Enquanto Otávio falava sem parar, o Mateus tratou de pegar a digital e fotografar feito um doido. Oito da manhã. Não tinha neblina, não tinha chuva, não tinha fumaça nenhuma, nada de explosão.. e nada do Cristo Redentor. Não era culpa do Peréio.

- Otávio, vamos descer! Não liga pra ninguém. Anda, pega a chave do carro, Mateus ponha uma blusa! Boca fechada! Talvez o prédio todo esteja dormindo, nós vamos ser os primeiros...

- Tá maluca, Lúcia? Vamos ser os primeiros a quê?

- A descobrir onde ele está, se é que está em algum lugar... Anda, deixa de perguntas, no caminho eu explico. Ah! Esse elevador sempre lento...

Dentro do carro, comecei a explicar, subindo as Paineiras:
- Essa hora, ninguém tem vontade de subir o Cristo. Aliás, alguma coisa muito esquisita tá acontecendo, nenhum carro na rua, nem o guarda na entrada das Paineiras.

- Ô Lúcia, pára de falar da rua e vamos à estátua.

- Vamos até lá com o Mateus e ele fotografa mais de perto. Aí, nós saímos e vamos pro jornal pra vender as fotos. Este será nosso passaporte para sairmos do SPC direto para as compras de novo.

Desci do carro correndo. Mal olhava para os lados. Não havia ninguém, somente nós três. Mateus vinha ao meu lado e parou de repente.

- Anda, menino, parou por quê??

- Olha mãe! – ele estava imóvel e branco igual à blusa que vestia.

Quando olhei para frente, também congelei. Caramba! Era o Cristo, de cara pra mim, sentadinho nas escadas. Não consegui dar nem mais um passo, emudeci.

- Só vieram vocês?? – Falou e baixou o rosto entre as mãos. Parecia cansado. Pudera, 78 anos de braços abertos ... Puxei conversa, meio gaguejando:

- Es... estava esperando alguém?

- Todos os dias eu espero. Desde que começou esta história de me explodir, eu passo a madrugada desse jeito: sentado aqui, escondido desse tal Peréio, e espero a manhã chegar, volto pro meu lugarzinho de sempre, antes dos turistas. Assim, ele não terá coragem de me explodir.

- Mas como? Já tentaram? Não era só uma idéia de um doidão, querendo mídia?

Mateus sentou-se no chão e parecia não acreditar no diálogo que presenciava. Na verdade, nem eu. Mas continuei assim mesmo: - Ninguém vai fazer isso...

- Mesmo assim, você acha que eu vou me arriscar? Os caras não explodiram lá no Afeganistão?? Por que seria diferente aqui? Olha: sol quente, chuva, vento gelado, bala perdida, reforma, escalada coletiva, tudo isso inda vai... Mas ir pelos ares é que eu não quero!

- Entendo. E a polícia? Por que não fazem ronda?

- Dona, se fizerem ronda aqui, vai nevar no Rio de Janeiro. Alguém já tinha pensando nisso antes? Eles acham isso impossível! Eu, tenho certeza, e não tenho seguro nem família...

Deu um suspiro, olhou em volta:
- Só esta vista maravilhosa! É por isso que não quero morrer! Entende? Quando passa um helicóptero, dá até vontade de dar um tchauzinho...

Guardei a máquina, chamei o Mateus, fomos pro carro. Muda, calada. Otávio desceu dirigindo bem devagar, observando a paisagem. Ninguém falava mais nada.

regina vilarinhos

sexta-feira, 25 de julho de 2008

Vizinhos não saem de férias com a gente




Fui à Paraty, na OFF FLIP, o circuito paralelo de idéias, produzido por uma equipe super envolvida com a cultura local. Fui convidada para expor meus poemas, na sede da OFF, junto com artesanato caiçara, trabalhos de ONG´s, massagem oriental, café literário e outras atrações que envolveram os cinco dias em que Paraty ferveu de turistas, por conta da FLIP, o evento oficial.

Lá, fomos recebidas por Luiza, Olga, Ovídio (coordenador literário da OFF), por Luara, Ronaldo, Lia Capovilla, e muitos mais. O carinho que nos deram foi inesquecível. A cidade nos abria um mundo de emoções coloridas e fortes e eles nos providenciavam afeto.

Cinco dias em convivência com sonhos, com gentes de tantas origens e culturas, com caminhos de pedras e contos, de poesia e também de música. Violões e saxofones, pandeiros, chocalhos, uma orquestra de berimbaus, uma infinidade de ritmos. Roda de poesia à noite, na frente da igreja N. S. do Rosário, com o “Poesia Simplesmente”, os “Ratos di Versos”, cordel, “Poesia Maloquerista”. Picareta cultural, praça de oficinas, Elisa Lucinda, Afonso Romano de Sant´anna, Liz Calder, Mano Melo... E assim foi o final de semana, fechado com um sarau em alto mar, num passeio realizado pela equipe da OFF FLIP.

Hora de dar “até o ano que vem, Paraty!” E voltar à Volta Redonda, a cidade que me acolheu como filha, me chama de poetisa e que me cerca de amigos e amigas, como a Jussara que nos acompanhou na produção e realização de mais um “Poesia em Volta”. E quando estou de volta, ainda de folga, entendo como a gente sempre programa férias junto com os filhos, com os pais, com o marido... mas nunca com o vizinho, ou com os vizinhos. E percebo que a arte de escrever e conhecer culturas e gentes diferentes nos deixa sempre com a sensibilidade aguçada para tudo. Principalmente para eles, os vizinhos.

Ainda não possuo carro, não ligo/desligo o alarme as seis da manhã, não acelero na garagem, não buzino pra chamar ninguém (nem pra me despedir). E não coloco música alta enquanto lavo o carro nos fundos do prédio. Será que é um privilégio de meus vizinhos me terem por perto? Sei lá, mas também não sei o que é andar pelo apartamento batucando o chão com o salto do sapato. Ouvir as gargalhadas de vizinhos é legal, sinal de que estão felizes. Mas tem gente que gosta de rir alto, em alta madrugada, debaixo da sua janela. Isso em prédio de três andares, com poucos moradores. Imagino como deve ser em condomínios maiores. Acho ótimo morar longe da capital. Quem mora em andar térreo sabe do que estou falando.

Não deve ser diferente morar em bairros bacanas, pois as festas também trazem transtornos aos outros moradores da mesma rua. Tem gente que acha que pode fechar entrada de garagem na maior cara de pau.

Alguém pode estar pensando que quero fazer um “Irritando Regina”, para ir ao ar em uma TV local, mas engana-se. É apenas uma forma bem humorada de dizer que não consigo dormir até tarde de manhã cedo, e nem dormir cedo à noite, mesmo estando de férias. Talvez se me isolasse no meio do mato poderia dar certo. Depende dos bichos da fazenda de meu primo... Bom mesmo é poder viajar pela leitura e abstrair. Quem sabe em Pasárgada férias são coletivas? Dicas de boa vizinhança no site: http://www.netmarkt.com.br/aprendendo/apre87.html.

regina vilarinhos

segunda-feira, 14 de julho de 2008

Estrelas são simples e simpáticas







Liz Calder, a idealizadora da FLIP, simples e simpática, como deveriam ser todas as estrelas que lá estiveram... o Luiz Fernando Veríssimo também.

Sarau Literário em alto mar




Foi assim, no domingo, no passeio de barco de confraternização da Galera da OFF Flip. Fizemos um sarau no barco e todos gostaram.

poeta joranlista Jorginho Miguel homenageado da OFF.

Exposição na OFF FLIP 2008



essa é uma parte da exposição que montanmos na OFF. Um casarão que virou um celeiro cultural.


Esse vídeo foi produzido pelo Ronaldo, da OFF Flip, com as imagens do evento em 2006. Para quem gosta de saber notícias da gente....

quinta-feira, 3 de julho de 2008

Na OFF - Paraty

Chegamos ontem e a exposição já está montada. A cidade está movimentada, a gente não sabe onde vai primeiro. Trabalhos maravilhosos. Dá uma passada no site www.offflip.paraty.com e confira a programação.

Diário do Vale de 02 de julho de 2008

Poetisa de Volta Redonda participa da ‘Off Flip’



Regina Vilarinhos leva, mais uma vez, seu projeto ‘Poesia em Volta’
para o evento paralelo à Festa Literária Internacional de Paraty’



Regina Vilarinhos leva, mais uma vez, o nome de Volta Redonda à “Flip (Festa Literária Internacional de Paraty)”. A poetisa estará na “Off Flip” (evento paralelo), que começa hoje e vai até domingo, com o seu projeto “Poesia em Volta”. Apresenta seus poemas, por meio de exposições, pelas cidades de Volta Redonda, Barra Mansa e onde mais exista um coração batendo e uma alma respirando poesia. Regina não esconde a satisfação de poder mostrar sua arte em um dos eventos mais prestigiados da literatura.
- Em nossa volta, tudo é poesia. Ela nos envolve, nos ilumina e nos leva a um passeio por nossa alma. “Poesia em Volta” é um movimento cultural, onde todas as manifestações da poesia podem se fazer presentes, seja ela declamada, cantada, encenada ou exposta como quadros - explica.
A idéia é que o público interaja. Segundo a artista, a ilustração provoca o sentimento, colocando uma nova proposta de leitura do poema como arte: “Em poemas carregados de sensibilidade e lirismo, os versos nos levam a uma viagem interior, nos fazem descobrir o romântico guardado em cada um, e expressa com simplicidade de imagens esses sentimentos”.
Regina Vilarinhos nasceu em Porto Alegre e mora em Volta Redonda. Realizou exposições individuais em 1997, no projeto “Curtas Mensagens”, poesia itinerante, de junho a outubro. Foi vice-presidente do Glan-VR (Grêmio Literário de Autores Novos de Volta Redonda), no biênio 1998/1999. Participou da coletânea “50 Anos de Arte”, do Gacemss (Grêmio Artístico e Cultural Edmundo de Macedo Soares e Silva) e da “I Coletânea de Poesias de Pinheiral”.
A poetisa ainda editou, em 2000, o livro “Poemas Acesos Para Noites Apagadas”. E, ao lado da Anielli Carraro, coordenou os projetos “Fábrica do Poema” e “Poesia e Cia.”, apresentando-se nos bares de Volta Redonda. Já se apresentou na “Off Flip” em 2006 e 2007, e também no “II Festival de Poesia do Circo Voador”, no Rio de Janeiro.

Caldeirão cultural

Na programação literária, 40 escritores participam de encontros de leitura, debates, lançamentos e sessões de autógrafos. Na Casa da Cultura acontece o “Sarau Literário”, dedicado a Jorginho Miguel (autor homenageado pela “Off Flip 2008”), cronista paratiense, que, por meio de seu trabalho de registro da tradição oral e dos “causos” das “gentes” de Paraty tem dado grande contribuição ao resgate e preservação dos costumes e da cultura da região. Logo em seguida haverá o lançamento dos livros “Trindade” (Themilton Tavares) e “Zangareio” (Flávio de Araújo), inaugurando o projeto “Autor Off”.
As ruas de pedras, praias e recantos históricos de Paraty vão se transformar no caldeirão cultural da “Off Flip”.

Serviço

• Flip - A festa de encerramento do “III Prêmio Off Flip de Literatura” será durante a “Off Flip” (evento paralelo à Festa Literária Internacional de Paraty), que começa hoje e vai até domingo. Este ano a premiação será para conto e poesia.

terça-feira, 24 de junho de 2008

Imagens da Exposição




para quem eu quero e está longe de mim hoje, uma amostra da exposição em Paraty.
Cafuné, sempre.

regina

Oração




Este é um dos quadros/poemas que estarão na exposição na OFF FLIP - de 02 a 06 de julho - em Paraty

segunda-feira, 23 de junho de 2008

segunda-feira, 16 de junho de 2008

No sol de outono

Debaixo deste sol
sob um céu de chocolate
se derretendo sobre nós,
besuntados de amor.





regina vilarinhos

quinta-feira, 12 de junho de 2008

Sonho







Preciso ter o mel de tuas palavras,
para embalar meu descanso do caos do mundo.

Preciso ter o farol dos teus olhos
para abrir meus caminhos
ante a noite que se aproxima.

Preciso de um sorriso igual ao teu,
para que minhas manhãs se encham de luz.

Preciso do calor de teus carinhos,
cobrindo o frio da minha solidão.

Preciso do sabor dos teus lábios,
para saciar minha paixão.

regina vilarinhos




Vamos juntos à Paraty, com exposição de Poesias, no circuito OFF FLIP, como já estivemos antes em 2006 e 2007. Em breve a programação completa também aqui no blog.

quinta-feira, 29 de maio de 2008

Pedido

Fica comigo.
Há tempos que a vida não brinca assim,
de me fazer menina e bandida de mim.

Fico contigo.
cuidarei das orquídeas, das rosas e do jasmim,
enfeitando o centro do teu peito.

Fica comigo.
Convidarei os planetas, as luas, os anéis e os sóis,
e uma nova galáxia, a maior delas, surgirá de teus olhos.

Fica comigo.
Te presentearei com a aurora, ou com o pôr-do-sol,
ou com a brisa da tarde.
Vigiarei o mar e as ondas que não têm onde quebrar.

No mesmo cálice, o vinho bebamos.
No mesmo sangue, misturados
Ficamos.

regina vilarinhos

sexta-feira, 9 de maio de 2008

Sobre o outono e o dia das mães

“Abra os olhos! As ‘patas-de-vaca’ estão maravilhosamente floridas, espalhadas pela cidade. Parecem-se com orquídeas. Orquídeas de pobre: abundantes e grátis. E veja os ipês brancos, delicadíssimos, antes que sua floração efêmera acabe. Também estão florescendo as quaresmeiras.” (Rubem Alves, Correio Popular, 2001)


Nestes dias de outono, quando finalmente faz frio de outono e manhãs de outono, numa visita ao site do escritor Rubens Alves (www.rubemsalves.com.br), caiu sobre meu teclado o trecho acima. Como na música de Milton, “Certas Canções”, às vezes eu me pergunto “como não foi eu quem fiz.”

Em minhas caminhadas, essas árvores fazem parte da paisagem. Espalhadas em nossa cidade, pelas ruas do Tangerinal, pelas transversais das Ruas 31 e 33, pelo Aterrado, por Niterói, as patas-de-vaca são brancas, rosas e lilases. Bem provável de relacionar todos os bairros da cidade. Eu não sabia o nome da flor e por muito tempo fiquei pensando como poderiam dar orquídeas em árvores assim. Quem me ensinou o nome foi minha mãe.
Os ipês, bem mais conhecidos, floridos junto com as quaresmeiras, são fáceis de se ver no bosque do Laranjal, aquele que fica na subida para o Monte Castelo. As paineiras com sua floração rósea parecem fazer pose para a foto.
Recentemente, descobri um ipê branco, sozinho numa rua escondida. Tive o prazer de contar à minha mãe sobre ele. Ainda não consegui levá-la para vê-lo. Fica na Visconde de Taunay, aquela subindo da São João para o colégio, na esquina com a Toledo Piza. Na calçada de uma casa simples, comprido, fino, e que floresce raramente. Ou de floração efêmera, como disse nosso cronista. Não sei se existe outro na cidade. Merece registro e foto.

Minhas memórias são da cidade, em torno dela, mesmo quando viajando em outras cidades, é nela que penso, é para ela que volto. Não sei se ela me aceitou como filha. Talvez eu a tenha adotado como mãe. As memórias de minha mãe, a Ignez, são divididas entre a fazenda, a roça, o interior e as cidades que viveu. Santos Dumont, Rio de Janeiro, Volta Redonda, Porto Alegre, Volta Redonda. Vila Velha, Volta Redonda.

As manhãs de outono me fazem lembrar de um tempo que minha mãe sentava ao sol, no quintal, catando feijão ou arroz, e eu ficava ao seu redor, para aproveitar do calor dos dois. Às vezes, fazia tricô ou crochê. No meio das flores de outono, penso no presente que posso compartilhar com minha filha, para não sofrer com o futuro que ela venha a ter. Suas asas estão crescendo e em breve seu vôo será para longe.

Entre chaminés e asfalto, espero que meu ninho não se desmanche com o vento e a chuva. A cidade que é mãe precisa abrigar mais filhos. A filha de outra cidade ainda tem muito que trilhar. Necessário se faz conhecer cidadãos e histórias. Por isso, é muito bom dizer para minha mãe, a Ignez, que a amo. É muito bom dizer para a minha mãe, a cidade, que aprendi a amá-la. É maravilhoso ouvir de minha filha que ela também me ama. É muito bom sentir através de meus filhos, os poemas e as crônicas, o amor se espalhando.

regina vilarinhos - crônica publicada no "Diário do Vale", em maio de 2006.

Memória da Dor - O Dia online

Li hoje no online "O DIA" e achei muito bom isso!


"9/5/2008 01:04:00 Ciência prova: beijo de mãe cura dor de filho "

Carinhos em local dolorido diminuem chegada de impulsos elétricos do sofrimento no cérebro

Pâmela Oliveira

Rio - Com quase 2 anos de idade, a pequena Lívia Arydes arrisca passos cada vez mais rápidos. Entre uma brincadeira e outra, as quedas são inevitáveis. Nessas horas, a mãe da menina, Francilene Arydes, 37 anos, já sabe o que fazer: dá beijos no local do trauma para que a criança pare de chorar. O que Francilene não sabia é que a prática tem fundamento científico. Segundo o médico Ricardo Caponero, diretor do Instituto Simbidor, os beijos e carinhos da mãe no local dolorido diminuem a chegada de impulsos elétricos da dor no cérebro.

“O beijo da mãe não é sedativo, mas alivia a dor das crianças. Isso porque tanto as sensações boas quanto as ruins chegam no cérebro através dos mesmos nervos. Ou seja, quando a criança bate o joelho e a mãe dá um beijo ou faz carinho no local, dois estímulos diferentes estão chegando da mesma região ao cérebro: primeiro o de dor e logo depois o do carinho. Por isso, a dor é aliviada com o afago”, explica o médico do Hospital Israelita Albert Einstein.

PICADA DE ABELHA

O médico diz que o mecanismo é semelhante com o de alguém picado por abelha que coloca compressa de gelo para aliviar a dor. “Ou seja, a sensação térmica aliviaria a dor porque os impulsos elétricos provocados pelo gelo chegarão ao cérebro pelo mesmo nervo pelo qual passam os estímulos da dor.”

Caponero diz também que o beijo da mãe tem ainda um efeito placebo. Ou seja, quando a mãe diz à criança que vai dar um beijo e que a dor vai passar, a criança acredita nisso e essa confiança contribui para a diminuição da dor. “Sempre que Lívia cai, começa a chorar e fala ‘dodói, dodói’. Eu digo que vou dar beijinhos para passar a dor e ela pára de chorar”, diz Francilene. “Nunca pensei que pudesse ter alguma explicação científica para isso, mas sei que funciona”, conta a comerciante.

Caponero, que participou de um workshop sobre dor realizado pelo laboratório Wyeth, em São Paulo, quarta-feira, diz que a sensação de proteção também influencia. “Quando uma criança vai fazer um exame, por exemplo, fica mais calma com a presença da mãe ou do pai porque se sente mais protegida. Se vai sozinha, começa a sentir dor antes. A dor não é apenas um fenômeno mecânico e bioquímico do nervo. Ela tem conotação psicológica e social”.

A famosa ‘dor de cotovelo’ faz o corpo sofrer

Perder uma pessoa próxima, ter uma grande decepção ou descobrir que está sendo traído pode provocar dor física. Ou seja, a famosa dor de cotovelo dói no corpo, dizem especialistas .

“O nervo não recebe estímulos elétricos de dor, mas quem sente dor não é o nervo, é o cérebro. Ou seja, o sofrimento emocional causa dor”, afirma Caponero. “Até a postura da pessoa muda.”

Supervisor da Equipe de Controla da Dor do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo, Irimar de Paula Posso garante que o corpo guarda a memória da dor. “Quando uma pessoa passa muito tempo com um sapato apertado e na semana seguinte coloca o mesmo calçado, não consegue continuar calçado por meia hora.Um estudo com torturados mostrou que o corpo guarda memória da dor quando há estímulos muito fortes. Encostaram fios elétricos sem eletricidade em pessoas que foram torturadas e elas tiveram a mesma sensação de choque da tortura”.

segunda-feira, 28 de abril de 2008

O ar que eu respiro

Eu quero fazer valer o ar que eu respiro.
Por isso vou ser sempre essa
que solta o ar dos pulmões, da garganta,
que sangra o próprio coração,
que não engole o choro,
que corre à frente de qualquer dano,
que acorda de ressaca da própria alegria,
que não finge o aperto do calo
e nem o amor pelo verso.

regina vilarinhos

Choro Bandido

Choro Bandido

Composição: Edu Lobo / Chico Buarque

Mesmo que os cantores sejam falsos como eu
Serão bonitas, não importa
São bonitas as canções
Mesmo miseráveis os poetas
Os seus versos serão bons
Mesmo porque as notas eram surdas
Quando um deus sonso e ladrão
Fez das tripas a primeira lira
Que animou todos os sons
E daí nasceram as baladas
E os arroubos de bandidos como eu
Cantando assim:
Você nasceu para mim
Você nasceu para mim

Mesmo que você feche os ouvidos
E as janelas do vestido
Minha musa vai cair em tentação
Mesmo porque estou falando grego
Com sua imaginação
Mesmo que você fuja de mim
Por labirintos e alçapões
Saiba que os poetas como os cegos
Podem ver na escuridão
E eis que, menos sábios do que antes
Os seus lábios ofegantes
Hão de se entregar assim:
Me leve até o fim
Me leve até o fim
Mesmo que os romances sejam falsos como o nosso
São bonitas, não importa
São bonitas as canções
Mesmo sendo errados os amantes
Seus amores serão bons.


Letra linda, ouça na voz de Cecília Leite em http://sintoniafina.uol.com.br/arquivo.php, tem que descer a brra de rolagem e linkar na música. Só coisas boas por lá.

sexta-feira, 25 de abril de 2008

existe entre

entre mim e você existe um céu
existe um rio, existe um livro.

guardas-chuvas abertos como abraços.
placas de ruas e chinelos nos armários.
camisas sem botão, beatles, escapulários.
trecos amontoados, arcas cheias de pandora.

entre você e eu
existem lábios,
existe a doce sensação de beijo.

regina vilarinhos

Cafuné

Queria ir embora de mim
à pé,
sentar pertinho de ti,
com fé,
te dar um rio de rir,
até,
cair para trás
e dormir.
Inté.

regina vilarinhos

Clarice

Não é que vivo em eterna mutação, com novas adaptações a meu renovado viver e nunca chego ao fim de cada um dos modos de existir. Vivo de esboços não acabados e vacilantes. Mas equilibro-me como posso, entre mim e eu, entre mim e os homens, entre mim e o Deus."
Clarice Lispector

quinta-feira, 24 de abril de 2008

sonhos e viagens

sonhei contigo hoje.
parti correndo do sonho
e fui até a estação.

você já tinha partido.

e eu,
ainda sonhando,
corro em sua direção.

terça-feira, 15 de abril de 2008

Viagem cultural - Rio de Janeiro

Fomos ao Rio de Janeiro, no domingo, 13 de abril, Ludmila e eu. Uma excursão cultural da faculdade. No roteiro, a exposição 200 anos da família Real no Brasil, no Museu Histórico Nacional, a exposição sobre Darwin e a evolução das espécies, e também o Centro Cultural Banco do Brasil. Também iríamos ao Paço Imperial, à igreja do Carmo, mas como o ônibus teve um probleminha na partida, esses foram cortados, devido ao tempo (pouco) para o que era prioridade.
A exposição sobre Charles Darwin estava no seu último dia e tinha bastante visitantes. Era a única paga, quinze reais; pagamos meia e entramos. Aí, é a nossa viagem agora. Um lugar lindo, planejado, colorido, exuberante. Retornei ao meu tempo de segundo grau, minhas aulas de biologia com o professor José Eduardo, e viajei nas imagens, nos fósseis, nos animais, nos depoimentos. Ludmila não sabia o que olhar, fotografar, admirar, tantas as novidades. Por lá tinham crianças de todas as idades. Fascinadas e loucas para tocar em tudo, pra falar de tudo, diante de um mundo maravilhoso que se abria para elas. E imaginar que ele, o Darwin, conseguiu tanta informação apenas com uma lupa, um estilete, papel e lápis. A observação e a dedicação são importantíssimas, mesmo que se tenha a mais alta tecnologia, para a ciência.
Saímos já emocionadas com tanta beleza. Caminhamos para a exposição da Família Real. Pelos corredores de entrada do Museu, as carruagens do tempo do Império. Lá dentro, a história. As imagens, os objetos, a cultura importada da Europa, o luxo, a pompa, que mesmo sobre questionamentos vários, nos trazem admiração também, por podermos conhecer a arte de 200 anos atrás. As salas se emendam umas nas outras, um labirinto de temas: República, escravos, índios, utensílios, a botica, os personagens. Fôlego para cerca de uma hora e meia de caminhada. Uma atividade aeróbica e cultural de rara oportunidade para nós que moramos no interior e não temos tanto lazer cultural.
Pausa para o almoço. Uma pequena parada no Centro, pertinho do Municipal, foi o suficiente para o calor já começar a pertubar. Fora o medo do mosquito e de outras mazelas que atingem a cidade. Mas relaxamos, pois o repelente era item de primeira necessidade antes de sairmos de Volta Redonda.

De volta ao ônibus, fomos à Casa França-Brasil, com a exposição das aquarelas de Debret, uma riqueza de cores e técnicas, retratos do Rio e de outros lugares do Brasil, que nos trouxe, mais uma vez, emoção, preenchimento e êxtase. Encontrar amigos, partilhar momentos como estes, divulgar relatos, é muito bom para a mente.

O mais emocionante para mim, vinha a seguir.
Há muito tenho vontade de conhecer o Centro Cultural do Banco do Brasil. A exposição "Os trópicos,visões a partir do centro do globo", é de uma beleza ímpar. Tudo, tudo mesmo, distribuído em 5 corredores, narra a cultura de diferentes povos na Oceania, África, Ásia e América tropical. As videoinstalações, as fotografias, os tecidos, as máscaras, os símbolos de rituais. Cera de 130 obras do Museu Etnológico de Berlim. Fora o espaço, o próprio CCBB, que é lindíssimo.
A surpresa está no hall de entrada, com a instalação "O sonho da árvore no escritório", que simplesmente é a grande atração da mostra. A árvore da vida, a árvore dos sonhos, a "máquina do mundo", crescendo em direção à luz, ao centro do universo, no alto da rotunda do hall. Uma criação de dois artistas alemães, uma terapia de relaxamento. Maravilhos ver do alto a reação dos visitantes, deitados e admirando a árvore. As crianças, os namorados, os solitários, os homens de negócios, a moça de mochila nas costas, o gringo, os meninos de rua. Um encontro, um partilhar de sonhos, uma mágica. Lindo demais! Só indo até lá para poder entender essa descrição.

regina vilarinhos.

quinta-feira, 10 de abril de 2008

Vontades, verdades, dificuldades

Não tenho inimigos de plantão. Tenho anjos e mentores que me amparam na solidão.
regina vilarinhos


"Compreender que há outros pontos de vista é o início da sabedoria."
(Thomas Campbell)

É tão fácil ser poeta, e tão difícil ser um homem."
(Charles Bukowski)

quarta-feira, 9 de abril de 2008

João Ubaldo Ribeiro escreveu:

"Escrever, compor, pintar, atuar, nada disso é trabalho, é o
exercício lúdico, revigorante, glamouroso, e sublime de um dom
artístico. [...] O sujeito senta, sintoniza suas antenas privilegiadas
com as musas e, como quem apenas respira, ou pratica qualquer
ato destituído de esforço, produz a obra de arte. Ela já traz em si a
sua própria recompensa e o artista, esse escolhido da fortuna, não
precisa mais nada para sobreviver.
Por conseguinte o artista não pode pensar em dinheiro. Se pensa,
não passa de uma prostituta, um embusteiro que vende seu
duvidoso talento para manter-se, sustentar a família ou até,
segundo o que parece ser, no ver geral, o destino da maioria, ficar
rico zilionário."

RIBEIRO, João Ubaldo. “De olho no mercado”. Caderno 2. O Estado de S. Paulo. São Paulo, 09/01/200

Do blog do Carpinejar - http://www.fabriciocarpinejar.blogger.com.br/

Iluminura do banco da praça
Fabrício Carpinejar


"Você não perguntou se eu podia, ou se devia.
Você não me diminuiu para se sentir mais forte.
Você não se escandalizou com a mentira; eu não completei a verdade.
Você não pensou no futuro, não pesou as conseqüências, não penou antes da hora.
Você não se protegeu do que desconhecia.
Não alertou que sofreria comigo, e que depois não sairia ilesa.
Você não me forçou a adivinhá-la.
Não apelou para o bom senso.
Você não me inventou, muito menos queimou o rascunho.
Você não me ameaçou com gentilezas.
Não me incriminou com seus temores, não explicou seus traumas.
Não se fez de vítima como se eu estivesse atacando.
Não, você me carregou nos ombros pela cintura. Os dois dedos dentro do meu cinto empurrando a dança.
Não me solicitou prova, testemunhas, sinais.
Não emprestou a Deus o que acontecia em segredo.
Você lembrou do sinal-da-cruz longe da igreja.
Não me julgou por antigos amores.
Não me condicionou a amar como estava acostumada.
Não esperou que eu pronunciasse o que vinha escrito em carta.
Você me olhava com os cabelos.
Você não pediu fiança, recompensa, para se entregar.
Você veio com a roupa do corpo, com o corpo ainda sem culpa.
Você me fechou em suas pernas e deixou a porta aberta do quarto.
Você me exilou no desejo para me repatriar aos poucos.
Você esqueceu as janelas chiando na cozinha.
Você foi incapaz de me constranger quando desisti de responder.
Você não me incitou a casar contigo, não me incitou a namorar.
Você não isolou minhas frases, não alegou que era uma fase.
Você me perdoou como se não existisse.
Você me fez existir para que perdurasse.
Você não me reclamou distante, não cobrou que mandasse notícias.
Você desaparecia quando desaparecia e voltava quando voltava.
Você me afirmava quando me confundia.
Você segurava a nudez para que subisse.
Você não me comparou a ninguém, muito menos aquilo que já fui.
Você não me subornou com a infância ou com o medo da morte.
Você não explorou meus segredos para usá-los.
Você não quis que falasse para preencher as falhas.
Você arredondou os defeitos pela pressa de cuidá-los.
Você foi generosa com os meus ouvidos, confiando mais no vento do que na palavra.
Você me permitiu.
Você me entendeu ao não entender.

Você não teve nada a ver comigo - finalmente eu não me repetia. "

PS:permito-me a ausência, em fase de provas e trabalhos, minha dedicação ao último ano. Tem gente que pensa que eu brinco de estudar, mas é verdade.
Carpinejar é um grande poeta e emociona. Mais de 150.000 acessos é prova de capacidade. Eu não sei se chego lá, sei que chego onde eu quero.
Abraços
regina

sexta-feira, 28 de março de 2008

AFRICA

Poema de José Craveirinha - poeta Moçambicano falecido em 2003

Tambor está velho de gritar
Oh velho Deus dos homens
deixa-me ser tambor
corpo e alma só tambor só tambor gritando na noite quente dos trópicos.

Nem flor nascida no mato do desespero
Nem rio correndo para o mar do desespero
Nem zagaia temperada no lume vivo do desespero
Nem mesmo poesia forjada na dor rubra do desespero.

Nem nada!

Só tambor velho de gritar na lua cheia da minha terra
Só tambor de pele curtida ao sol da minha terra
Só tambor cavado nos troncos duros da minha terra.

Eu
Só tambor rebentando o silêncio amargo da Mafalala
Só tambor velho de sentar no batuque da minha terra
Só tambor perdido na escuridão da noite perdida.

Oh velho Deus dos homens
eu quero ser tambor
e nem rio
e nem flor
e nem zagaia por enquanto
e nem mesmo poesia. Só tambor ecoando como a canção da força e da vida
Só tambor noite e dia
dia e noite só tambor
até à consumação da grande festa do batuque!
Oh velho Deus dos homens
deixa-me ser tambor
só tambor!

José Craveirinha

quinta-feira, 20 de março de 2008

Na savana





O morrer e renascer fazem parte da grandeza de amar. Só conseguimos enxergar isso porque amamos demais, tudo em nós cheira a amor e quer amor. Por isso, a frase "Eu sou poeta e não aprendi a amar", é tão verdadeira. Nós não aprendemos a amar. Aprendemos a querer amar. Precisamos amar alguém ou algo ou tudo ao mesmo tempo. Pois esta intensidade só nos faz acreditar que estamos vivendo um dia após o outro, sem prestar atenção na qualidade de nosso amor por nós mesmas.

Quando chega o nosso homem, objeto do nosso amor do momento, nós somos um bichinho frágil. Quando ele parte, nós viramos onça e caçamos nossa presa. Parece que é tudo um jogo. E no final da caçada, os restos de nós mesmas ficam espalhados na savana. Não foi a presa que se feriu. Fomos nós. Os abutres nos rodeiam, fantasiados de pássaros lindos, esperando o último suspiro, que não sai. Curamos sozinhas nossas feridas.

E, claudicando, ofegando e nos lavando na água de nossas lágrimas, nosso olhar em volta acredita que temos amor de novo e podemos recomeçar a viver. Parece dramático, fim de mundo. Mas é assim.

Nos poucos momentos felizes que guardamos de cada um deles, vamos fazendo um tour em nós mesmas, em nossas savanas, preparando novas armas para o ataque e se esquecendo de aprender a defesa.

regina vilarinhos

sexta-feira, 7 de março de 2008

"OS SONHOS NÃO ENVELHECEM".

( Márcio Borges - Clube da esquina)

Feliz Mulher no dia-a-dia

A escolha de ser mulher nos é dada a todo minuto.
Lembro de quando era menina e tinha de escolher entre o rosa e o azul; quando adolescente, entre ser enfermeira ou professora; mais tarde, entre casar ou ser “titia”.
A opção de cada uma deve ser respeitada, e hoje sabemos que existe muito mais a escolher quando se resolve ser mulher de verdade. Percorremos caminhos difíceis como todos, quando resolvemos ser íntegras, verdadeiras, cidadãs, trabalhadoras, profissionais, éticas, mães, esposas, amantes, amadas, enfim, quando resolvemos a rota para encontrar nossa felicidade.

Em cada etapa de nossas vidas, vemos o mundo com olhos diferentes, com a sensibilidade que nos é particular. Aprendemos caindo e levantando. Manchamos muitas blusas com nossa maquiagem borrada pelas lágrimas. Marcamos muitas bochechas de nossas amigas, de nossos amigos, dos nossos filhos e dos nossos amores de vermelho batom.

Muitos reduzem nossas escolhas entre sermos louras ou morenas, gordas ou magras, fashion ou brega, de cabelos brancos ou com luzes, inteligente ou burra.
A nossa escolha é sermos humanas!

Assim, não é apenas um simples duelo de quem é melhor, de quem sabe mais, de quem é o mais forte. Estamos juntas com os homens para fazermos o equilíbrio energético do planeta.

Se existe o sim, nós podemos ser não.
Se existe a noite, nós chegamos de dia.
Se existe o Sol, nós brilhamos com a Lua.
Se existe o mar, nós somos terra firme.
Se existem retas, nós ensinamos as curvas.
Se existe o cinza, nós temos as cores do arco-íris.
Se existe o velho, nós somos crianças.
Se existe o rude, nos mostramos o belo.
Se existe muita prosa, nós falamos poesia.
O melhor de tudo é estarmos vivas e prontas para sermos felizes um dia de cada vez!

regina vilarinhos

quinta-feira, 6 de março de 2008

O maior poeta de Volta Redonda!

FUGA

esqueço nomes dias datas
minha nave de prata
pirado pirata flibusteiro
na ebulição do tempo atento
ilógico o tempo inteiro

esqueço que me sinto
que me dopo que me estrepo
retrato da inanição
quando me zune o snague
insana gana suicida

esqueço que me assino
que me escrevo escravo e desejo

esqueço que me ensinam
matar e mentir
esqueço o apreço
e o que não mereço

esquecer lembrar memorar

quem serei
quando a memória for
para não voltar?

Rastero - o poeta primeiro
"É preciso ousar ser poeta para ser tudo o que somos.
Para não soçobrar na espuma.
Para o mergulho no abismo do ser e do não ser.
Para facilitar a lida com os conflitos e a travessia da dor.
Para abraçar a vastidão humana."
(Roberto Crema)




terça-feira, 4 de março de 2008

Horizonte



Meu horizonte grávido de amor,
perdido no teu olhar
onde navegam minhas manhãs.

Meu horizonte grávido de lua,
no céu de tua boca,
onde saboreio hortelã.

Meu horizonte grávido de paz,
no remanso dos teus braços
onde teço minhas manhãs.

regina vilarinhos