Páginas

segunda-feira, 22 de outubro de 2007

Recreio do Trabalhador

Mais um quadro do Ronaldo Gori, o Recreio do Trabalhador é passagem obrigatória nas lembranças de minha infância e adolescência (e de muitos). A piscina com toda a família, o parquinho escondido lá no fundo, e os jogos de basquete e volei na quadra. As arquibancadas cheias, o Paulo Camargo e o Rafael comandando as meninas. o Abiatti no comando dos meninos... Festivais de Música, shows e a Festa do Hino Nacional, com o Maestro Franklin e tio Mattos.

O Paulão mandando parar o jogo para achar a lente de contato caída na quadra. As bolas de 3 pontos entrando de chuá no último segundo...
Muito bom para começar a segunda-feira...

2 comentários:

  1. q lindoooo!
    realmente, esse local se mistura à história da cidade e da gente, né?
    meu tio praticava pólo aquático e meu pai vivia pelas piscinas do recreio. muitas histórias legais q eles nos contam.
    boas recordações!

    bjssss

    ResponderExcluir
  2. Há trinta anos. Trinta. Me senti um Colombo sul-americano chegando a um país fascinante, meus olhos se enchiam da exuberância das paisagens, das frutas, do tamanho, da diversidade e do contraste enormes. Argentino do interior, da terra da carne, do vinho e da neve de junho ao pé dos Andes, eu via
    deslumbrado os caminhos que me traziam a Volta Redonda, a de julho de 77. Passeando pela calçada da rua Trinta e Três fui até a rua sessenta com meu guia, hoje perdido de mim nos caminhos da vida...
    Contornamos pela igreja de Santa Cecília, o morro do Rosário, a calçada do Macedo (em que, no ano
    seguinte, eu trabalharia no meu primeiro emprego em terras do Brasil). E, na virada da esquina, ali, estava ele: esse monumento estranho para mim, fruto da fartura de um tempo há muito ido. Parte de um expoente que deixou saudades, de um tempo em que tudo girava em torno da mãe de fumaça e fogo que a
    todos seduzia, em todos embalava o sonho do emprego para sempre.
    Quando perguntei o que era esse complexo, o amigo me disse, não sem uma pitada de despeito (ele não era daqui: "-Recreio do Trabalhador-". Na época o vi como uma figura inalcançável, como era uma instituição estatal para um estrangeiro. O trabalhador encontrava ali o lado social de suas relações, torneios de todos os esportes, festas, shows... tudo! Tudo tinha lá, campeonatos internos
    de futebol que provocavam febre nas pessoas, em seu sagrado direito de torcer.
    A família metalúrgica para lá convergia, às vezes iam somente para se verem. Quantos casais se
    conheceram lá e hoje têm netos? Guardo lembranças do que eu conheci sem ter participado, saudades de um tempo que não vivenciei, da minha história que correu sempre paralela à do Recreio, como dois trilhos que
    se juntam, quem sabe, no horizonte?
    Como é diferente hoje! Me parece mudo, sem barulho de vida, em suas formas calado e abúlico na distância entre seu tempo e as gentes de hoje. Se, ao menos, você tivesse se tornado apenas velho, Recreio, eu aceitaria como aceito meus anos, mas como eu te remembro... prefiro teu passado, prefiro te ver como você foi e não como você poderia ter sido e não é mais.
    Recreio do Trabalhador. Você é um canto de vozes que o tempo engole e, aos poucos, se torna vento...
    José Antonio Toral
    jatorall@hotmail.com
    24-8182-3348

    ResponderExcluir