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quinta-feira, 1 de fevereiro de 2018

NOVELÃO

Tenho os caminhos das mãos da vida prontos
a serem deitados sobre teu corpo.
Quem foi o dono do tempo
que fingiu não tê-los?
Tenho os beijos de tantos lábios guardados
para despejá-los todos em tua boca.
Quem é o dono do amor que diz o quando e onde poderão ser dados?
Guarda hoje uma doce lembrança
e deixe a roda do mundo continuar.
Minha cena e a tua estão escritas nos papiros sagrados
e a última cortina ainda não caiu sobre este palco.
Tenho mais de mim além do roteiro,
tens mais de ti depois do diretor.
Um patrocinador? Um creme para mãos?
Ou uma venda casada do cruzeiro ao som de Robertão?
Ninguém vai lembrar de nós,
nem os tabus, nem as beatas em casa rezando seus terços.
Ave, crendeuspai, logo em seguida vem o grande irmão que te vigia!
regina vilarinhos - 31/01/2014

segunda-feira, 29 de janeiro de 2018

Da solidão de muitos dias

Existe uma solidão dentro de cada um de nós, escondida. Até que uma palavra, ou um silêncio, e ela se mostra. Imensa, na sua força. Pequena, no seu quarto. E cheia de insônias, de fotografias, de doces e contos de fadas.

quarta-feira, 10 de janeiro de 2018

Oxum

Ela me olhou, de olhar de mãe, 
fez da minha mão buquê de flores.
Ela me deu a mão, pôs em mim proteção.
Das águas da cachoeira, lavou meu rosto.
E o medo correu junto com o rio.
Brota luz em meus caminhos,
toma o vento e a tempestade.
A palavra não pode naufragar. Dela preciso para me entender, para entender os outros e para que eu me sinta pertencida no mundo. Falada, escrita, traduzida em sinais, em prosa ou em verso. Dela me alimento, me junto, me despedaço, mas com ela eu ando. Fazer dela - palavra - uma ferramenta de luta e união, não de transtorno, indefinições. Uso a palavra para entender, não para desestimular.

quarta-feira, 6 de dezembro de 2017

Sobre apego e prisão

Meu território é minha casa. Não aquela construída em cimento, telhado, janelas, cozinha e onde posso abrigar meus afetos.
É a casa que mora dentro de mim, que abriga meus sonhos, meus sabores, que eu levo para qualquer lugar. Nova ou velha, sempre mirando o horizonte.
Abro meus braços para este território se demarcar com outros braços! Fecho as janelas quando vem a tempestade e posso abri-las também para que o vento desmanche o cabelo e desembarace os nós!
Só põe o pé nesta casa e penetra este território os que se colocam em sintonia.
E são livres. Não existe prisão na minha morada!
Será que não dá certo?


2016

terça-feira, 21 de novembro de 2017

A madrugada teve um silêncio absurdo hoje.
Talvez na esquina tivesse um gato, ou um despacho.
Talvez no hospital, o ruído sombrio do oxigênio.
Sei que no prédio ao lado, o elevador cumpria seu destino.
Aqui, tudo quieto.
Nem cães, nem grilos.
Um estrondoso vulcão, porém, expeliu suas lavas.
A alma queimava,
como o mato seco
de inverno,
no meio do Pantanal.
Um desses dias.
Muitas dessas madrugadas.
regina vilarinhos - 2017

sábado, 18 de novembro de 2017

ESPERA

A única coisa que tenho é a espera.

Por uma notícia estrondosamente boa.
Por um dia estupidamente lindo.
Pelo vento amorosamente refrescante.
Pela flor maravilhosamente colorida.
Pelo caminho tranquilamente firme.
Pelas músicas virtuosamente cantadas.
Por um beijo escandalosamente molhado.
Pelo abraço infinitamente caloroso.
Pelo encontro unicamente libertador.
Pela alma, mansamente, livre.
Pelo amor encantadoramente acolhedor.

A única coisa que tenho é a espera,
o único bem que tenho é a minha paz.

regina vilarinhos - 2016