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terça-feira, 27 de novembro de 2007

Sara

Saiu sonhando, sonâmbula.
Serpenteou, subiu,
salivou, soluçou.
Soltou súbito som sem
sentido. Sentiu saudade.
Sentiu suar.
Sofá sentada,
sem sinal se sorria.
Sem sabedoria,
Sujeita solta.
Só saiote sambou.
Saltou, sassaricou,
saracoteou,
sumiu.
Sussurrou
secretos suspiros.
Sapeca, salgada.
Sacerdotisa sádica.
Secou sândalo.
Sede saciada,
sorveu sidra.
Serena, sensata.
Sorumbática.
Suave sobre sua sombra.
Sigilosa selou sim.
Seguiu,
sonhando.

regina vilarinhos

sexta-feira, 23 de novembro de 2007

Cura Poesia

Poesia pra mim é cura. Não para doença ou vício. Pode ser na palavra escrita, na música ouvida, na foto revelada ou na dança valsada. Sinto, toco, caminho poesia todos os dias, por entre minha rua, entre os prédios e seus jardins. Vejo poesia na placa do carro dos amores que vem e vão, nos olhos brilhantes de meus pais, na cama forrada com limpos lençóis.
Bato com poesia na cara quando o vento fecha a porta, dói poesia nos joelhos quando caio no chão.
Como poesia com café com pão, feijão com arroz, com coca gelada, na mesa para dois.
Vinho poesia, cervejo poesia, choro poesia, grito poesia.
Roupa lavada com poesia. Amaciante, pregador, varal e passada a ferro, a poesia.
Em rio de poesia, nado de costas.
Em dia de poesia, ofusco os olhos no sol.
Poesia em pedra dura,
poesia-me com quem andas,
mais vale duas poesias nas mãos...
Aliás, é um tratamento, que nem sei se termina, mas que me alivia.

quinta-feira, 15 de novembro de 2007

De alma lavada


Busquei na estante as fotos e a alegria,
na gaveta, a blusa e o cheiro,
na fruteira, o sabor,
no fogão, o tempero.
Lambi nos dedos o chantily,
nos lábios a maresia.

Abri os armários, entrou a luz,
entrou o vento, entraram as borboletas.
Lavada e linda de usar,
pendurei minh´alma.

Pintei as paredes da cor do sim
E jurei, de novo, jamais amar assim.

quarta-feira, 14 de novembro de 2007

Millor Fernandes

"Se você não consegue realizar os seus sonhos, procure ao menos evitar a realização de seus pesadelos."

Sabedoria - humor - atualidade - profeta

FRASES

"Invejar é do queixoso e do doente; agradecer é do que está satisfeito."
(Sêneca)

"Duas pessoas têm vivido em você por toda a sua vida. Uma é o ego, tagarela, exigente, histérico, calculista; a outra é o ser espiritual escondido, cuja silenciosa voz de sabedoria você somente ouviu ou reparou raramente - você revela em si mesmo o seu próprio guia sábio."
(Sogyal Rinpoche)

"Não basta conquistar a sabedoria, é preciso usá-la."
(Cícero)

"Compreender que há outros pontos de vista é o início da sabedoria."
(Thomas Campbell)

É tão fácil ser poeta, e tão difícil ser um homem."
(Charles Bukowski)


"Não encontre defeitos, encontre soluções. Qualquer um sabe queixar-se."
(Henry Ford)


"Minha poesia é cheia de imperfeições. Se eu fosse crítico, apontaria muitos defeitos. Não vou apontar. Deixo para os outros. Minha obra é pública."
(Carlos Drummond de Andrade)

"Ser feliz é ler o coração, antes que a vida vá embora!" regina (eu mesma)

segunda-feira, 12 de novembro de 2007

BORGES

Graças quero dar ao divino labirinto dos efeitos e das causas
pela diversidade das criaturas que formam este singular universo,

pela razão que não cessará de sonhar,
pelo amor, que nos deixa ver os outros,

pela linguagem, que pode simular a sabedoria,

pelo hábito, que nos repete e nos confirma como um espelho,
pela manhã, que nos depara a ilusão de um princípio,

pela noite, sua treva e sua astronomia,
pelo valor e a felicidade dos outros,

pelos íntimos dons que não enumero,

pela arte da amizade,
pelo fato de que o poema é inesgotável e se confunde

com a soma das criaturas e jamais chegará ao último verso
e varia segundo os homens...
PELA VIDA RARA!!!!!!!!!!!

JORGE LUIS BORGES


começo a semana com este trecho de Borges, pois que é preciso entender a raridade dos momentos com os amigos, para eternizá-los. para todos meus amigos e aqueles que julgam ser capazes de me fazer sua inimiga. não existe isso. o que existe é gostar ou não gostar, inimigo para mim é o bandido que rouba, que mata, que me prende entre grades de ferro. os outros são os outros, e nem quero pensar neles. só penso na minha essência e sei o que sou e o quero da vida.
Quarta-feria, por exemplo, eu quero ir ao Flávio Venturini...

Silêncios

Silêncios. Preciso mantê-los
enclausurados, perdidos.

Permanência?
Monotonia percebida.

Palavras manipuladas escamoteiam
verbos escondidos.

Olhos e lábios, calados.
Braços, encolhidos.

Pensamento queimando nas
veias, velas, ventos.

Outono.
Folhas.
Decadência?

Sábado perdi meus
sonhos, tremores e urgências.

Literatura...
amor...
perdura?

terça-feira, 6 de novembro de 2007

quinta-feira, 1 de novembro de 2007

Loucos e loucas, sei deles

Só os loucos sentem minha falta.
Para eles, o verso guardado.
Para eles, o vaso quebrado,
o dia cinza, a rua,
os pés, a chuva, os carros nos sinais.
Para eles, as luzes riscam.
Para eles, meu céu, saliva e língua.

Só os loucos, doidos de pó,
de pedra, de sal, partidos,
embriagados,
desesperados.
Para eles, a planta,
para eles, minha foice,
o chão, a semente, o anzol e o rio.

Porque de min há muito não tenho notícias.
Não tenho poesia, nem os versos puros,
brancos, livres, alexandrinos.

Para os loucos que me prendem.
Para os loucos que me perco.
Para eles, o dom, o traço,
o risco, aquarela, bemol.
Para eles, o dólar, o show,
o lead, o break.
Para eles, la plata.
Para eles, la playa.

Loucos, loucas, sei deles.
Não usam luvas, não falam alto.
Pedem, imploram,
regateiam e empulham.

Para eles, o sonho.
Para eles, o caminho,
o sol, o dia, meu braço,
o encontro, mar e lua.

Somente os loucos me vestem
me cabem e me caem
sem a arrogância do tempo
e me puruficam a alma
e dão voz aos meus anseios.

Só os loucos me acalmam
e gargalham a lira dos meus sonhos
e me calam com um beijo morno
e me movimentam o corpo
todo.

Só a nudez das mãos
que destilam a ilógica me afetam...

São os loucos poetas da morte.
Morte moura de uma vida torpe.
São navalhas
que sangram palavras
em folhas mortas.

São meu corpo, minha voz,
minha demência escancarada,
uma gargalhada sonora
sorrindo das velhas e desbotadas horas...




Bom feriado!