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quarta-feira, 17 de agosto de 2016

MANSÕES SÃO INÚTEIS


Janelas e portões, que vivem fechados.
Salas vitorianas
onde se juntam bocas soberbas,
tramando controles.
Cantos escuros escondem
conversas sorrateiras de perde-se tempo
e de matar o tempo.
Objetos distantes trocam mesuras
entre si.

De quem serão as suas memórias?
Dos empregados ou dos cães?
Ou de herdeiros inúteis?
Mansões só servem para hospedar vinhos e livros.
Ou para se ter pomares e jardins.
Neles, o sol e o nevoeiro tramam parcerias.
Mansões são prisões.
Nelas, se morre todos os dias
nos quartos frios,
sobre lençóis de mil fios,
inúteis.
regina vilarinhos - 2016

quinta-feira, 11 de agosto de 2016

Babilônia


Bateu a sede e a fome do
ouro, depois da noite de whisky e sexo.
Figos, café, pão sem glúten.
Cigarro, porque não é de ferro.
Jornal, porque é esperto.
Janela, porque é de frente para o mar.

Carregar o espelho,
cegar o espantalho,
riso sonoro para o fogo.
Call me John.
S'il vous plaît.
Check-in Cidade de Deus.
regina vilarinhos - 2016