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terça-feira, 29 de julho de 2008

Dá um tchauzinho! o dia em que o Cristo sumiu?

- Mãe! Corre, mãe! Vem ver! Mãe! Mãe!

- Pára com isso, menino! Pára! Desse jeito acorda teu pai e tu já viu como ele fica, né??

- Anda, mãe! Aqui na janela do meu quarto. O Cristo ... ele sumiu!!

- Que Cristo?! Tô indo!

Mal pude acreditar! Meus olhos doeram na claridade, baixei o rosto, levantei e olhei de novo: o Cristo tinha mesmo sumido! Olhei para todos os lados, pra praia, pro calçadão. Nada, a rua estava deserta, só eu e o Mateus vendo aquilo. Quer dizer, não vendo.

- Credo! Que é isso! Mateus, chama teu pai! Agora! Corre! Eu vou ficar aqui vigiando.

Nem parei pra pensar no que falava. Só sentia que tinha que vigiar.

- Cacete! Quantas vezes vou te pedir pra não me acordar cedo na segunda?! Que porra é essa de Cristo que sumiu? Tá doidona, já fumou um e nem me esperou?

- Cala a boca, Otávio, num tá vendo o Mateus aí, pára de falar essas coisas perto dele. Que diferença faz pra você se é segunda ou sábado? Tu num acorda cedo nunca! Vem aqui e eu te mostro.

- Puta que pariu! Cadê o cara? Neguinho já rouba até a estátua do Cristo? E agora? Como que a cidade fica? Quem vai abençoar? Nossa Senhora da Penha? Já ligou pro bombeiro, pra polícia...

Enquanto Otávio falava sem parar, o Mateus tratou de pegar a digital e fotografar feito um doido. Oito da manhã. Não tinha neblina, não tinha chuva, não tinha fumaça nenhuma, nada de explosão.. e nada do Cristo Redentor. Não era culpa do Peréio.

- Otávio, vamos descer! Não liga pra ninguém. Anda, pega a chave do carro, Mateus ponha uma blusa! Boca fechada! Talvez o prédio todo esteja dormindo, nós vamos ser os primeiros...

- Tá maluca, Lúcia? Vamos ser os primeiros a quê?

- A descobrir onde ele está, se é que está em algum lugar... Anda, deixa de perguntas, no caminho eu explico. Ah! Esse elevador sempre lento...

Dentro do carro, comecei a explicar, subindo as Paineiras:
- Essa hora, ninguém tem vontade de subir o Cristo. Aliás, alguma coisa muito esquisita tá acontecendo, nenhum carro na rua, nem o guarda na entrada das Paineiras.

- Ô Lúcia, pára de falar da rua e vamos à estátua.

- Vamos até lá com o Mateus e ele fotografa mais de perto. Aí, nós saímos e vamos pro jornal pra vender as fotos. Este será nosso passaporte para sairmos do SPC direto para as compras de novo.

Desci do carro correndo. Mal olhava para os lados. Não havia ninguém, somente nós três. Mateus vinha ao meu lado e parou de repente.

- Anda, menino, parou por quê??

- Olha mãe! – ele estava imóvel e branco igual à blusa que vestia.

Quando olhei para frente, também congelei. Caramba! Era o Cristo, de cara pra mim, sentadinho nas escadas. Não consegui dar nem mais um passo, emudeci.

- Só vieram vocês?? – Falou e baixou o rosto entre as mãos. Parecia cansado. Pudera, 78 anos de braços abertos ... Puxei conversa, meio gaguejando:

- Es... estava esperando alguém?

- Todos os dias eu espero. Desde que começou esta história de me explodir, eu passo a madrugada desse jeito: sentado aqui, escondido desse tal Peréio, e espero a manhã chegar, volto pro meu lugarzinho de sempre, antes dos turistas. Assim, ele não terá coragem de me explodir.

- Mas como? Já tentaram? Não era só uma idéia de um doidão, querendo mídia?

Mateus sentou-se no chão e parecia não acreditar no diálogo que presenciava. Na verdade, nem eu. Mas continuei assim mesmo: - Ninguém vai fazer isso...

- Mesmo assim, você acha que eu vou me arriscar? Os caras não explodiram lá no Afeganistão?? Por que seria diferente aqui? Olha: sol quente, chuva, vento gelado, bala perdida, reforma, escalada coletiva, tudo isso inda vai... Mas ir pelos ares é que eu não quero!

- Entendo. E a polícia? Por que não fazem ronda?

- Dona, se fizerem ronda aqui, vai nevar no Rio de Janeiro. Alguém já tinha pensando nisso antes? Eles acham isso impossível! Eu, tenho certeza, e não tenho seguro nem família...

Deu um suspiro, olhou em volta:
- Só esta vista maravilhosa! É por isso que não quero morrer! Entende? Quando passa um helicóptero, dá até vontade de dar um tchauzinho...

Guardei a máquina, chamei o Mateus, fomos pro carro. Muda, calada. Otávio desceu dirigindo bem devagar, observando a paisagem. Ninguém falava mais nada.

regina vilarinhos

sexta-feira, 25 de julho de 2008

Vizinhos não saem de férias com a gente




Fui à Paraty, na OFF FLIP, o circuito paralelo de idéias, produzido por uma equipe super envolvida com a cultura local. Fui convidada para expor meus poemas, na sede da OFF, junto com artesanato caiçara, trabalhos de ONG´s, massagem oriental, café literário e outras atrações que envolveram os cinco dias em que Paraty ferveu de turistas, por conta da FLIP, o evento oficial.

Lá, fomos recebidas por Luiza, Olga, Ovídio (coordenador literário da OFF), por Luara, Ronaldo, Lia Capovilla, e muitos mais. O carinho que nos deram foi inesquecível. A cidade nos abria um mundo de emoções coloridas e fortes e eles nos providenciavam afeto.

Cinco dias em convivência com sonhos, com gentes de tantas origens e culturas, com caminhos de pedras e contos, de poesia e também de música. Violões e saxofones, pandeiros, chocalhos, uma orquestra de berimbaus, uma infinidade de ritmos. Roda de poesia à noite, na frente da igreja N. S. do Rosário, com o “Poesia Simplesmente”, os “Ratos di Versos”, cordel, “Poesia Maloquerista”. Picareta cultural, praça de oficinas, Elisa Lucinda, Afonso Romano de Sant´anna, Liz Calder, Mano Melo... E assim foi o final de semana, fechado com um sarau em alto mar, num passeio realizado pela equipe da OFF FLIP.

Hora de dar “até o ano que vem, Paraty!” E voltar à Volta Redonda, a cidade que me acolheu como filha, me chama de poetisa e que me cerca de amigos e amigas, como a Jussara que nos acompanhou na produção e realização de mais um “Poesia em Volta”. E quando estou de volta, ainda de folga, entendo como a gente sempre programa férias junto com os filhos, com os pais, com o marido... mas nunca com o vizinho, ou com os vizinhos. E percebo que a arte de escrever e conhecer culturas e gentes diferentes nos deixa sempre com a sensibilidade aguçada para tudo. Principalmente para eles, os vizinhos.

Ainda não possuo carro, não ligo/desligo o alarme as seis da manhã, não acelero na garagem, não buzino pra chamar ninguém (nem pra me despedir). E não coloco música alta enquanto lavo o carro nos fundos do prédio. Será que é um privilégio de meus vizinhos me terem por perto? Sei lá, mas também não sei o que é andar pelo apartamento batucando o chão com o salto do sapato. Ouvir as gargalhadas de vizinhos é legal, sinal de que estão felizes. Mas tem gente que gosta de rir alto, em alta madrugada, debaixo da sua janela. Isso em prédio de três andares, com poucos moradores. Imagino como deve ser em condomínios maiores. Acho ótimo morar longe da capital. Quem mora em andar térreo sabe do que estou falando.

Não deve ser diferente morar em bairros bacanas, pois as festas também trazem transtornos aos outros moradores da mesma rua. Tem gente que acha que pode fechar entrada de garagem na maior cara de pau.

Alguém pode estar pensando que quero fazer um “Irritando Regina”, para ir ao ar em uma TV local, mas engana-se. É apenas uma forma bem humorada de dizer que não consigo dormir até tarde de manhã cedo, e nem dormir cedo à noite, mesmo estando de férias. Talvez se me isolasse no meio do mato poderia dar certo. Depende dos bichos da fazenda de meu primo... Bom mesmo é poder viajar pela leitura e abstrair. Quem sabe em Pasárgada férias são coletivas? Dicas de boa vizinhança no site: http://www.netmarkt.com.br/aprendendo/apre87.html.

regina vilarinhos

segunda-feira, 14 de julho de 2008

Estrelas são simples e simpáticas







Liz Calder, a idealizadora da FLIP, simples e simpática, como deveriam ser todas as estrelas que lá estiveram... o Luiz Fernando Veríssimo também.

Sarau Literário em alto mar




Foi assim, no domingo, no passeio de barco de confraternização da Galera da OFF Flip. Fizemos um sarau no barco e todos gostaram.

poeta joranlista Jorginho Miguel homenageado da OFF.

Exposição na OFF FLIP 2008



essa é uma parte da exposição que montanmos na OFF. Um casarão que virou um celeiro cultural.
video

Esse vídeo foi produzido pelo Ronaldo, da OFF Flip, com as imagens do evento em 2006. Para quem gosta de saber notícias da gente....

quinta-feira, 3 de julho de 2008

Na OFF - Paraty

Chegamos ontem e a exposição já está montada. A cidade está movimentada, a gente não sabe onde vai primeiro. Trabalhos maravilhosos. Dá uma passada no site www.offflip.paraty.com e confira a programação.

Diário do Vale de 02 de julho de 2008

Poetisa de Volta Redonda participa da ‘Off Flip’



Regina Vilarinhos leva, mais uma vez, seu projeto ‘Poesia em Volta’
para o evento paralelo à Festa Literária Internacional de Paraty’



Regina Vilarinhos leva, mais uma vez, o nome de Volta Redonda à “Flip (Festa Literária Internacional de Paraty)”. A poetisa estará na “Off Flip” (evento paralelo), que começa hoje e vai até domingo, com o seu projeto “Poesia em Volta”. Apresenta seus poemas, por meio de exposições, pelas cidades de Volta Redonda, Barra Mansa e onde mais exista um coração batendo e uma alma respirando poesia. Regina não esconde a satisfação de poder mostrar sua arte em um dos eventos mais prestigiados da literatura.
- Em nossa volta, tudo é poesia. Ela nos envolve, nos ilumina e nos leva a um passeio por nossa alma. “Poesia em Volta” é um movimento cultural, onde todas as manifestações da poesia podem se fazer presentes, seja ela declamada, cantada, encenada ou exposta como quadros - explica.
A idéia é que o público interaja. Segundo a artista, a ilustração provoca o sentimento, colocando uma nova proposta de leitura do poema como arte: “Em poemas carregados de sensibilidade e lirismo, os versos nos levam a uma viagem interior, nos fazem descobrir o romântico guardado em cada um, e expressa com simplicidade de imagens esses sentimentos”.
Regina Vilarinhos nasceu em Porto Alegre e mora em Volta Redonda. Realizou exposições individuais em 1997, no projeto “Curtas Mensagens”, poesia itinerante, de junho a outubro. Foi vice-presidente do Glan-VR (Grêmio Literário de Autores Novos de Volta Redonda), no biênio 1998/1999. Participou da coletânea “50 Anos de Arte”, do Gacemss (Grêmio Artístico e Cultural Edmundo de Macedo Soares e Silva) e da “I Coletânea de Poesias de Pinheiral”.
A poetisa ainda editou, em 2000, o livro “Poemas Acesos Para Noites Apagadas”. E, ao lado da Anielli Carraro, coordenou os projetos “Fábrica do Poema” e “Poesia e Cia.”, apresentando-se nos bares de Volta Redonda. Já se apresentou na “Off Flip” em 2006 e 2007, e também no “II Festival de Poesia do Circo Voador”, no Rio de Janeiro.

Caldeirão cultural

Na programação literária, 40 escritores participam de encontros de leitura, debates, lançamentos e sessões de autógrafos. Na Casa da Cultura acontece o “Sarau Literário”, dedicado a Jorginho Miguel (autor homenageado pela “Off Flip 2008”), cronista paratiense, que, por meio de seu trabalho de registro da tradição oral e dos “causos” das “gentes” de Paraty tem dado grande contribuição ao resgate e preservação dos costumes e da cultura da região. Logo em seguida haverá o lançamento dos livros “Trindade” (Themilton Tavares) e “Zangareio” (Flávio de Araújo), inaugurando o projeto “Autor Off”.
As ruas de pedras, praias e recantos históricos de Paraty vão se transformar no caldeirão cultural da “Off Flip”.

Serviço

• Flip - A festa de encerramento do “III Prêmio Off Flip de Literatura” será durante a “Off Flip” (evento paralelo à Festa Literária Internacional de Paraty), que começa hoje e vai até domingo. Este ano a premiação será para conto e poesia.