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terça-feira, 18 de outubro de 2016

Navegue neste mar de temores
e finja não entender os uivos do vento
os gritos das tempestades,
que atravessas de mãos dadas
com Netuno.
Quem te salva da dor?
Quem cura a ferida sangrenta?
Finja acreditar que sabes ler o céu cinzento.

Pertences ao inferno, esqueceste a tua ira.
Velas e lemes não te salvarão.


2011

sexta-feira, 14 de outubro de 2016

Lá fora tem um vento, um frio de tempo
frequenta meus dias com tanta força.
Uma atrevida cigarra quebra o gelo
do silêncio.
Sozinha de árvores, no poste de luzes
se arvora em canto.

quinta-feira, 13 de outubro de 2016



Quando amadureci a suavidade do amor em mim, a vida passou a ser também suave. Até mesmo quando penso amar sozinha. Porque dou amor e recebo o sorriso dele de volta. Porque salvei o nome dele em mim, em muitas tentativas de esquecê-lo. Porque é amor. 
E cabe dentro do peito e na palma da mão, livre.

QUEM TEM DEUS



Perde-se o sentido de tudo, diante de um poema.
Vê-se no espelho mudo o mau que atormenta.
Ouço a voz das montanhas de Minas,
a trazer as cantigas e o badalo dos sinos,
da cidade de praças, igreja, escola e cadeia.
Plantava-se casas e café. Bananeiras também.


O amor transcendeu pela janela e invadiu as estradas que
carreguei em meus pés.
Tinha aves nos olhos,
e sonhos nas mãos, a espalhar pelos versos.
No dia azul, dentro da espiral da vida,
aprendi o gosto de sangue e sal.

Mas, amei. Infinitamente.
Coisas e criaturas que não se tangiam.

Tenho, hoje, uma noite fria sobre o pasto.
Dormem animais onde dorme o mundo.
Já não precisamos mais de máquinas.