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sábado, 26 de outubro de 2013

Dru-mont Andares

Dru-mont Andares

Ouvir o bendito,
sentir o canto aflito
carregar Itabira
a pedra, o grito
junto ao boitempo.

Os acontecimentos, a morte e a poesia
são todos incontáveis.

Esse que hoje é José,
que foi Raimundo,
que foi bruxo,
nascido Carlos.
Nas laranjeiras das casas,
nas garrafas de leite,
na companhia de J. Pinto Fernandes.

Tempo que não digo mais, não teço nenhum trabalho
que mulheres poderão bater em minha porta.

Anjo bom e mau, vento que rodou
sobre o mar e dormiu no gado.
Muitos países, muitas ruas
uma janela, um mar, um banco
na praia.
Teu ombro, meu amigo,
para minhas confissões.

regina vilarinhos - 2013

quinta-feira, 24 de outubro de 2013

Um dia qualquer



Te encontrarei e te direi
que foram dezembros,
foram noturnos
esperando quem me levará
e pedindo para as pedras que cantam
te contarem de meu fanatismo,
de minha revelação,
de minha asa partida.
E durante os teus deslizes
eu sentia que nossa jura secreta
estava bem guardada
no fundo do Mucuripe.
Nas eternas ondas
dessa agonia,
no chororô qual
cebola cortada
e você, guerreiro menino,
no frenesi da aurora, deixou
tanta saudade.
Pé de sonhos que no quintal de casa,
vibra num vento forte, para
dentro do meu coração alado.
Traduza-se, eu te deixo.
E te entrego palavras e silêncio.
Meu motivo: ansiedade.
Tua sina, teus pensamentos,
uma doida que te espera aqui.
Qualquer música que me tire
e que me traga de volta
a palavra de amor.
Quero rosas que não falam,
quero a lamparina acesa,
pra te esperar, nos
canteiros e ainda,
feliz.

regina vilarinhos - 2013 - Ainda fã de Raimundo Fagner (muito!)

segunda-feira, 21 de outubro de 2013

SILÊNCIOS II

SILÊNCIOS II

De vento no corpo
de boca sem sal
de braço no lençol
de luz sem livro
de chão sem palco
de estrela na cama
do chinelo sem pé
de alma no céu
de voo sem sol
do tempo do coração.
Do nada sem riso
da voz no papel
do lápis
sem verso.
Da hora
sem
corda
sem
violão.
Do caminho
da névoa
da areia
na
palma
da
mão.

regina vilarinhos - hoje, à procura do silêncio
imagem: Thomas Baccaro




segunda-feira, 14 de outubro de 2013

CAFÉ

Café

A desculpa
do passei aqui
do boato
da paixão
da ida e
da volta.
Pra quebrar o gelo.

Pra te ver.

A fiel bebida
do músico
do médico
do caminhoneiro
da mãe
do aluno
do professor
do poeta.

O dono
da insônia
da vontade
do verso
do nome
da poesia.

regina vilarinhos

quinta-feira, 3 de outubro de 2013

FLIVA - I FEIRA LITERÁRIA DE VALENÇA

A FLIVA, que começa amanhã (04/10) terá a presença da poeta Regina Vilarinhos! Ela traz seu livro artesanal "A chave e a senha - Pequenas porções de Poesia".

Às 16h30, na Tenda dos Autores.