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quarta-feira, 23 de novembro de 2016

terça-feira, 18 de outubro de 2016

Navegue neste mar de temores
e finja não entender os uivos do vento
os gritos das tempestades,
que atravessas de mãos dadas
com Netuno.
Quem te salva da dor?
Quem cura a ferida sangrenta?
Finja acreditar que sabes ler o céu cinzento.

Pertences ao inferno, esqueceste a tua ira.
Velas e lemes não te salvarão.


2011

sexta-feira, 14 de outubro de 2016

Lá fora tem um vento, um frio de tempo
frequenta meus dias com tanta força.
Uma atrevida cigarra quebra o gelo
do silêncio.
Sozinha de árvores, no poste de luzes
se arvora em canto.

quinta-feira, 13 de outubro de 2016



Quando amadureci a suavidade do amor em mim, a vida passou a ser também suave. Até mesmo quando penso amar sozinha. Porque dou amor e recebo o sorriso dele de volta. Porque salvei o nome dele em mim, em muitas tentativas de esquecê-lo. Porque é amor. 
E cabe dentro do peito e na palma da mão, livre.

QUEM TEM DEUS



Perde-se o sentido de tudo, diante de um poema.
Vê-se no espelho mudo o mau que atormenta.
Ouço a voz das montanhas de Minas,
a trazer as cantigas e o badalo dos sinos,
da cidade de praças, igreja, escola e cadeia.
Plantava-se casas e café. Bananeiras também.


O amor transcendeu pela janela e invadiu as estradas que
carreguei em meus pés.
Tinha aves nos olhos,
e sonhos nas mãos, a espalhar pelos versos.
No dia azul, dentro da espiral da vida,
aprendi o gosto de sangue e sal.

Mas, amei. Infinitamente.
Coisas e criaturas que não se tangiam.

Tenho, hoje, uma noite fria sobre o pasto.
Dormem animais onde dorme o mundo.
Já não precisamos mais de máquinas.

terça-feira, 6 de setembro de 2016

COISAS SIMLES



A gente tem o texto e tem o direito de reescrevê-lo.  Revisado e arrumado.

Coisinhas simples
I

Praticamente todos os dias, ele esperava na porta do prédio. Quatro horas, passava na banca e pedia o "Extra". O Léo, jornaleiro, já deixava guardado pra ele. Atravessava a rua, parava do outro lado pra vigiar.

Só queria ver os dois saindo, mochila nas costas. O fone no ouvido deixava Manú distraída, o skate e o boné a faziam ficar cada vez mais parecida com Lucas. Ele puxava o boné de volta e a revelava, com seus cabelões castanhos.

Nem queria chegar perto. Tá certo que Belém é longe, sair do Galeão pra pegar a Linha Vermelha é um saco, subir a Serra pior ainda. Mas esperar 6 anos para tomar uma atitude é muito. Depois de ver os olhos negros de Manú nas fotos, é que tomou coragem de vir. Queria saber como era sua voz, como o Lucas batia a porta do carro, como era acordar e pegá-lo roubando a geladeira.

Sem chance. Enquanto durassem suas férias, era só isso que iria fazer. E sentia-se feliz de vê-los assim.

II

Ela sempre gostou de meninos. Meninos que podem ficar sujos e a mãe achar normal, meninos que ficam sentados à frente da TV e ninguém pede pra estender a roupa, desligar a panela de feijão, "atende a campainha!". Ela queria ser menino assim. Ela só queria entender porque ela e não ele. Lucas nem sabia o preço do nescau, porque era ela quem comprava quando acabava. Bendito apartamento no terceiro andar, fresquinho, mas sem elevador.

Manú:
- Só isso, mãe?
- Se eu me lembrar, te ligo no celular.

Na calçada, era a hora de se entregar às idéias mais loucas. Ia direto à padaria, pra sentir mais rápido o cheiro de pão doce com côco. As bandejas de pães estão tão à vontade que parece que tudo é de graça. Ah, nada como roubar um sonhozinho. Só de vez em quando. A última vez que fez isso sorriu sorrateiramente para seu irmão, que foi junto por causa de uma revista de surf pra comprar no Léo. Ele dava de ombros. Quando chegava à banca, Manú deixava-o à solta com as revistas e ficava vendo a rua, com suas gentes esquisitas. Os carros, os loucos que dirigem carros.

A sua Kombi estava bem diante de seus olhos, como ontem. Só não entendia aquele cara com o jornal na cara, parado na porta do outro prédio. Será que a Kombi é dele? Vai vender? Era exatamente o que ela e as amigas estavam querendo, vermelha e branca, 74, com aquele farolzão.

Pensou em perguntar ao Léo de quem era, mas o Lucas estava mais uma vez puxando o boné (ela adorava se esconder nele), e querendo que ela entendesse que o skate é sua alternativa para o surf.

- Ainda vamos ter uma casa na praia e, até lá, eu saberei tudo sobre ondas. Já imaginou, Manú? Seu brother na prancha e você pegando geral na areia?
- Qual seu “brema”? Que areia, que onda? Vai pra casa, leva seu nescau. A mãe tem que ir pro trabalho e já tô voltando.

- Ih, pirou... você ficou bolada nessa Kombi, hein? Fui!


Ele via a cena, saia de seu posto de todos os dias e entrava na sapataria pra disfarçar. Ela chegava perto da Kombi, olhava pelo vidro do motorista, na janela de trás e voltava, se abaixando... Pegava o celular, fotografava. Ele queria saber o que ela queria com um carro velho daqueles. Deve ser do jornaleiro e ela fica falando com ele sobre isso.

Lá vai Manú, de volta ao prédio, com o fone no ouvido. Ele volta para a calçada. O Léo vê tudo, arrumando as revistas de novo.

quarta-feira, 17 de agosto de 2016

MANSÕES SÃO INÚTEIS


Janelas e portões, que vivem fechados.
Salas vitorianas
onde se juntam bocas soberbas,
tramando controles.
Cantos escuros escondem
conversas sorrateiras de perde-se tempo
e de matar o tempo.
Objetos distantes trocam mesuras
entre si.

De quem serão as suas memórias?
Dos empregados ou dos cães?
Ou de herdeiros inúteis?
Mansões só servem para hospedar vinhos e livros.
Ou para se ter pomares e jardins.
Neles, o sol e o nevoeiro tramam parcerias.
Mansões são prisões.
Nelas, se morre todos os dias
nos quartos frios,
sobre lençóis de mil fios,
inúteis.
regina vilarinhos - 2016

quinta-feira, 11 de agosto de 2016

Babilônia


Bateu a sede e a fome do
ouro, depois da noite de whisky e sexo.
Figos, café, pão sem glúten.
Cigarro, porque não é de ferro.
Jornal, porque é esperto.
Janela, porque é de frente para o mar.

Carregar o espelho,
cegar o espantalho,
riso sonoro para o fogo.
Call me John.
S'il vous plaît.
Check-in Cidade de Deus.
regina vilarinhos - 2016

terça-feira, 12 de julho de 2016

Foto na varanda tem sol

Tem sol, tem fundo azul de céu.
Foto na varanda tem a casa no fundo também. A casa tem a
varanda para sorrir, ela espera pela foto sempre.
Um cachorro ou um gato na janela, estão sorrindo?
As plantas penduradas e as cadeiras de ferro, simétricas e brancas.
Foto na varanda tem lembrança de domingos,
de lasanhas e doces-de-leite. Jornal caído no chão.
Porque uma varanda precisa de mulheres nela
e de pedaços de histórias cuidadosamente caídas nos farelinhos de bolo no chão.
O alpendre.
- Onde estão meus óculos?
- No alpendre, vó.
Foto na varanda tem que ter sol, sô!
regina vilarinhos - 2016

terça-feira, 28 de junho de 2016

FLIP 2016 e as vozes que são esquecidas

A programação da FLIP 2016 está voltada para a mulher e a poesia. Ana Cristina César é a homenagem deste ano.
Não vou desde 2015. Não tenho mais gás e energia pra ir, rodar pelas pedras, mostrar meu trabalho. Nem mesmo para a OFF FLIP tenho mais tanta vontade assim.
Mas hoje encontrei esta carta, que é importante divulgar e provocar o debate.

Carta aberta à Festa Literária de Paraty

UMA EREMITA URBANA

Desapeguei. Parti. Caminhei em outra direção.
Falo só para mim. Escrevo só para mim.
Minha casa e meu café, alguns poucos amigos e amigas.
Minhas plantas e meus quadros.
Poesia em volta de mim só meus livros, meus discos e meus bichos. Nada mais?
Os sabores que faço, os ventos que me sugerem cantos, os perfumes e sons que entram pela minha janela.

O que se quiser dizer, que se diga.
O que se quiser julgar, que se julgue.
Suportarei o convívio comigo mesma.
Sem medo da doce solidão sem tédio.
A elegância do céu azul ou cinza, eu escolherei para meus dias.
A companhia das estrelas.
O que será escuro não será significado de noite para mim.
E daqui a alguns anos ou meses, se quiser fazer tudo de novo, eu faço. Desapeguei de algumas datas.
Que eu seja cada vez mais a energia que produz paz; que eu seja cada vez menos a justificativa dos outros.
Quero ser para mim o que tenho me pedido desde a adolescência.
“Nonada”. E depois dela, um todo de mim.
regina vilarinhos

quinta-feira, 23 de junho de 2016

Haicai

Haicai
Colibri colorido
é um beijo no
umbigo.
Beijo na chuva
é a trama da
vulva.
Jujuba e beijo
um doce e um
desejo.
Arrepio com jeito
beijo dado no
peito.

quarta-feira, 25 de maio de 2016

Que magia posso eu ter nas mãos,
para enfrentar a página em branco,
o mar de sons que sopram em meus pensamentos?
O lugar desconhecido de que me falam
e não busco bússola?
Outra vez tenho um minuto só pra transferir
o intransigente último verso
antes de chorar.
Uma das melhores sensações do mundo,
da eternidade,
é o poema a sair da partitura
e ser das cordas.
regina vilarinhos - 2016

Das dores

DAS DORES
Deu um jeito no peito e rompeu os ligamentos com a tristeza. Vai ficar de sorriso aberto durante o resto do ano. Tratamento intensivo.
regina vilarinhos - 2015

Do dia

DO DIA
Arrumar o guarda-roupa e encontrar coisas perdidas. Bagunçar a alma e buscar poesias escondidas.
regina vilarinhos - 2015




Eu tenho vontade de ser grande.
E tenho também a vontade da eternidade.
Tenho a imensidão do por do sol todos os dias
e a poeira das estrelas nos sonhos.
Uma voz soprando versos.
Uma mulher, apenas.

Céu céu céu

Céu, céu, céu
por dentro e por fora,
fez azul,
fez vento
e foi embora.

Ocupação


Você que vem de bomba, gás
e preconceito,
te cuida rapaz:
tudo explode
é dentro do teu peito!

quinta-feira, 19 de maio de 2016

A casa
tem luz e café
um dia de fazer pão
um dia de ser mel.

regina vilarinhos - 2016

Existir


Quero fazer parte do
cantinho da estante.
Ser o que faz
brilhar o teu instante.

regina vilarinhos - 2016
Elas caem, quase amarelas,
e o peito sente o perfume forte de céu.
O verso que deixam no caminho
pousa suave no papel.

regina vilarinhos - 2016

Cura Oxalá


As mãos que tecem lindas palavras na internet e batem no rosto do oprimido.
As pernas que caminham pela saúde cedo e chutam o rosto do negro, no poente.
Os olhos dos pregam e distribuem milagres e roubam a alma dos humildes.
As línguas dos sábios que escarnecem da fala dos que possuem sabedoria popular.
A moradia dos que doam agasalhos no frio e cortam os dedos de crianças nas lavouras.
A sede dos que cercam nascentes e cobram a água de quem vive no cerrado.
Os sonhos dos presos em grilhões e chibatas, que escrevem o dia a dia nos seus equipamentos de última geração.

Cura ainda, Oxalá, a mente preconceituosa dos que fazem jejum, comungam todo domingo, penitenciam o corpo, levam flores pro santo, ajoelham-se nas brasas mas proíbem o amor de qualquer ser vivo, neste planeta.
regina vilarinhos - 2016

quarta-feira, 27 de abril de 2016

Passa Quatro


Rua de cima, rua de baixo. Artesanato, bolos, feirinha, café, cachaça, padaria, casas, hotel, queijo, doce de leite, voo livre, trilhas, chafariz, praça, banco de pedra, mercado, lojinha, igrejinha, caminhos, fórum, jardins, tapete de flores, procissão, festivais, carnavais, exposição, borracheiro, bicicletas, carroças, carros...
Paralelepípedo.
Cachoeira, rio, verde, araucária.
Flores, beijos e amores.
Pátio, vagões, linha férrea, ponte, trem, maria e fumaça.
A estação fica no centro da cidade.
Ou melhor dizendo, a cidade vive no centro da estação.

segunda-feira, 18 de abril de 2016

GAIA



Gaia fecunda de energia.
Gaia de todas as vozes
que sussurram paz e vida.
Gratidão.
Gaia que estende a mão
e toca a fonte da ternura
renovando a passagem da humanidade.
Origem e futuro.
Gaia me dê a força e
por ela seguirei.

segunda-feira, 4 de abril de 2016

sexta-feira, 18 de março de 2016

Cordel


Quando era criança,
Não tinha web
Nem cable tv.
Era Globo e SS
E a porta da esperança.
O que assistia
achava que valia.
Rede vendida e idolatrada,
Fazia e acontecia.
Hoje, sou coroa.
E, por mais que te doa,
Ouço e vejo
tudo o que desejo.
Ainda a novela
Mas sem o principal.
Fujo, noite e dia,
Do jornal nacional.
Vestiram a mortalha.
Quem não é do seu time,
Vira tudo petralha.
Penso e existo e da
democracia não desisto.
Não importa voto,
Fascista eu enxoto!
Viva o respeito
ao Estado de Direito!
regina vilarinhos - 2016

terça-feira, 15 de março de 2016

Saudade


Como palavras perdidas na estante
esperando para se aquecerem nos livros.
Como braços doloridos de frio,
como pernas cansadas da neve.
Como doidos calados em seus hospícios
internos.
Como fonte e desejo,
como leão e domador,
como música e ouvinte.

Como tecelã da tristeza que guardei,
como estar em frente ao fogão à lenha
pedindo um pouco mais de doce
à mãe.
Como olhos que veem a estrada.
regina vilarinhos - 2015
"Ó Deus lhe pague a boa esmola, que me deu de bom coração!"
Não me lembro de ter visto uma Folia de Reis quando era criança. Onde morávamos não tinha.
Só recordo meu pai cantarolando as trovas.
"Lá vem Sá Maria Ladeira, sentada na sua cadeira/fiando seu algodão/ algodão ora demos com a bunda no chão!"
Não fui criada em terra de trovador, cordelista, ou violeiro.
Meu pai teve muito disso na sua infância, lá nos Campos Gerais, nas terras de Pitangui e Bom Despacho. Por causa dele, aprendi o que é origem.
A voz dele habita meus versos e prosas.

segunda-feira, 7 de março de 2016

As casas conversam 2


Fui conhecer o canto forte do vento quando morei à beira-mar, na Praia da Costa, em Vila Velha. Meados dos anos 80, era jovem e fazia pré-vestibular. De dia, eu ouvia as ondas conversando com a areia. O apartamento era no décimo terceiro andar, janelas grandes, de correr, esquadrias de madeira. Elas batiam muito quando vinha o vento sul. Esse é o vento da chuva, que muda o tempo no litoral. Tinha medo, no começo, era um uivo forte, principalmente à noite. Dormia sozinha em meu quarto, cuidava de colocar papéis nos batentes, para não ouvir a conversa do vento com as janelas e as portas. Mas ouvia. Em alto mar, ele soprava mais ato, e falava com as sereias, com os marinheiros, com os pescadores e com os peixes. Sempre que virava o vento sul, eu sabia que teria uma longa noite.
Eu ouvia. Posso ouvir ainda. Acho que eram Netuno e Yemanjá trocando juras de amor.
O vento habita minha memória.


regina vilarinhos - 2016

As casas conversam


Sinto muita falta de algumas casas que já morei.
Desde minha infância, os lugares conversam comigo, ouço seus sussurros. Uma rotina é ouvir as árvores do quintal lá da Vila Santa Cecília, soprando o fim do domingo cheio de gente em casa. Ouço a voz dos quartos sendo ocupados por adolescentes preparando os uniformes da segunda. Uma falação da missa na igreja bem próxima também chega na lembrança.
Aqui, nesta nova casa, esses novos sons começam uma outra memória. O som da chuva no jardim me deu essa saudade hoje.
São as conversas das casas que me habitam.
regina vilarinhos - 2016

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2016

PRÊMIO OLHO VIVO - Melhor Poeta 2015

No dia 19 de fevereiro, foi a noite de entrega do Prêmio Olho Vivo 2015.
Recebi o Prêmio de Melhor Poeta 2015.  São muitos agradecimentos e lembranças para serem fetias.
Gratidão ao Vilarinhos e Ignez Vilarinhos. Gratidão ao Sr. José Luiz, que há 40 anos criou o Glan. Gratidão aos professores Antonio Carlos Santini, Profpaluma Profpaluma e Maria Luiza. Gratidão Rastero, nosso poeta primeiro. Gratidão à Acad Volta-redondense de Letras.
Que a poesia esteja sempre em pauta na cultura de nossa cidade. Que possamos ocupar os espaços e que a mídia local se lembre de nossa existência.

 Prêmio Olho Vivo


terça-feira, 19 de janeiro de 2016

Na parede, os relógios não mudam.
Sô Wilso quebra a regra
e a fazenda se entrega.
Na aurora nebulosa, galos e passarinhos cantam.
À mesma hora, o leite se derrama no curral
e o cheiro do café se repete no alpendre.
Na tardinha, a chuva atende ao pedido das siriemas e chove.
No canto, na janela e no poema.
Tudo tem o tempo de Minas.


regina vilarinhos - 2016

segunda-feira, 18 de janeiro de 2016

A xícara quebrada e depois de remendada, não é colocada em uso.
Não faz parte mais da louça.
Quebrou, joga-se fora.
Fica a metáfora, uso como poeta.
O café bebo em silêncio e solidão.
Como o rio de Heráclito, eu não sou mais a mesma.
A correnteza que passa já provocou uma nova mulher. De que vale estar na vida sem crescer com ela e acreditar no grande final?
De tantos nascimentos, de tantos falecimentos, eu me renovei e ouço novas canções, amo novos amores, respiro um ar de crianças, refaço os laços de afeto.

Pra dançar mais e muito, como o sangue que bombeia e volta e vai de novo e volta. Nada em mim para, tudo é para sempre. O meu sorriso é a maior verdade.

sexta-feira, 15 de janeiro de 2016

Uma vez só te vi.
Mas foi muito tempo até te
reconhecer.
É longo o tempo da alma.
É longo o tempo do amor.
Pequena é a vida neste azul.

regina vilarinhos - 2015

OURO DE MINA

Ouro de Mina

Se os peixes morreram,
se o rio morreu,
se as plantas morreram,
se não tem larvas de insetos vivas,
se não tem nada sobre a terra atingida.
Onde vão cantar a saíra e o sabiá?
Daqui, onde posso contemplar a chuva
quando ela se aproxima,
também posso pedir que ela me leve,
me lave,
me deixe subir no vento,
ou cair sobre o rio.
Feito lágrima
de algum
sofrimento.

regina villarinhos - 2015

PITADA


De farinha,
na galinha,
na vizinha.
De azeite,
no leite,
no enfeite.
Na fruta,
na truta,
na luta.
No bolo,
na bala,
na fala.
De calor,
de flor,
de amor.
No feijão,
no pão,
no coração.
No café,
no cafuné,
no pé.
Num é?
regina vilarinhos - 2015
O barulho da alma inquieta não te deixa ouvir a vida.
A brisa também é boa. Não se pode ver tempestade sempre
Do amor a alcançar só o gosto e o nome.
Da lua a pedir só o raio.
De dentro da alma,
De fora da verdade
E em volta da tarde
Uns bons goles de vida
Saída pra quando vem
O moço rei desse campo.
Tem uma linha da mão traçada
Para sua felicidade.

regina vilarinhos - 2015

VIAGEM


Tenho céu a me cobrir
e tenho palavras com asas,
cada uma pousando onde querem.
Não posso ir junto
mas sinto-me céu,
cada vez que tua voz
nelas põe vida.
regina vilarinhos - 2015