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quarta-feira, 25 de maio de 2016

Que magia posso eu ter nas mãos,
para enfrentar a página em branco,
o mar de sons que sopram em meus pensamentos?
O lugar desconhecido de que me falam
e não busco bússola?
Outra vez tenho um minuto só pra transferir
o intransigente último verso
antes de chorar.
Uma das melhores sensações do mundo,
da eternidade,
é o poema a sair da partitura
e ser das cordas.
regina vilarinhos - 2016

Das dores

DAS DORES
Deu um jeito no peito e rompeu os ligamentos com a tristeza. Vai ficar de sorriso aberto durante o resto do ano. Tratamento intensivo.
regina vilarinhos - 2015

Do dia

DO DIA
Arrumar o guarda-roupa e encontrar coisas perdidas. Bagunçar a alma e buscar poesias escondidas.
regina vilarinhos - 2015




Eu tenho vontade de ser grande.
E tenho também a vontade da eternidade.
Tenho a imensidão do por do sol todos os dias
e a poeira das estrelas nos sonhos.
Uma voz soprando versos.
Uma mulher, apenas.

Céu céu céu

Céu, céu, céu
por dentro e por fora,
fez azul,
fez vento
e foi embora.

Ocupação


Você que vem de bomba, gás
e preconceito,
te cuida rapaz:
tudo explode
é dentro do teu peito!

quinta-feira, 19 de maio de 2016

A casa
tem luz e café
um dia de fazer pão
um dia de ser mel.

regina vilarinhos - 2016

Existir


Quero fazer parte do
cantinho da estante.
Ser o que faz
brilhar o teu instante.

regina vilarinhos - 2016
Elas caem, quase amarelas,
e o peito sente o perfume forte de céu.
O verso que deixam no caminho
pousa suave no papel.

regina vilarinhos - 2016

Cura Oxalá


As mãos que tecem lindas palavras na internet e batem no rosto do oprimido.
As pernas que caminham pela saúde cedo e chutam o rosto do negro, no poente.
Os olhos dos pregam e distribuem milagres e roubam a alma dos humildes.
As línguas dos sábios que escarnecem da fala dos que possuem sabedoria popular.
A moradia dos que doam agasalhos no frio e cortam os dedos de crianças nas lavouras.
A sede dos que cercam nascentes e cobram a água de quem vive no cerrado.
Os sonhos dos presos em grilhões e chibatas, que escrevem o dia a dia nos seus equipamentos de última geração.

Cura ainda, Oxalá, a mente preconceituosa dos que fazem jejum, comungam todo domingo, penitenciam o corpo, levam flores pro santo, ajoelham-se nas brasas mas proíbem o amor de qualquer ser vivo, neste planeta.
regina vilarinhos - 2016