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quinta-feira, 30 de agosto de 2007

Socorro!!

20/08/2007

Hoje é dia de escrever mais. Aliás, sempre é dia de escrever mais, já que a fala está embutida, agarrada na faringe, estremecida nas nossas relações do dia-a-dia. O ano já passou, agosto se foi, e mês que vem veio a galope. Tudo pra nós já é ontem e pouco sobra para amanhã. Quem pode dizer o que é hoje? Acredito que hoje é o cara, aquele que ninguém denomina, ninguém viu, ninguém vê. Mas ele tá aí, pertinho, encostando o cano na nossa cara e nos tirando o nosso melhor, o nosso AGORA. Quem consegue limpar os olhos e enxergá-lo depois da fumaça? Alguém aí consegue gritar socorro?

Será que existe um tempo em que alguém pode nos socorrer? Será que tem alguém que pode nos socorrer? Nem mesmo sabemos qual o socorro que queremos, de como ele pode ser, mas ele tem que vir. Socorro financeiro? Socorro afetivo, emocional? Socorro médico, pajelança, benzedeira de mal olhado...qualquer um que faça a dor passar. Até mesmo a dor ausente, aquela que se pressente que vai dar cria já já. Enquanto esperamos este bombeiro-paramédico-afetivo-monetário-psico-sexual-efervescente, escrevemos e mandamos centenas de emails de correntes, novenas, auto-ajuda, mantras, que no assunto disfarçamos a palavra que grita na garganta:SOCORRO!

Um comentário:

  1. Socorro é pouco. Acho que temos que correr, ir embora, ir embora de si, ausentar-se, deixar de temer o caos, pois cada dia entendemos que o dia anterior merece mais respeito e elogio.
    Tô gostando do espaço. É poesia para esfregar, escorrer, deleitar e lambuzar.
    E por falar em tempo melhor, sou testemunha de que o tempo foi melhor até para sofrer, veja (ou melhor, leia:)

    Sol branco
    ceu azul
    flocos bilhantes
    brisa delicada
    temperatura própria
    para sair de mim
    e flutuar
    como num aquário.
    (02.4.84)

    Quanto mais
    acelera o tempo atrás da vida,
    fica,
    cada vez mais atrás.
    (1986)

    Eu era personagem da história que eu mesmo contava e bebia das caras, sorrisos que eu mesmo vivia, entre músicas, mesas e máximas.
    (1986)

    Preferia não ter papel nem caneta
    e sim amigos à minha volta.
    Ao invés de poeta seria feliz.
    (09.08.80)

    Na torrente do tempo
    o homom agarra
    petrechos de vida.
    (01.12.83)

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