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domingo, 27 de novembro de 2011

Moto Contínuo

Enquanto o dia adormece
todos os dias...
Cada vez que o sol abre teus olhos
todos os dias...
fica essa vontade de voar
pousar no meio do circo
e fazê-lo pegar fogo.
Cada palavra presa entre os lábios
todos os dias...
A distância que nos afasta
todos os dias...
leva para além os meus sonhos,
onde toca a música dos meus desejos.

O olhar que não brilhou
todos os dias...
Tantos abraços que foram perdidos
todos os dias...
Deixaram um vazio de ti
somaram a saudade em mim.

regina vilarinhos

domingo, 20 de novembro de 2011

Tempo de sentir Para Kalu e Cristina


Eu estou vendo o tempo passar
não como seu prisioneiro
nem como um tonto.

Vendo-o passar,
no nascer e por-do-sol,
na brisa do mar, no canto do vento.
Esse meu tempo
em que beijo o luar
que sonha na minha janela.

Eu sou seu dono
e minhas mãos que guardam-no.
O resto desse tempo
nos olhos de minha amada
compartilho a luz da felicidade.


regina vilarinhos


Estoy viendo pasar el tiempo
no como un preso
o como un tonto.

Al verlo pasar,
al amanecer y al atardecer,
en la brisa del mar, el viento en la esquina.
Este es mi tiempo
donde la luz de la luna beso
soñando en mi ventana.

Yo soy el dueño
y mis manos la guardia.
El resto del tiempo
a los ojos de mi amada
compartir la luz de la felicidad.

sexta-feira, 18 de novembro de 2011

sexta-feira, 11 de novembro de 2011

SARAU POESIA EM VOLTA - 9 DE NOVEMBRO DE 2011


O público que ia chegando e se aconchegando.


Cláudia, Marcelo Felício, eu mesma e o Fox. Do bem essa raposinha.

Ramon e sua estreia na poesia. Poesia em Volta faz isso e mais.


Nadia lendo poesia do Tarcísio.

Tarcísio se abrindo em versos.





Giglio e seus poemas e sua atitude e sua verdade.



Marcelo Felício - testemunha presencial do 9 de novembro de 1988
Sarau sem amor não fica bom.

Bernardo Maurício que nos fez a surpresa.

A reverência dos jovens


Amigas sempre são bem vindas.
Claudia contando as histórias dos arigós em Volta Redonda.

Ataque

No canto do galo, tomaram a rua,
mochilas pesadas, cabeças em brasa,
o que pesava era a alma,
o peito, descompassava.

Sumiram na neblina, cinco para o norte,
seis para o sul, dois no leste.
No comando, de dentro da van,
o mais forte.

Lá no campanário, pronto.
Também na torre, no alto do morro,
faltavam dois.

Porteiro abriu o prédio.
Roleta, elevador, hall,
janela.

Mochilas abertas.

Elas voavam, muitas,
milhares delas, caiam
sobre as árvores, nos outros prédios,
sobre as cabeças.

De todas as cores, tamanhos
e leves,
elas, as poesias.

terça-feira, 8 de novembro de 2011

Até logo, companheiros!

ATÉ LOGO COMPANHEIROS
Brasil Lul Diogo

Passos largos
nas botinas operárias
levando fortes braços
para a dura produção
- na testa a confiança na luta –
lá vão eles,
lá vão eles para dentro da usina.

Qual é o turno,
qual é o turno,
qual é o turno?
Um é das oito,
outro das quatro,
e um ainda da zero
hora da manhã,
do amanhã que não veio mas que um dia virá.

Oito horas depois todos saem,
para a rua, para casa.

Ontem três entraram
mas não saíram.
Dobraram? Não. Tombaram.
Já vi sangue em cima dos trilhos
de aço que o obreiro forjou.
Já vi operário partido nos trilhos.
Mas agora, o que vejo?
Vejo operários morrendo
na forja do aço que é seu.
Amanhã, os das oito,
das quatro e da zero
hora de outro amanhã,
forjarão trilhos com sangue,
mais minério que vem de Minas
e o carvão que vem do sul,
com nova consciência de luta.

Já vi meus irmãos morrerem de fome,
por falta de emprego.
Mas agora, o que vejo?
Vejo patrícios morrerem no emprego,
das balas covardes
que o povo pagou.
Até já, companheiros!
Junto aos teus órfãos e viúvas
aqui ficaremos,
mas sem silêncio,
sem silêncio.

quinta-feira, 3 de novembro de 2011

Em caráter irrevogável

Em caráter irrevogável, eu hoje não quero roubar, corromper, mentir barato, bater em cachorro morto, passar trote pra ninguém.

Em caráter irrevogável eu não quero desacreditar nos meus eleitos, nos caras que eu conheço de perto, no ponto de vista de quem sabe como é difícil acreditar em idealismos. Em caráter irrevogável, eu não quero acreditar que é tudo farinha do mesmo saco.

Em caráter irrevogável, eu não quero ouvir pagode, funk, pancadão, música axé, nem hoje, nem amanhã, nem depois de amanhã.

Em caráter irrevogável, eu hoje não quero ouvir nem ler noticiário político, eu hoje não quero ficar lendo tolices no twitter, eu hoje não quero pensar que somos todos idiotas.

Em caráter irrevogável, eu não leio mais artigo de gente que se delicia em fazer da acidez seu alimento diário. Eu não quero ler artigo de quem se julga entender daquilo que não entende, começando sua fala mais apurada com "essa juventude de hoje" ou "o jovem não sabe o que quer".

Em caráeter irrevogável, eu quero estar bem perto da minha família, aquela mesma de sangue. Eu quero saber que meus amigos são bons, mas quem sabe de mim mesmo é minha mãe e meu pai.

Em caráter irrevogável, eu quero estar bem.