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quinta-feira, 30 de agosto de 2007

Nalgum lugar


E. E. Cummings



nalgum lugar em que eu nunca estive,

alegremente alémde qualquer experiência,

teus olhos têm o seu silêncio:no teu gesto mais frágil

há coisas que me encerram,ou que eu não ouso tocar

porque estão demasiado perto teu mais ligeiro olhar facilmente me descerra

embora eu tenha me fechado como dedos,

nalgum lugarme abres sempre

pétala por pétala como a primavera

abre(tocando sutilmente, misteriosamente) a sua primeira rosa o

u se quiseres me ver fechado, eu e minha vida

nos fecharemos belamente, de repente

assim como o coração desta flor imagina a neve

cuidadosamente descendo em toda a parte;

nada que eu possa perceber neste universo iguala

o poder de tua intensa fragilidade: cuja textura

compele-me com a cor de seus continentes,

restituindo a morte e o sempre

cada vez que respira (não sei dizer o que há em ti que fecha e abre;

só uma parte de mim compreende que a voz dos teus olhos

é mais profunda que todas as rosas)

ninguém, nem mesmo a chuva, tem mãos tão pequenas.

música de Zeca Baleiro - cd Líricas

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