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sexta-feira, 25 de julho de 2008

Vizinhos não saem de férias com a gente




Fui à Paraty, na OFF FLIP, o circuito paralelo de idéias, produzido por uma equipe super envolvida com a cultura local. Fui convidada para expor meus poemas, na sede da OFF, junto com artesanato caiçara, trabalhos de ONG´s, massagem oriental, café literário e outras atrações que envolveram os cinco dias em que Paraty ferveu de turistas, por conta da FLIP, o evento oficial.

Lá, fomos recebidas por Luiza, Olga, Ovídio (coordenador literário da OFF), por Luara, Ronaldo, Lia Capovilla, e muitos mais. O carinho que nos deram foi inesquecível. A cidade nos abria um mundo de emoções coloridas e fortes e eles nos providenciavam afeto.

Cinco dias em convivência com sonhos, com gentes de tantas origens e culturas, com caminhos de pedras e contos, de poesia e também de música. Violões e saxofones, pandeiros, chocalhos, uma orquestra de berimbaus, uma infinidade de ritmos. Roda de poesia à noite, na frente da igreja N. S. do Rosário, com o “Poesia Simplesmente”, os “Ratos di Versos”, cordel, “Poesia Maloquerista”. Picareta cultural, praça de oficinas, Elisa Lucinda, Afonso Romano de Sant´anna, Liz Calder, Mano Melo... E assim foi o final de semana, fechado com um sarau em alto mar, num passeio realizado pela equipe da OFF FLIP.

Hora de dar “até o ano que vem, Paraty!” E voltar à Volta Redonda, a cidade que me acolheu como filha, me chama de poetisa e que me cerca de amigos e amigas, como a Jussara que nos acompanhou na produção e realização de mais um “Poesia em Volta”. E quando estou de volta, ainda de folga, entendo como a gente sempre programa férias junto com os filhos, com os pais, com o marido... mas nunca com o vizinho, ou com os vizinhos. E percebo que a arte de escrever e conhecer culturas e gentes diferentes nos deixa sempre com a sensibilidade aguçada para tudo. Principalmente para eles, os vizinhos.

Ainda não possuo carro, não ligo/desligo o alarme as seis da manhã, não acelero na garagem, não buzino pra chamar ninguém (nem pra me despedir). E não coloco música alta enquanto lavo o carro nos fundos do prédio. Será que é um privilégio de meus vizinhos me terem por perto? Sei lá, mas também não sei o que é andar pelo apartamento batucando o chão com o salto do sapato. Ouvir as gargalhadas de vizinhos é legal, sinal de que estão felizes. Mas tem gente que gosta de rir alto, em alta madrugada, debaixo da sua janela. Isso em prédio de três andares, com poucos moradores. Imagino como deve ser em condomínios maiores. Acho ótimo morar longe da capital. Quem mora em andar térreo sabe do que estou falando.

Não deve ser diferente morar em bairros bacanas, pois as festas também trazem transtornos aos outros moradores da mesma rua. Tem gente que acha que pode fechar entrada de garagem na maior cara de pau.

Alguém pode estar pensando que quero fazer um “Irritando Regina”, para ir ao ar em uma TV local, mas engana-se. É apenas uma forma bem humorada de dizer que não consigo dormir até tarde de manhã cedo, e nem dormir cedo à noite, mesmo estando de férias. Talvez se me isolasse no meio do mato poderia dar certo. Depende dos bichos da fazenda de meu primo... Bom mesmo é poder viajar pela leitura e abstrair. Quem sabe em Pasárgada férias são coletivas? Dicas de boa vizinhança no site: http://www.netmarkt.com.br/aprendendo/apre87.html.

regina vilarinhos

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