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terça-feira, 7 de outubro de 2008

Separados

Era muito fácil perceber que o vinho de ontem ia ter gosto de adeus.
Eu é que quis que a taça derramasse em você. Pode brigar, eu sei que faço esse jogo mesmo. Sou, ou tento ser, aquela que planeja tudo. Você chega e finje não perceber nada. Você está cansado disso, eu sei. Eu também. Porque todas as manhãs que me deixei acordar ao seu lado precisavam ser pefeitas? A paisagem lá fora, o vento entrando de mansinho, o cheiro de erva-doce, o gosto de lábios, tudo tinha que estar no lugar certo. Mas, aí, vem o lençol e marca a minha pele, o meu cabelo fica do lado errado, minha irmã liga cedo demais e você se lembra da promessa de levar seu pai à missa.
Não teremos mais domingos...
Pode pegar seu livro do Carpinejar, "Canalha!", combina bem com você. Não vai ter mais nada mesmo na estante para você vir buscar. Só agora entendi porque me pedia uma "bolsinha de mercado, amor!" todas as vezes que voltava pra sua casa.
Os dias em Penedo vão virar digitais numa pasta qualquer no computador. Enquanto não me der vontade de deletar. Já mudei a senha no blog, não tem como você continuar postando como se fosse eu.

Minha vingança será ver você tomando café no bar, segunda-feira, correndo para abrir o ponto, com a gola da camisa amassada.

regina vilarinhos

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