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terça-feira, 28 de junho de 2016

UMA EREMITA URBANA

Desapeguei. Parti. Caminhei em outra direção.
Falo só para mim. Escrevo só para mim.
Minha casa e meu café, alguns poucos amigos e amigas.
Minhas plantas e meus quadros.
Poesia em volta de mim só meus livros, meus discos e meus bichos. Nada mais?
Os sabores que faço, os ventos que me sugerem cantos, os perfumes e sons que entram pela minha janela.

O que se quiser dizer, que se diga.
O que se quiser julgar, que se julgue.
Suportarei o convívio comigo mesma.
Sem medo da doce solidão sem tédio.
A elegância do céu azul ou cinza, eu escolherei para meus dias.
A companhia das estrelas.
O que será escuro não será significado de noite para mim.
E daqui a alguns anos ou meses, se quiser fazer tudo de novo, eu faço. Desapeguei de algumas datas.
Que eu seja cada vez mais a energia que produz paz; que eu seja cada vez menos a justificativa dos outros.
Quero ser para mim o que tenho me pedido desde a adolescência.
“Nonada”. E depois dela, um todo de mim.
regina vilarinhos

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