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quarta-feira, 18 de setembro de 2013

Pas de deux


O poeta dança sobre o mar de palavras.
Elas que jogam seus braços sobre o papel
e ele, refém, é levado.
O tom da música obedece o momento.
As mãos do poeta obedecem a coreografia.
Rodopiam,
vão ao chão,
se soltam
num salto,
caem de novo.
São puxadas pelo vento,
são deslizantes cisnes sobre a folha
e seus suspiros completam a cena.
Roto, suado, esvaído,
o poeta consegue, por fim,
levantar o lápis.
O fim da cena é
o ponto,
final.


regina vilarinhos

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