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quinta-feira, 26 de setembro de 2013

ÓCULOS!


Um tanto assim novo, moderno. Parecia ser parceiro eterno, sempre presente em momentos cada vez mais especiais, desde que os dois se conheceram, no verão passado. Ele, estiloso, de um charme especial. Ela, em fase de renovação, achava que não viveria mais sem ele, ali, bem juntinho.
Caía como uma luva, o encaixe e as formas fizeram dos dois um só, e não mais se separavam. Quando ia ao sol, ela deixava-o protegido, não queria correr o risco de prejudicá-lo.
Por várias vezes, os amigos elogiavam sua escolha e ela sentia-se radiante. Depois de anos tentando, buscando aqui e ali, finalmente havia acertado em gênero e grau, especialmente na cor, que foi o que a fez se apaixonar perdidamente por ele.
Certa noite, ao sair do reiki, ele a aguardava. O vento frio cortava o seu rosto e ela não sentiu vontade. Sentindo que não era o momento apropriado, preferiu ficar quieto, não questionou. Fizeram o caminho para casa rapidamente sem perceber o perigo que os rondava.
Meio que tonta e cansada, fechou o casaco, apertou o passo. Frio, fome, dúvidas. Ao chegar perto do semáforo, ela percebeu que tinha sido rude com ele e tratou de consertar a situação.
Tarde demais! Não, não podia ser verdade. Mas era.
Fez o caminho de volta pela rua, procurou por todos os cantos, no prédio... ele havia sumido, ela não sentiu...somente quando pôs as mãos no bolso do casaco...
E, sentindo que não ia segurar a emoção e o desgosto do momento, enfim acreditou no que o destino lhe reservara naquela noite fria de primavera, de 2013.

Perdeu-o! para sempre, lindo, vermelho e branco, seus óculos de grau, comprados em 10 parcelas e que ainda faltavam 4 para pagar.


regina vilarinhos


 

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