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quinta-feira, 20 de março de 2008

Na savana





O morrer e renascer fazem parte da grandeza de amar. Só conseguimos enxergar isso porque amamos demais, tudo em nós cheira a amor e quer amor. Por isso, a frase "Eu sou poeta e não aprendi a amar", é tão verdadeira. Nós não aprendemos a amar. Aprendemos a querer amar. Precisamos amar alguém ou algo ou tudo ao mesmo tempo. Pois esta intensidade só nos faz acreditar que estamos vivendo um dia após o outro, sem prestar atenção na qualidade de nosso amor por nós mesmas.

Quando chega o nosso homem, objeto do nosso amor do momento, nós somos um bichinho frágil. Quando ele parte, nós viramos onça e caçamos nossa presa. Parece que é tudo um jogo. E no final da caçada, os restos de nós mesmas ficam espalhados na savana. Não foi a presa que se feriu. Fomos nós. Os abutres nos rodeiam, fantasiados de pássaros lindos, esperando o último suspiro, que não sai. Curamos sozinhas nossas feridas.

E, claudicando, ofegando e nos lavando na água de nossas lágrimas, nosso olhar em volta acredita que temos amor de novo e podemos recomeçar a viver. Parece dramático, fim de mundo. Mas é assim.

Nos poucos momentos felizes que guardamos de cada um deles, vamos fazendo um tour em nós mesmas, em nossas savanas, preparando novas armas para o ataque e se esquecendo de aprender a defesa.

regina vilarinhos

Um comentário:

  1. Curioso, muito curioso, que eu tenha acabado de escrever um texto (foi à conta da palavra "savana", nele presente, que aqui vim dar), e que, de uma forma ou de outra, no final dos finais, a leitura dele vá de braço dado com a do seu!

    'Mesmo curioso, que na savana tenhamos sabido dizer algo assim. Do fim e do reinício!

    Não, o meu ainda não foi publicado. Sê-lo-à (creio) na edição de Maio do Minguante, revista de micronarrativas on-line à qual se pode ir dar pelo meu blog.

    Mas pronto... O que eu queria dizer está dito. Foi mesmo curioso!

    :-)

    Um abraço!

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