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terça-feira, 24 de junho de 2014

São João


Aproximava-se sempre devagar da fogueira. Sentia o calor no rosto e ia para trás de novo. Tinha medo dos olhos arderem com a fumaça, tinha medo de correr em volta do fogo, como as outras crianças. Os estalos da madeira pareciam seu coração festejando o São João.
Sentia uma alegria interna quando via o calendário mudar o mês e o colégio se enfeitar todo de bandeirinhas coloridas. Os ensaios da quadrilha eram para encher o coração de esperanças, porque ele a tirava como par, todos os anos.
Lindo, moreno, simpático e inteligente. Ela amava Ben-Hur. Podia ter nome mais lindo? Ela se achava feia, chata, sem graça. Mas dançava a quadrilha melhor que ninguém e ele gostava disso.
O dia da Festa de São João chegava. Eles dançavam, riam, comiam doces mil... Era a melhor noite do ano para ela.
Quando ia para casa, via as estrelas perdidas no céu. O frio e o vento estavam sempre juntos de seu rosto. Mas olhava assim mesmo, lá para o alto, e entortava a cabeça. Guardava o vestido caipira, esperando o próximo ano, a próxima dança. Torcendo para Ben-Hur estar sempre ali.
Um dia, ele partiu para outra cidade e os dois nunca mais rodaram o anarriê de São João.
Ficou a música dos balões subindo e enchendo o céu de luzes coloridas.
regina vilarinhos - 2014

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