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quinta-feira, 22 de maio de 2014

Encontros e navegação

Minha grande cidade do interior permite que se caminhe e se encontre. Ainda.
Nesta cidade, de tamanhos variados e de saudades escondidas nas esquinas, nos becos, nos elevadores e nas salas de espera dos consultórios, é que os encontros sempre se fizeram.
Encontros são o mote da vida.
São os amigos, os filhos dos amigos e aqueles outros amigos e seus filhos, que andaram por tantos lugares e, volta e meia, estão de novo à nossa frente.
Algumas vezes me parece que o que deu nó não foi a gente, foi o tempo. E estamos aqui nos encontrando e desatando um por um, a cada reencontro.
O longe é aquele lugar que não chegamos e o mapa de viagem me foi dado há pouco tempo. Eu, que não sabia ler mapas, estive usando bússolas erradas, deixei o navio à deriva em mar bravo. Retornei ao cais e reencontrei meu leme.
Um canto de sereia ainda teima em soar bem próximo.
É uma chance de navegar.
Mas ainda estou em terra firme, porque existe um encontro que ainda não aconteceu.
Eu espero, porque tenho a alma de poeta fingidor e não é minha esta dor de deixar o barco seguir sozinho.



regina vilarinhos

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