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sábado, 14 de abril de 2012

Criação coletiva -

Começamos bem. O Anderson (Ganso) já mandou ver nas ideias e deixou a sua contribuição:

Havia um silêncio incomodando muito no canto da sala naquela tarde. A cadeira em frente à janela, onde se avistava uma parte do jardim e a pequena calçada, emendada na rua, estava vazia.

Dora esqueceu o livro aberto, e o vento levantando suas folhas me chamou a atenção. Cadeira vazia, janela batendo. Corri para fechá-la com tanta vontade, como se protegesse alguém da friagem.

O relógio na parede, ao lado dos retratos, marcava mais de 3 horas, e seu tique-taque ecoava pelo ambiente. Meus papéis sobre a mesa também se espalharam com o vento e, enquanto tentava juntá-los, mais uma vez a lembrança de Dora me perturbou.

Quantas vezes pedi para que levasse o celular, um cartão de telefone, qualquer um dos dois, para que pudéssemos fazer contato quando saísse sozinha. Certo que não era uma criança. Mas criada no interior, sem vivência nenhuma de cidade, vivia se metendo em enrascadas. Esta última, porém, era mais que uma enrascada. Quase cinco horas fora de casa, tinha ido apenas tomar um sorvete no shopping. Não levou o celular. E não me ligava para dizer onde estava.

Voltei a escrever, a crônica estava adiantada e faltava só mais um ponto final. 



Anderson Couto (andersoncout@gmail.com) "Apesar disso, as idéias não fluíam. Bastava uma finalização, uma sacada inteligente para fechar com chave de ouro a crônica... mas Dora não me saía da cabeça. Pensei em mil alternativas para tentar descobrir onde ela estava. Nenhuma delas me pareceu eficaz. Me perturbava a impressão de que seu sumiço foi deliberado. Que Dora não levou o celular propositalmente. Ela não queria ser encontrada. E uma constatação pior ainda: ela não confiava em mim."






Vamos lá. Deixe sua contribuição, vamos fazer juntos esse conto. 

Um comentário:

  1. Era angustiante pensar em Dora daquele jeito. Os últimos dias tinham sido assim e eu precisava terminar meu trabalho, tinha prazos a cumprir, mas só havia Dora em meus pensamentos. As últimas palavras desapareciam, como Dora. As últimas palavras fugiam, como Dora. As últimas palavras escapavam, como Dora. Mas do que ela queria escapar? De quem? De mim? De nós? Ela parecia tão feliz com seu curso de enfermagem, seus novos amigos, com a cidade grande...Conosco. Dora agora, era um rosto diante dos meus olhos, um rosto lindo, com seus olhinhos verdes e brilhantes, sua boca inocente, seus cabelos negros cascateando ondas pelos ombros. O cheiro de Dora permanecera em meus lençóis,seu cheiro de mar, seu corpo impresso ali como da última vez em que se deitara...Seu corpo jovem. Dora tão mais jovem que eu, tão mais viva que eu. Seu sorriso espalhado pelo apartamento, risadinhas brilhando feito borboletas translúcidas pelo ar. Minha Dora adorada por mim, dourada pelo sol da sua cidade a beira mar e tão gentil, fragilmente gentil. Eu, homem feito, poeta e escritor, pai de filhos que não queriam um pai, ex marido de mulheres que me odiavam, apaixonado por uma menina, uma caiçara do oceano azul. Porque me abandonara? Me abandonara? Porque Dora, porque?Já passava das quatro da tarde e a minha angústia não encontrava sossego. As últimas palavras não queriam acontecer, enquanto Dora ia acontecendo dentro de mim. Liguei para o seu celular mais uma vez. Mudo. Nada. Deserto. Decidi então, ligar mais uma vez para Anabel, a detetive muito simpática que me atendera na delegacia. Tomei coragem e liguei direto para seu número particular, quem sabe ela teria alguma notícia que me aliviasse a preocupação. Ouvi o toque de chamada e esperei. Meu coração batia tão forte, que podia senti-lo fora do peito.

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