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segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009

Começando 2009


Discurso no dia da formatura, 28/01, em Letras:


Digníssimo Senhor Reitor,
Ilustres Professores e Professoras
Amantíssimos Pais e Familiares,
Nobres Acadêmicos de Literatura e de Inglês:

A festa começou há quatro anos atrás. Do vestibular ao término do quarto ano, estivemos em constante vibração. Por isso, a cerimônia que hoje presenciamos é mais um ritual, depois de todos que cumprimos até agora. Como ritual, comecemos pelos agradecimentos:

Deus, muito obrigado.

Agradecemos a todos que participaram de nossa formação:

Às nossas famílias, pelo investimento que fizeram em nós: o financeiro, o afetivo, o emocional. Estivemos ausentes durante as noites e alguns finais de semana, construindo um futuro ainda melhor para todos nós.

Aos nossos professores e professoras, pelo compromisso todas às noites em sala de aula e fora dela, no preparo de apostilas, trabalhos e atividades. Cada um de nós guardou muito de cada um de vocês ao longo de nossa caminhada.

Ao Coordenador Alexandre Batista, ao ex- Coordenador Paulo Lúcio, aos funcionários da FERP, pela atenção, paciência, orientação e pelo atendimento, dispensados ao longo desses quatro anos, em todas as nossas solicitações.

Aos amigos, que souberam nos perdoar pelos aniversários esquecidos, pelas baladas adiadas, pelas vezes em que pedimos socorro em nossos trabalhos acadêmicos, pelos “bolos” dados de última hora.

Continuando esse ritual, precisamos oferecer.

Nossa força nasce no apoio de nossas famílias. Por isso, Pais e Mães, para vocês nossos diplomas! Obrigado por nos incentivar, cada um a seu jeito. Tudo começa em nossas famílias e é com elas que vamos celebrar... Aquilo que era um sonho, hoje é mais um objetivo conquistado.

Aos nossos futuros alunos oferecemos o que de melhor pudemos construir, que é nosso aprendizado. Cada um de nós possui uma parcela de Saussere, de Bechara, de Cunha, de Antonio Candido, de Alfredo Bosi, de Mattoso Câmara, de Maria Helena Duarte, de Marcos Bagno, de Machado de Assis, de Guimarães Rosa, de Cecília Meireles, de tantos nomes e nomes que se torna cansativa a relação. Somados à eles, a experiência individual e coletiva incorporada durante a vida inteira.

À sociedade, que recebe novos cidadãos, oferecemos o braço, a coragem e a garra de profissionais engajados na luta pelo direito universal da educação para todos. Nossas atitudes e nosso exemplo é que farão de nós professores e trabalhadores à altura de um novo Brasil, hoje manchado por corrupção e desigualdades, carente de uma visão mais justa e solidária sobre globalização da informação.

O movimento individual em direção ao aprendizado de Língua Pátria é visto como uma “loucura”. Perguntas como “Letras? Vai trabalhar em quê depois?” ou “Quer ser professor de Português?”, ou ainda: “É tudo mulher mal amada, nem sabem para quê estão lá!”, são comuns em todos os ambientes de onde viemos. A determinação de cada acadêmico, em fazer o que gosta, é que transforma a dúvida irônica em afirmação: “Vai ser Professor! Português e Literatura, Inglês ou Espanhol, tem muito mercado por aí!” A nossa reflexão é a partir do elemento que impulsiona o ingressante no Curso de Letras – o estudo da Língua Materna, a sua integração com a Literatura e ao aprendizado de outras línguas. A este elemento, junta-se o mais belo instrumento de que dispomos para o crescimento do ser humano: o livro.

Estamos diante do questionamento mundial sobre os destinos do livro. No Brasil, enfrentamos a cobrança permanente de uma sociedade atônita frente aos resultados da educação. De um lado, a mídia “diletante”, afirmando que os brasileiros são analfabetos funcionais, têm aversão aos livros, compram de tudo, menos livros, odeiam literatura. Alguns mais apavorados pregam o fim da sociedade brasileira, até mesmo a proximidade de uma catástrofe cultural, causada pela preguiça nacional de gostar de livros ou literatura. De outro lado, o professor, solitário, isolado e com seu destino selado: o de ser o mais completo incompetente, um zero, um nada.
O livro é o objeto material mais importante para quem trabalha com literatura. Ele une o universo exterior ao universo íntimo do ser humano, que está nas suas páginas. Assim, o simbolismo fica bem claro: pela leitura, produto da inteligência humana, transforma-se o livro em obra, reveladora de segredos e fantasias das quais nos tornamos donos.

A tarefa mais importante para um professor é ensinar a ler. Ler textos verbais e imagens, ler todos os gêneros e tipos de discurso; ler o texto em seu contexto. Cabe ao professor criar a intimidade do seu aluno com as leituras de seu mundo, seja no livro, no papiro, no DVD, no azul do céu, nas ruas e casas onde mora, em qualquer tradução em que a palavra leitura pode se materializar.

A missão professor-livro é a transformação política do homem. Quando ele percebe que as distâncias entre povos, idiomas, ideologias, culturas e nações são encurtadas pela literatura, deixa para trás muros, fronteiras religiosas, afetivas, sexuais e intelectuais. O código que se desvenda e ilumina em cada indivíduo é a liberdade, trazida pelas mãos do professor.

Por isso, estamos aqui para continuar esse ritual começado há quatro anos. Porque agora nós somos os agentes, os ministros da palavra, no sentido literal, e é ela que nos põe diante de vocês nesta noite.

SIM, somos acadêmicos corajosos!
SIM, somos profissionais de Letras e vamos entrar no mercado de trabalho preparados!
SIM, somos homens e mulheres, com sensibilidades e inteligências apuradas pelo ensino de Letras!
SIM, estamos cheios de amor universal. Os livros nos deram isso!
SIM, somos professores de Português, de Inglês, e de Literatura!

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