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quarta-feira, 12 de novembro de 2014

PROCURA-SE


Estou à procura de imóvel para alugar, de preferência casa.
Não preciso de garagem (ainda); mas quero um jardim, sempre. Quero varanda com paredes brancas onde a rede vai morar e onde os vaga-lumes virão brilhar. Muitas almofadas, um cantinho de café e um banquinho para violar.
Na sala deverá caber uma estante e muitos livros, um sofá, um abajur... e um cantinho para a Bibi, a gata. Também cantos certos para os cantos de samba.
Um dos quartos (sim, quero dois!) para mais livros, uma cama para hóspedes imprevistos e janelas para cortinas coloridas, cheias de borboletas ou estrelas.
Uma cozinha para misturar temperos e cheiros, com capacidade de ter uma mesa para a família, para os amigos do bolinho de chuva, da cerveja gelada e da poesia cantada. Onde se coloque o filtro de água, a geladeira e o fogão, com panelas sempre luminosas e cheias de amor para alimentar.
O outro quarto, ah!, este é para meus sonhos, para meus cheiros, para meus segredos, para a cama grande e para o guarda-roupas, e para o espelho. Sim, espelho não pode faltar, para mirar ali mesmo a mulher que me cuida todos os dias. Uma mesinha com mais livros, o porta retratos, os chinelos no chão, umas roupas espalhadas, a janela para o jardim, e o sol sereno do amanhecer.
No banheiro, o chuveiro e muita, muita água! Um nicho de misturinhas femininas, um pote com escovas de dentes (duas?), o porta toalhas de flor, as suculentas no parapeito da janela, os banhos sem pudor.
Se quintal tiver, é lá que vão me achar. No meio da horta, no meio dos varais, no meio das orquídeas... regando, semeando, colhendo. E se o espaço for coberto, tão logo se julgue correto, um chão para um neto.
A casa é um sonho, eu sei. A vida dentro dela tem que ser real, mas pode conter o sonho também. O que importa é que ela proteja, guarde, acolha, compartilhe, respire paz.
regina vilarinhos - 2014

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