quinta-feira, 23 de outubro de 2008

Salmo da Paz




"Os pés do mundo hoje caminham por estradas de asfalto e violência,
mas o coração dos humildes é mais forte que os tanques.
A paz para os homens não virá de fora
nem se construirá com armas nucleares, nem chegará por acordo de governos.
Ela está presente no coração do Universo.
Chegará como a aurora, para este mundo maltratado.
Chegará das mãos dos simples, dos humildes e pobres desta Terra.
E será anunciada por bocas de crianças, ao som de música de jovens corajosos.

Será como o orvalho, para esta Terra seca!"


Eu não conheço o autor desta música, que nós cantávamos há alguns anos atrás, no Grupo de Jovens que freqüentei no Colégio Macedo Soares. Mas ela sempre foi muito importante para mim e hoje é muitíssimo atual.


a foto é do livejournal

segunda-feira, 20 de outubro de 2008

Dúvidas






Quem ou quê me ilumina
neste caminho tão perto de ser comum?

Por que tenho que procurar em alguma coisa
a culpa do que foi feito?

Por que mais fácil para os outros
do que para mim?

Quando que isso passa?

Será que a palavra que tenho em mãos
vai te salvar?

Será que quando você me ler
vai me salvar deste precipício?

Por que a corda que puxou a comida
não matou a fome de amor?

Por que o medo abriu a janela
e pediu socorro?

E se, ao invés da bomba,
fosse a mão de mãe a abrir a porta?

E se...

quarta-feira, 15 de outubro de 2008

Coisinhas Simples II

Ela sempre gostou de meninos. Meninos que podem ficar sujos e a mãe achar normal, meninos que ficam sentados à frente da TV e ninguém pede pra estender a roupa, apagar o feijão, "atende a campainha!". Ela queria ser menino assim. Ela só queria entender porque ela e não ele. Lucas nem sabia o preço do nescau, porque era ela quem comprava quando acabava. Bendito apartamento no terceiro andar, fresquinho, mas sem elevador.

Manú:
- Só isso, mãe?
- Se eu me lembrar, te ligo no celular.

Na calçada, era a hora de se entregar às idéias mais loucas. Ia direto na padaria, pra sentir mais rápido o cheiro de pão doce com côco. As bandejas de pães estão tão à vontade que parece que tudo é de graça. Ah, nada como roubar um sonhozinho. Só de vez em quando. A última vez que fez isso, sorriu sorrateiramente para seu irmão, que resolvera ir junto por causa de uma revista de surf pra comprar no Léo. Ele dava de ombros. Quando chegava na banca, deixava-o à solta com as revistas e ficava vendo a rua com suas gentes esquisitas. Os carros, os loucos que dirigem carros.

A sua Kombi estava bem diante de seus olhos, como ontem. Só não entendia aquele cara com o jornal na cara, parado na porta do outro prédio. Será que a Kombi é dele? Vai vender? Era exatamente o que ela e as amigas estavam querendo, vermelha e branca, 74, com aquele farolzão.

Pensou em perguntar ao Léo de quem era, mas o Lucas, mais uma vez puxando o boné (ela adorava se esconder nele), e querendo que ela entendesse que o skate é sua alternativa para o surf.

- Ainda vamos ter uma casa na praia e, até lá, eu saberei tudo sobre ondas. Já imaginou, Manú? Seu brother na prancha e você pegando geral na areia?
- Qual seu “brema”? Que areia, que onda? Vai pra casa, leva seu nescau. A mãe tem que ir pro trabalho e já tô voltando.
- Ih, pirou... você ficou colada nessa Kombi, hein? Fui!

Ele via a cena, saia de seu posto de todos os dias e entrava na sapataria pra disfarçar. Ela chegava perto da Kombi, olhava pelo vidro do motorista, na janela de trás, voltava, se abaixava... Pegava o celular, fotografava. Ele queria saber o que ela queria com um carro velho daqueles. Deve ser do jornaleiro e ela fica falando com ele sobre isso.

Lá vai Manú, entrando de volta no prédio, com o fone no ouvido. Ele volta para a calçada. Léo vê tudo.

quinta-feira, 9 de outubro de 2008

Coisinhas simples

Praticamente todos os dias ele esperava na porta do prédio. Quatro horas, passava na banca e pedia o "Extra". O Léo já deixava guardado pra ele. Atravessava a rua, parava do outro lado pra vigiar.

Só queria ver os dois saindo, mochila nas costas. O fone no ouvido deixava Manú distraída, o skate e o boné a faziam ficar cada vez mais parecida com Lucas. Ele puxava o boné de volta e a revelava, com seus cabelões castanhos.

Ele nem queria chegar perto. Tá certo que Belém é longe, sair do Galeão pra pegar a Linha Vermelha é um saco, subir a Serra pior ainda. Mas esperar 6 anos para tomar uma atitude é muito. Depois de ver os olhos negros de Manú nas fotos, é que tomou coragem de vir. Queria saber como era sua voz, como o Lucas batia a porta do carro, como era acordar e pegá-lo roubando a geladeira.

Sem chance. Enquanto durassem suas férias era só isso que iria fazer. E sentia-se feliz de vê-los assim.


regina vilarinhos

terça-feira, 7 de outubro de 2008

Separados

Era muito fácil perceber que o vinho de ontem ia ter gosto de adeus.
Eu é que quis que a taça derramasse em você. Pode brigar, eu sei que faço esse jogo mesmo. Sou, ou tento ser, aquela que planeja tudo. Você chega e finje não perceber nada. Você está cansado disso, eu sei. Eu também. Porque todas as manhãs que me deixei acordar ao seu lado precisavam ser pefeitas? A paisagem lá fora, o vento entrando de mansinho, o cheiro de erva-doce, o gosto de lábios, tudo tinha que estar no lugar certo. Mas, aí, vem o lençol e marca a minha pele, o meu cabelo fica do lado errado, minha irmã liga cedo demais e você se lembra da promessa de levar seu pai à missa.
Não teremos mais domingos...
Pode pegar seu livro do Carpinejar, "Canalha!", combina bem com você. Não vai ter mais nada mesmo na estante para você vir buscar. Só agora entendi porque me pedia uma "bolsinha de mercado, amor!" todas as vezes que voltava pra sua casa.
Os dias em Penedo vão virar digitais numa pasta qualquer no computador. Enquanto não me der vontade de deletar. Já mudei a senha no blog, não tem como você continuar postando como se fosse eu.

Minha vingança será ver você tomando café no bar, segunda-feira, correndo para abrir o ponto, com a gola da camisa amassada.

regina vilarinhos

segunda-feira, 6 de outubro de 2008

Vanguarda carioca?

Notícia no Caderno Mais, da Folha ontem, e no Globo online de hoje, nos conta de um professor de Literatura que foi demitido no Rio de Janeiro. O professor OSWALDO MARTINS TEIXEIRA, segundo notícia do Caderno Mais! da Folha, lecionava literatura para alunos da 7ª e 8ª série da escola da Zona Sul do Rio de Janeiro, a Escola Parque, e foi demitido à pedido de alguns pais que acharam inconveniente um professor de seus filhos ser poeta, gostar de escrever, e por ventura, escrever poemas eróticos.

Perfeitamente "atualizada" e vanguardista, a Direção da Escola primeiro sugeriu ao mestre que se demitisse e, como ele não o fez, acabou por demití-lo.
Então, é assim: você é professor(a) e não pode criar?

Os poemas, que foram "colhidos" pelos alunos na internet, e os próprios enviaram uns para os outros, não foram utilizados em sala de aula.
Creio que assim, os professores de arte da mesma instituição não poderão mostrar Di Cavalcanti, Michelângelo, Picasso, e os professores de Português e Literatura não podem levar textos de Drummond, Machado de Assis, Shakespeare, Florbela Espanca, e quantos mais por aí a fora, pois todos têm conteúdos eróticos. Ah, tem mais: esses pais devem manter a televisão desligada e não permitir que seus filhos ouçam as rádios, comprem CD´s. Já imaginou se eles deixassem de assistir as novelas TODAS?

Admiro-me da iniciativa ter surgido da classe alta do Rio de Janeiro, a cidade mais vanguardista do Brasil, onde se produz arte, muita arte, de onde saem profissionais premiados em todos os setores, onde a elite acadêmica da Literatura Nacional reside. Não sei quantos, mas alguns outros pais já se manifestaram solidários ao professor. Talvez as aulas de Literatura devam ser ampliadas por aquela escola e estendida aos que pediram sua demissão.



regina vilarinhos

terça-feira, 30 de setembro de 2008

Objeto de desejo hoje!




Resenha no site da livraria da Travessa

RESENHA
No Ano Nacional Machado de Assis, a Pinakotheke presenteia os leitores com uma homenagem a um de nossos mais importantes escritores. Machado de Assis: o Rio de Janeiro de seus personagens apresenta um roteiro carioca com passagens dos personagens machadianos por ruas, praças, praias e outros cenários da cidade onde o Bruxo do Cosme Velho passou a vida inteira. O livro será lançado dia 23 de maio, às 15 horas, no X Salão do Livro para Crianças e Jovens, no Museu de Arte Moderna. Na ocasião, o organizador do trabalho, Henrique Rodrigues, fará leitura da obra e conversará com leitores.

Machado de Assis: o Rio de Janeiro e seus personagens seleciona selecionados trechos de livros em que as paisagem urbana aparece com destaque. Essas passagens são ilustradas com pinturas dos mais respeitados artistas brasileiros e viajantes do período, como Rosalbino Santoro, Gustavo Dall'Ara, Nicolao Antonio Facchinetti, Nicolas-Antoine Taunay, Giovanni Battista Castagneto, Johann George Grimm e Karl Wilhelm Von Theremin.

O livro é voltado para o público jovem e serve como introdução àqueles que começam a ler a obra machadiana, com a vantagem de visualizar a cidade que, DE tão recorrente, foi também uma espécie de personagem do escritor.

DADOS DO PRODUTO


TÍTULO: MACHADO DE ASSIS: O RIO DE JANEIRO DE SEUS PERSONAGENS
ISBN: 9788571910546
IDIOMA: Português.
ENCADERNAÇÃO: Brochura | Formato: 14 x 21 | 40 págs.
ANO EDIÇÃO: 2008
ORGANIZADOR: Henrique Rodrigues


Oba! Tô indo comprar! Já já!

mais


essa foto é da FLIP 2008, o cara aí fez um super sucesso e teve gente querando tirá-lo da praça, pode?

José Saramago

Hoje descobri o blog do escritor em http://caderno.josesaramago.org.

Também hoje devo assistir o filme "O ensaio sobre a cegueira". O livro é ótimo, um dos melhores que já li. Sei que ele virá fazer o lançamento mundial de seu novo livro na ABL, em novembro.
Espero estar lá. Quem quiser me acompanhar é só entrar em contato.

sexta-feira, 26 de setembro de 2008

O que jornalistas e médicos têm em comum?


Oscar Nora e eu no Primeiro Prêmio ACIAP-VR de Jornalismo Valéria Galvão

O tempo é a minha matéria, o tempo presente, os homens presentes. A vida presente.”
Carlos Drummond de Andrade


Dizem que é chique ser jornalista. Dizem que jornalista é super-homem, boêmio, poeta idealista, um cara intelectual. Alguém aí se lembrou do Rastero?

Eu penso que ser jornalista é como ser médico: ouvir, cuidar, prescrever, testemunhar, radiografar, confirmar, negar, atender... Ele trata da vida.
O jornal é efêmero, não o jornalista!

É por formação, não por nascimento. Ou você acha que é todo dia que nasce um Oscar Nora? Não é uma vontade que dá e passa! Cresce de dentro pra fora. Sem pedir licença.

Quando você vê, já é jornalista. Pesquisa detalhes, chega lá na hora certinha da coisa. Helton Fraga sabe do que estou falando.

E transforma o transitório em vida. Revira baús, vasculha gavetas, desenha mapas, revela fotografias. Até jogador de futebol jornalista vira, pois tem que jogar nas onze.
Quando é jornal do interior então? Vende anúncio, tira foto, faz composição, revisa, corrige, responde email, usa pseudônimo, faz de tudo para a matéria estar na página ok. Lá vem a memória puxar outro nome: Ricardo Monstro!

Tem mais: jornalista é de centro, na melhor definição dada por Gandhi ao caminho do meio.
O bom ou ruim, o feio ou bonito, o novo ou velho, a oposição é do fato, não é dele. O leitor decide o que pensar, mas é o jornalista quem lhe dá todos os dados para esta decisão.
Então, vira um conto, uma novela, que se desvenda todos os dias aos olhos do leitor.
Podem virar crônicas nas mãos de Givana Damasceno. Roteiro e direção feitos pelo jornalista.

Premiar esse olhar é reconhecer o seu papel como agente da transformação e divulgador da verdadeira imagem de nossos dias.

Este texto eu apresentei na entrega do Primeiro Prêmio ACIAP-VR de jornalismo, no dia 23/09/2008, e pude fazer minha reverência à diversos nomes de nossa região que sempre me fizeram crer na profissão.




Abraços a todos que estiveram por lá.

Nova leitura

"Não há como afogar mágoas que aprenderam a nadar."

Rodrigo Levino - "Luz negra", do livro "Aos Pedaços".

Este livro está no site http://www.overmundo.com.br/banco/aos-pedacos, pode baixar que é livre.

É a leitura para o fim de semana de chuva, para as noites de mormaço, para o dias claros de poesia.
Sei que vão gostar.

quarta-feira, 24 de setembro de 2008

Essência




Nenhuma câmara é capaz
de captar nossa essência.
Somente com os olhos d´alma
é que conseguimos vê-la.

regina vilarinhos