terça-feira, 10 de janeiro de 2012

Remédios

Oxigênio, chá, maracujina, fluoxetina, ioga, banho de mar, sal grosso, café forte, cachaça, gritar bem alto no vazio, mergulhar na piscina, dormir 12 horas ininterruptas, fumar, sorrir, gargalhar, conversar, tomar um passe, pedir a bênção, fugir, chorar, chorar, voltar, beijar, andar de bicicleta, chuva, tarja preta, exorcismo, andar na areia, fazer amor, ver o sol se por, ver a lua nascer... Preciso.

domingo, 8 de janeiro de 2012

Beijar o céu



Quando sair pra beijar o céu, voarei com as asas dos amigos. Quem me cedeu a liberdade de poetar?

quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

Simples sempre fomos

Somos simples, somos feitos de matéria muito complexa, mas somos simples.

Basta estarmos juntos num familiar almoço, com mesa posta de toalha desbotada, panelinhas de barro com feijão fresco no alho, arroz branquinho, carne de panela com batatas. Basta juntos tomarmos banho de chuva no quintal no final da tarde. Somos simples demais. Sempre foi assim.

Passamos a vida nos procurando em tudo. E estávamos ali, na nossa frente. 

Descobertas feitas de sorrisos infantis nas faces dos filhos e dos pais idosos, ou na alegria do abraço de reencontro com amigos de infância.  Ou no “oi” que recebemos de quem começa a se chegar agora, pra junto e para sempre.

Somos metidos demais em querer saber de tudo. Quase esqueço o quanto ainda voltarei aqui para aprender, durante dias e noites, ao som de músicas lindas de Minas e de sambas. 

Tem um trem de simplicidade parado ao meu lado, uma mala cheia de surpresas de mim mesma, pronta a ser aberta.

Buscamos a chave para quê, se ela esteve sempre pendurada em nosso pescoço? Num cordãozinho que a mãe nos deu na adolescência e pediu que guardássemos junto do peito. Era ela, a chave.

Somos simples demais. Sempre foi assim.
regina vilarinhos




sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

Meu lugar - nosso lugar

Ferve o cinza, jorra cidade!
Meninos e meninas debaixo do papelão,
que faz a noite estrelada no chão.
Ferve, grita!
Cidade amarela, do inferno de Dante,
no caminho das forjas.
Ferve!
Peleja o homem, sopra a chaminé,
desconhece cada um dos seus habitantes.
Babilônia, Sodoma, Iroshima...
Volta do rio que envolve seus poetas,
artistas, lunáticos.
Ferve cinza!
Geme cidade!
De noite os homens se juntam
sob a mesma fumaça, sob o mesmo pó.
Dormem homens.
Amanhecem aço.
Ferve cidade!
Grita aço!





quinta-feira, 22 de dezembro de 2011

Sarau Poesia em Volta - Os sonhos não envelhecem

Um dia, sonhei que poderíamos ser um movimento cultural. Um dia, sonhei que precisaria de muitos braços e vozes pra realizar esse sonho. Um dia, achei que só com muito dinheiro iria realizar esse sonho. HOJE eu vivi esse sonho! Com braços, vozes e pessoas que valem mais que milhares de cifrões. HOJE eu tenho a TOCA DO ARIGÓ para que esse sonho e muitos outros possam ser realizados. Cultura se faz fazendo. 

Nunca andei de pires na mão pedindo esmola para poder público, embora eu tenha certeza que é obrigação do poder socializar a cultura. Um dia, eu disse que tinha o sonho de ser secretária de cultura na minha cidade. Não preciso disso! Tenho muito mais poder com a palavra e com atitude do que com uma caneta na mão! Obrigada Carlos Eduardo Giglio, Anderson Alves de Souza, Jair de Assis, Wesley Faria, Felipe Raposo Fox, Daiane Landim, Eduardo André Sodré, Débora Evellyn,Edimar Zambroni, Vinicius Brandao, e todos que estão fazendo essa realidade comigo. Feliz 21012 de cultura pra todos nós. Nós merecemos.


Giglio - nosso querido revolucionário


Apenas uma parte da galera na Toca do Arigó


Eu e a obra de arte do André Sodré.




Graziela linda lendo Viviane Mosé




quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

SARAU POESIA EM VOLTA - HOJE NA TOCA DO ARIGÓ

Lá na Toca do Arigó, Rua Luiz Gomes Vieira, 39 - São João - (Subida entre os bares do Gaúcho e Tetel)
20:00 até 23:30 

Poeta Oculto 

Sarau de Natal 

Presenças maravilhosas

O ambiente da Toca 

Hot Toca (um show)




Uma amostra do que teremos hoje!

segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

DIAS BRANCOS - crônica


Eu não vou prometer o sol. Nem a chuva, mesmo porque ela já tem caído o suficiente. Aliás, quem sou eu para prometer alguma coisa pra alguém. Meu desejo é que tenhamos dias brancos.

Mais brancos do que folha de papel, porque mesmo sem nada escrito, ela já se comprometeu com a árvore que foi cortada ou com a mistura em que foi reciclada. Mais que o branco das duzentas saias das baianas, todas juntas, banhando as escadarias do Bonfim. Muito além do branco das camisetas marchando em passeatas na orla da praia, ou no centro das grandes cidades, pedindo paz.
Falo do branco que se vê na alma dos mexicanos que, no início da primavera, assim se vestem para renovar suas energias no alto das pirâmides deixadas por seus ancestrais pré-colombianos em quase todo o país. É a Terra sendo fecundada pelo Sol, dando início a um novo ciclo de vida. Poderíamos ir ao alto do Corcovado, de Itatiaia, no Pico da Bandeira, subir no topo do Brasil, para assistirmos ao Sol fecundando a nova Terra Brasilis.
Do branco que fazia Joana D?arc, a heroína, transformar-se em alvo fácil nas batalhas, com o objetivo de transmitir coragem e liderança ao restante do grupo. Ao contrário do Thiago Lacerda, que achou seu herói de olho roxo, ainda não encontrei o meu nesta batalha; pelo contrário, penso que perdi um.
Espalhar a alegria do branco dos Filhos de Gandhi desfilando na luz de Salvador, pelas ruas, avenidas, salões, bancos, assembléias, enfim, onde se escondem no manto escuro da corrupção aqueles que não levantam seus traseiros, acomodados nas cadeiras de burocratas.
Quero o branco quase anjo. Daqueles que acreditam que quando expiamo-nos dos nossos pecados e nos elevamos espiritualmente, somos "quase como anjos". Este branco, nenhum sabão pode dar.
Para lavar a lama desses últimos dias que a chuva fez por aí. Uma lavagem de nossas almas, nossos compromissos, nossas esperanças. Fazendo um trava línguas: o aval do mala, a lama na vala, lava a alma.
regina vilarinhos
texto escrito em 2005 - sem adaptação