Existe uma solidão dentro de cada um de nós, escondida. Até que uma palavra, ou um silêncio, e ela se mostra. Imensa, na sua força. Pequena, no seu quarto. E cheia de insônias, de fotografias, de doces e contos de fadas.
segunda-feira, 29 de janeiro de 2018
quarta-feira, 10 de janeiro de 2018
Oxum
Ela me olhou, de olhar de mãe,
fez da minha mão buquê de flores.
Ela me deu a mão, pôs em mim proteção.
Das águas da cachoeira, lavou meu rosto.
E o medo correu junto com o rio.
Brota luz em meus caminhos,
toma o vento e a tempestade.
fez da minha mão buquê de flores.
Ela me deu a mão, pôs em mim proteção.
Das águas da cachoeira, lavou meu rosto.
E o medo correu junto com o rio.
Brota luz em meus caminhos,
toma o vento e a tempestade.
A palavra não pode naufragar. Dela preciso para me entender, para entender os outros e para que eu me sinta pertencida no mundo. Falada, escrita, traduzida em sinais, em prosa ou em verso. Dela me alimento, me junto, me despedaço, mas com ela eu ando. Fazer dela - palavra - uma ferramenta de luta e união, não de transtorno, indefinições. Uso a palavra para entender, não para desestimular.
quarta-feira, 6 de dezembro de 2017
Sobre apego e prisão
Meu território é minha casa. Não aquela construída em cimento, telhado, janelas, cozinha e onde posso abrigar meus afetos.
É a casa que mora dentro de mim, que abriga meus sonhos, meus sabores, que eu levo para qualquer lugar. Nova ou velha, sempre mirando o horizonte.
Abro meus braços para este território se demarcar com outros braços! Fecho as janelas quando vem a tempestade e posso abri-las também para que o vento desmanche o cabelo e desembarace os nós!
Só põe o pé nesta casa e penetra este território os que se colocam em sintonia.
E são livres. Não existe prisão na minha morada!
Será que não dá certo?
Abro meus braços para este território se demarcar com outros braços! Fecho as janelas quando vem a tempestade e posso abri-las também para que o vento desmanche o cabelo e desembarace os nós!
Só põe o pé nesta casa e penetra este território os que se colocam em sintonia.
E são livres. Não existe prisão na minha morada!
Será que não dá certo?
2016
terça-feira, 21 de novembro de 2017
A madrugada teve um silêncio absurdo hoje.
Talvez na esquina tivesse um gato, ou um despacho.
Talvez no hospital, o ruído sombrio do oxigênio.
Sei que no prédio ao lado, o elevador cumpria seu destino.
Talvez na esquina tivesse um gato, ou um despacho.
Talvez no hospital, o ruído sombrio do oxigênio.
Sei que no prédio ao lado, o elevador cumpria seu destino.
Aqui, tudo quieto.
Nem cães, nem grilos.
Nem cães, nem grilos.
Um estrondoso vulcão, porém, expeliu suas lavas.
A alma queimava,
como o mato seco
de inverno,
no meio do Pantanal.
Um desses dias.
Muitas dessas madrugadas.
como o mato seco
de inverno,
no meio do Pantanal.
Um desses dias.
Muitas dessas madrugadas.
regina vilarinhos - 2017
sábado, 18 de novembro de 2017
ESPERA
A única coisa que tenho é a espera.
Por uma notícia estrondosamente boa.
Por um dia estupidamente lindo.
Pelo vento amorosamente refrescante.
Pela flor maravilhosamente colorida.
Pelo caminho tranquilamente firme.
Pelas músicas virtuosamente cantadas.
Por um beijo escandalosamente molhado.
Pelo abraço infinitamente caloroso.
Pelo encontro unicamente libertador.
Pela alma, mansamente, livre.
Pelo amor encantadoramente acolhedor.
A única coisa que tenho é a espera,
o único bem que tenho é a minha paz.
regina vilarinhos - 2016
Por uma notícia estrondosamente boa.
Por um dia estupidamente lindo.
Pelo vento amorosamente refrescante.
Pela flor maravilhosamente colorida.
Pelo caminho tranquilamente firme.
Pelas músicas virtuosamente cantadas.
Por um beijo escandalosamente molhado.
Pelo abraço infinitamente caloroso.
Pelo encontro unicamente libertador.
Pela alma, mansamente, livre.
Pelo amor encantadoramente acolhedor.
A única coisa que tenho é a espera,
o único bem que tenho é a minha paz.
regina vilarinhos - 2016
quinta-feira, 16 de novembro de 2017
"Estava lá, junto da janela, olhando a vida.
O mundo que conseguiria ver pelo resto de sua vida.
A vida que passaria a viver do lado de cá era a sala, o quarto, uma cozinha empoeirada e um cachorro a latir todas as tardes, pedindo comida.
Uns poucos livros, umas poucas roupas e a xícara de chá. Nada nem ninguém além.
Ainda tinha o telefone e podia pagar a conta.
Nunca lhe faltariam remédios, comida e garotos de programa. Alguns pesadelos seriam esquecidos."
O mundo que conseguiria ver pelo resto de sua vida.
A vida que passaria a viver do lado de cá era a sala, o quarto, uma cozinha empoeirada e um cachorro a latir todas as tardes, pedindo comida.
Uns poucos livros, umas poucas roupas e a xícara de chá. Nada nem ninguém além.
Ainda tinha o telefone e podia pagar a conta.
Nunca lhe faltariam remédios, comida e garotos de programa. Alguns pesadelos seriam esquecidos."
O personagem vive.
segunda-feira, 18 de setembro de 2017
Parque das Ruínas
Quero abrir minhas ruínas.
Deixar o tempo de cada uma dizer o que foi ali, como eu usei aquilo.
Fazer o caminho de cada uma, expondo seu (des)valor.
Traçar a linha de tempo, o perfil, suas configurações.
À elas, render homenagens.
Fazer o caminho de cada uma, expondo seu (des)valor.
Traçar a linha de tempo, o perfil, suas configurações.
À elas, render homenagens.
Arrastar as correntes de todo o passado que possuem.
Depois de tudo isso,
escurecer o dia em que resolvi
destruí-las.
escurecer o dia em que resolvi
destruí-las.
Assinar:
Postagens (Atom)
-
"Tempo bom não volta mais saudade de outros tempo iguais." (Lilico) Tinha em torno de 14 anos. Eles tinham quase 18. Eram lindos, ...

