Fica comigo.
Há tempos que a vida não brinca assim,
de me fazer menina e bandida de mim.
Fico contigo.
cuidarei das orquídeas, das rosas e do jasmim,
enfeitando o centro do teu peito.
Fica comigo.
Convidarei os planetas, as luas, os anéis e os sóis,
e uma nova galáxia, a maior delas, surgirá de teus olhos.
Fica comigo.
Te presentearei com a aurora, ou com o pôr-do-sol,
ou com a brisa da tarde.
Vigiarei o mar e as ondas que não têm onde quebrar.
No mesmo cálice, o vinho bebamos.
No mesmo sangue, misturados
Ficamos.
regina vilarinhos
quinta-feira, 29 de maio de 2008
sexta-feira, 9 de maio de 2008
Sobre o outono e o dia das mães
“Abra os olhos! As ‘patas-de-vaca’ estão maravilhosamente floridas, espalhadas pela cidade. Parecem-se com orquídeas. Orquídeas de pobre: abundantes e grátis. E veja os ipês brancos, delicadíssimos, antes que sua floração efêmera acabe. Também estão florescendo as quaresmeiras.” (Rubem Alves, Correio Popular, 2001)
Nestes dias de outono, quando finalmente faz frio de outono e manhãs de outono, numa visita ao site do escritor Rubens Alves (www.rubemsalves.com.br), caiu sobre meu teclado o trecho acima. Como na música de Milton, “Certas Canções”, às vezes eu me pergunto “como não foi eu quem fiz.”
Em minhas caminhadas, essas árvores fazem parte da paisagem. Espalhadas em nossa cidade, pelas ruas do Tangerinal, pelas transversais das Ruas 31 e 33, pelo Aterrado, por Niterói, as patas-de-vaca são brancas, rosas e lilases. Bem provável de relacionar todos os bairros da cidade. Eu não sabia o nome da flor e por muito tempo fiquei pensando como poderiam dar orquídeas em árvores assim. Quem me ensinou o nome foi minha mãe.
Os ipês, bem mais conhecidos, floridos junto com as quaresmeiras, são fáceis de se ver no bosque do Laranjal, aquele que fica na subida para o Monte Castelo. As paineiras com sua floração rósea parecem fazer pose para a foto.
Recentemente, descobri um ipê branco, sozinho numa rua escondida. Tive o prazer de contar à minha mãe sobre ele. Ainda não consegui levá-la para vê-lo. Fica na Visconde de Taunay, aquela subindo da São João para o colégio, na esquina com a Toledo Piza. Na calçada de uma casa simples, comprido, fino, e que floresce raramente. Ou de floração efêmera, como disse nosso cronista. Não sei se existe outro na cidade. Merece registro e foto.
Minhas memórias são da cidade, em torno dela, mesmo quando viajando em outras cidades, é nela que penso, é para ela que volto. Não sei se ela me aceitou como filha. Talvez eu a tenha adotado como mãe. As memórias de minha mãe, a Ignez, são divididas entre a fazenda, a roça, o interior e as cidades que viveu. Santos Dumont, Rio de Janeiro, Volta Redonda, Porto Alegre, Volta Redonda. Vila Velha, Volta Redonda.
As manhãs de outono me fazem lembrar de um tempo que minha mãe sentava ao sol, no quintal, catando feijão ou arroz, e eu ficava ao seu redor, para aproveitar do calor dos dois. Às vezes, fazia tricô ou crochê. No meio das flores de outono, penso no presente que posso compartilhar com minha filha, para não sofrer com o futuro que ela venha a ter. Suas asas estão crescendo e em breve seu vôo será para longe.
Entre chaminés e asfalto, espero que meu ninho não se desmanche com o vento e a chuva. A cidade que é mãe precisa abrigar mais filhos. A filha de outra cidade ainda tem muito que trilhar. Necessário se faz conhecer cidadãos e histórias. Por isso, é muito bom dizer para minha mãe, a Ignez, que a amo. É muito bom dizer para a minha mãe, a cidade, que aprendi a amá-la. É maravilhoso ouvir de minha filha que ela também me ama. É muito bom sentir através de meus filhos, os poemas e as crônicas, o amor se espalhando.
regina vilarinhos - crônica publicada no "Diário do Vale", em maio de 2006.
Nestes dias de outono, quando finalmente faz frio de outono e manhãs de outono, numa visita ao site do escritor Rubens Alves (www.rubemsalves.com.br), caiu sobre meu teclado o trecho acima. Como na música de Milton, “Certas Canções”, às vezes eu me pergunto “como não foi eu quem fiz.”
Em minhas caminhadas, essas árvores fazem parte da paisagem. Espalhadas em nossa cidade, pelas ruas do Tangerinal, pelas transversais das Ruas 31 e 33, pelo Aterrado, por Niterói, as patas-de-vaca são brancas, rosas e lilases. Bem provável de relacionar todos os bairros da cidade. Eu não sabia o nome da flor e por muito tempo fiquei pensando como poderiam dar orquídeas em árvores assim. Quem me ensinou o nome foi minha mãe.
Os ipês, bem mais conhecidos, floridos junto com as quaresmeiras, são fáceis de se ver no bosque do Laranjal, aquele que fica na subida para o Monte Castelo. As paineiras com sua floração rósea parecem fazer pose para a foto.
Recentemente, descobri um ipê branco, sozinho numa rua escondida. Tive o prazer de contar à minha mãe sobre ele. Ainda não consegui levá-la para vê-lo. Fica na Visconde de Taunay, aquela subindo da São João para o colégio, na esquina com a Toledo Piza. Na calçada de uma casa simples, comprido, fino, e que floresce raramente. Ou de floração efêmera, como disse nosso cronista. Não sei se existe outro na cidade. Merece registro e foto.
Minhas memórias são da cidade, em torno dela, mesmo quando viajando em outras cidades, é nela que penso, é para ela que volto. Não sei se ela me aceitou como filha. Talvez eu a tenha adotado como mãe. As memórias de minha mãe, a Ignez, são divididas entre a fazenda, a roça, o interior e as cidades que viveu. Santos Dumont, Rio de Janeiro, Volta Redonda, Porto Alegre, Volta Redonda. Vila Velha, Volta Redonda.
As manhãs de outono me fazem lembrar de um tempo que minha mãe sentava ao sol, no quintal, catando feijão ou arroz, e eu ficava ao seu redor, para aproveitar do calor dos dois. Às vezes, fazia tricô ou crochê. No meio das flores de outono, penso no presente que posso compartilhar com minha filha, para não sofrer com o futuro que ela venha a ter. Suas asas estão crescendo e em breve seu vôo será para longe.
Entre chaminés e asfalto, espero que meu ninho não se desmanche com o vento e a chuva. A cidade que é mãe precisa abrigar mais filhos. A filha de outra cidade ainda tem muito que trilhar. Necessário se faz conhecer cidadãos e histórias. Por isso, é muito bom dizer para minha mãe, a Ignez, que a amo. É muito bom dizer para a minha mãe, a cidade, que aprendi a amá-la. É maravilhoso ouvir de minha filha que ela também me ama. É muito bom sentir através de meus filhos, os poemas e as crônicas, o amor se espalhando.
regina vilarinhos - crônica publicada no "Diário do Vale", em maio de 2006.
Memória da Dor - O Dia online
Li hoje no online "O DIA" e achei muito bom isso!
"9/5/2008 01:04:00 Ciência prova: beijo de mãe cura dor de filho "
Carinhos em local dolorido diminuem chegada de impulsos elétricos do sofrimento no cérebro
Pâmela Oliveira
Rio - Com quase 2 anos de idade, a pequena Lívia Arydes arrisca passos cada vez mais rápidos. Entre uma brincadeira e outra, as quedas são inevitáveis. Nessas horas, a mãe da menina, Francilene Arydes, 37 anos, já sabe o que fazer: dá beijos no local do trauma para que a criança pare de chorar. O que Francilene não sabia é que a prática tem fundamento científico. Segundo o médico Ricardo Caponero, diretor do Instituto Simbidor, os beijos e carinhos da mãe no local dolorido diminuem a chegada de impulsos elétricos da dor no cérebro.
“O beijo da mãe não é sedativo, mas alivia a dor das crianças. Isso porque tanto as sensações boas quanto as ruins chegam no cérebro através dos mesmos nervos. Ou seja, quando a criança bate o joelho e a mãe dá um beijo ou faz carinho no local, dois estímulos diferentes estão chegando da mesma região ao cérebro: primeiro o de dor e logo depois o do carinho. Por isso, a dor é aliviada com o afago”, explica o médico do Hospital Israelita Albert Einstein.
PICADA DE ABELHA
O médico diz que o mecanismo é semelhante com o de alguém picado por abelha que coloca compressa de gelo para aliviar a dor. “Ou seja, a sensação térmica aliviaria a dor porque os impulsos elétricos provocados pelo gelo chegarão ao cérebro pelo mesmo nervo pelo qual passam os estímulos da dor.”
Caponero diz também que o beijo da mãe tem ainda um efeito placebo. Ou seja, quando a mãe diz à criança que vai dar um beijo e que a dor vai passar, a criança acredita nisso e essa confiança contribui para a diminuição da dor. “Sempre que Lívia cai, começa a chorar e fala ‘dodói, dodói’. Eu digo que vou dar beijinhos para passar a dor e ela pára de chorar”, diz Francilene. “Nunca pensei que pudesse ter alguma explicação científica para isso, mas sei que funciona”, conta a comerciante.
Caponero, que participou de um workshop sobre dor realizado pelo laboratório Wyeth, em São Paulo, quarta-feira, diz que a sensação de proteção também influencia. “Quando uma criança vai fazer um exame, por exemplo, fica mais calma com a presença da mãe ou do pai porque se sente mais protegida. Se vai sozinha, começa a sentir dor antes. A dor não é apenas um fenômeno mecânico e bioquímico do nervo. Ela tem conotação psicológica e social”.
A famosa ‘dor de cotovelo’ faz o corpo sofrer
Perder uma pessoa próxima, ter uma grande decepção ou descobrir que está sendo traído pode provocar dor física. Ou seja, a famosa dor de cotovelo dói no corpo, dizem especialistas .
“O nervo não recebe estímulos elétricos de dor, mas quem sente dor não é o nervo, é o cérebro. Ou seja, o sofrimento emocional causa dor”, afirma Caponero. “Até a postura da pessoa muda.”
Supervisor da Equipe de Controla da Dor do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo, Irimar de Paula Posso garante que o corpo guarda a memória da dor. “Quando uma pessoa passa muito tempo com um sapato apertado e na semana seguinte coloca o mesmo calçado, não consegue continuar calçado por meia hora.Um estudo com torturados mostrou que o corpo guarda memória da dor quando há estímulos muito fortes. Encostaram fios elétricos sem eletricidade em pessoas que foram torturadas e elas tiveram a mesma sensação de choque da tortura”.
"9/5/2008 01:04:00 Ciência prova: beijo de mãe cura dor de filho "
Carinhos em local dolorido diminuem chegada de impulsos elétricos do sofrimento no cérebro
Pâmela Oliveira
Rio - Com quase 2 anos de idade, a pequena Lívia Arydes arrisca passos cada vez mais rápidos. Entre uma brincadeira e outra, as quedas são inevitáveis. Nessas horas, a mãe da menina, Francilene Arydes, 37 anos, já sabe o que fazer: dá beijos no local do trauma para que a criança pare de chorar. O que Francilene não sabia é que a prática tem fundamento científico. Segundo o médico Ricardo Caponero, diretor do Instituto Simbidor, os beijos e carinhos da mãe no local dolorido diminuem a chegada de impulsos elétricos da dor no cérebro.
“O beijo da mãe não é sedativo, mas alivia a dor das crianças. Isso porque tanto as sensações boas quanto as ruins chegam no cérebro através dos mesmos nervos. Ou seja, quando a criança bate o joelho e a mãe dá um beijo ou faz carinho no local, dois estímulos diferentes estão chegando da mesma região ao cérebro: primeiro o de dor e logo depois o do carinho. Por isso, a dor é aliviada com o afago”, explica o médico do Hospital Israelita Albert Einstein.
PICADA DE ABELHA
O médico diz que o mecanismo é semelhante com o de alguém picado por abelha que coloca compressa de gelo para aliviar a dor. “Ou seja, a sensação térmica aliviaria a dor porque os impulsos elétricos provocados pelo gelo chegarão ao cérebro pelo mesmo nervo pelo qual passam os estímulos da dor.”
Caponero diz também que o beijo da mãe tem ainda um efeito placebo. Ou seja, quando a mãe diz à criança que vai dar um beijo e que a dor vai passar, a criança acredita nisso e essa confiança contribui para a diminuição da dor. “Sempre que Lívia cai, começa a chorar e fala ‘dodói, dodói’. Eu digo que vou dar beijinhos para passar a dor e ela pára de chorar”, diz Francilene. “Nunca pensei que pudesse ter alguma explicação científica para isso, mas sei que funciona”, conta a comerciante.
Caponero, que participou de um workshop sobre dor realizado pelo laboratório Wyeth, em São Paulo, quarta-feira, diz que a sensação de proteção também influencia. “Quando uma criança vai fazer um exame, por exemplo, fica mais calma com a presença da mãe ou do pai porque se sente mais protegida. Se vai sozinha, começa a sentir dor antes. A dor não é apenas um fenômeno mecânico e bioquímico do nervo. Ela tem conotação psicológica e social”.
A famosa ‘dor de cotovelo’ faz o corpo sofrer
Perder uma pessoa próxima, ter uma grande decepção ou descobrir que está sendo traído pode provocar dor física. Ou seja, a famosa dor de cotovelo dói no corpo, dizem especialistas .
“O nervo não recebe estímulos elétricos de dor, mas quem sente dor não é o nervo, é o cérebro. Ou seja, o sofrimento emocional causa dor”, afirma Caponero. “Até a postura da pessoa muda.”
Supervisor da Equipe de Controla da Dor do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo, Irimar de Paula Posso garante que o corpo guarda a memória da dor. “Quando uma pessoa passa muito tempo com um sapato apertado e na semana seguinte coloca o mesmo calçado, não consegue continuar calçado por meia hora.Um estudo com torturados mostrou que o corpo guarda memória da dor quando há estímulos muito fortes. Encostaram fios elétricos sem eletricidade em pessoas que foram torturadas e elas tiveram a mesma sensação de choque da tortura”.
segunda-feira, 28 de abril de 2008
O ar que eu respiro
Eu quero fazer valer o ar que eu respiro.
Por isso vou ser sempre essa
que solta o ar dos pulmões, da garganta,
que sangra o próprio coração,
que não engole o choro,
que corre à frente de qualquer dano,
que acorda de ressaca da própria alegria,
que não finge o aperto do calo
e nem o amor pelo verso.
regina vilarinhos
Por isso vou ser sempre essa
que solta o ar dos pulmões, da garganta,
que sangra o próprio coração,
que não engole o choro,
que corre à frente de qualquer dano,
que acorda de ressaca da própria alegria,
que não finge o aperto do calo
e nem o amor pelo verso.
regina vilarinhos
Choro Bandido
Choro Bandido
Composição: Edu Lobo / Chico Buarque
Mesmo que os cantores sejam falsos como eu
Serão bonitas, não importa
São bonitas as canções
Mesmo miseráveis os poetas
Os seus versos serão bons
Mesmo porque as notas eram surdas
Quando um deus sonso e ladrão
Fez das tripas a primeira lira
Que animou todos os sons
E daí nasceram as baladas
E os arroubos de bandidos como eu
Cantando assim:
Você nasceu para mim
Você nasceu para mim
Mesmo que você feche os ouvidos
E as janelas do vestido
Minha musa vai cair em tentação
Mesmo porque estou falando grego
Com sua imaginação
Mesmo que você fuja de mim
Por labirintos e alçapões
Saiba que os poetas como os cegos
Podem ver na escuridão
E eis que, menos sábios do que antes
Os seus lábios ofegantes
Hão de se entregar assim:
Me leve até o fim
Me leve até o fim
Mesmo que os romances sejam falsos como o nosso
São bonitas, não importa
São bonitas as canções
Mesmo sendo errados os amantes
Seus amores serão bons.
Letra linda, ouça na voz de Cecília Leite em http://sintoniafina.uol.com.br/arquivo.php, tem que descer a brra de rolagem e linkar na música. Só coisas boas por lá.
Composição: Edu Lobo / Chico Buarque
Mesmo que os cantores sejam falsos como eu
Serão bonitas, não importa
São bonitas as canções
Mesmo miseráveis os poetas
Os seus versos serão bons
Mesmo porque as notas eram surdas
Quando um deus sonso e ladrão
Fez das tripas a primeira lira
Que animou todos os sons
E daí nasceram as baladas
E os arroubos de bandidos como eu
Cantando assim:
Você nasceu para mim
Você nasceu para mim
Mesmo que você feche os ouvidos
E as janelas do vestido
Minha musa vai cair em tentação
Mesmo porque estou falando grego
Com sua imaginação
Mesmo que você fuja de mim
Por labirintos e alçapões
Saiba que os poetas como os cegos
Podem ver na escuridão
E eis que, menos sábios do que antes
Os seus lábios ofegantes
Hão de se entregar assim:
Me leve até o fim
Me leve até o fim
Mesmo que os romances sejam falsos como o nosso
São bonitas, não importa
São bonitas as canções
Mesmo sendo errados os amantes
Seus amores serão bons.
Letra linda, ouça na voz de Cecília Leite em http://sintoniafina.uol.com.br/arquivo.php, tem que descer a brra de rolagem e linkar na música. Só coisas boas por lá.
sexta-feira, 25 de abril de 2008
existe entre
entre mim e você existe um céu
existe um rio, existe um livro.
guardas-chuvas abertos como abraços.
placas de ruas e chinelos nos armários.
camisas sem botão, beatles, escapulários.
trecos amontoados, arcas cheias de pandora.
entre você e eu
existem lábios,
existe a doce sensação de beijo.
regina vilarinhos
existe um rio, existe um livro.
guardas-chuvas abertos como abraços.
placas de ruas e chinelos nos armários.
camisas sem botão, beatles, escapulários.
trecos amontoados, arcas cheias de pandora.
entre você e eu
existem lábios,
existe a doce sensação de beijo.
regina vilarinhos
Cafuné
Queria ir embora de mim
à pé,
sentar pertinho de ti,
com fé,
te dar um rio de rir,
até,
cair para trás
e dormir.
Inté.
regina vilarinhos
à pé,
sentar pertinho de ti,
com fé,
te dar um rio de rir,
até,
cair para trás
e dormir.
Inté.
regina vilarinhos
Clarice
Não é que vivo em eterna mutação, com novas adaptações a meu renovado viver e nunca chego ao fim de cada um dos modos de existir. Vivo de esboços não acabados e vacilantes. Mas equilibro-me como posso, entre mim e eu, entre mim e os homens, entre mim e o Deus."
Clarice Lispector
Clarice Lispector
quinta-feira, 24 de abril de 2008
sonhos e viagens
sonhei contigo hoje.
parti correndo do sonho
e fui até a estação.
você já tinha partido.
e eu,
ainda sonhando,
corro em sua direção.
parti correndo do sonho
e fui até a estação.
você já tinha partido.
e eu,
ainda sonhando,
corro em sua direção.
terça-feira, 15 de abril de 2008
Viagem cultural - Rio de Janeiro
Fomos ao Rio de Janeiro, no domingo, 13 de abril, Ludmila e eu. Uma excursão cultural da faculdade. No roteiro, a exposição 200 anos da família Real no Brasil, no Museu Histórico Nacional, a exposição sobre Darwin e a evolução das espécies, e também o Centro Cultural Banco do Brasil. Também iríamos ao Paço Imperial, à igreja do Carmo, mas como o ônibus teve um probleminha na partida, esses foram cortados, devido ao tempo (pouco) para o que era prioridade.
A exposição sobre Charles Darwin estava no seu último dia e tinha bastante visitantes. Era a única paga, quinze reais; pagamos meia e entramos. Aí, é a nossa viagem agora. Um lugar lindo, planejado, colorido, exuberante. Retornei ao meu tempo de segundo grau, minhas aulas de biologia com o professor José Eduardo, e viajei nas imagens, nos fósseis, nos animais, nos depoimentos. Ludmila não sabia o que olhar, fotografar, admirar, tantas as novidades. Por lá tinham crianças de todas as idades. Fascinadas e loucas para tocar em tudo, pra falar de tudo, diante de um mundo maravilhoso que se abria para elas. E imaginar que ele, o Darwin, conseguiu tanta informação apenas com uma lupa, um estilete, papel e lápis. A observação e a dedicação são importantíssimas, mesmo que se tenha a mais alta tecnologia, para a ciência.
Saímos já emocionadas com tanta beleza. Caminhamos para a exposição da Família Real. Pelos corredores de entrada do Museu, as carruagens do tempo do Império. Lá dentro, a história. As imagens, os objetos, a cultura importada da Europa, o luxo, a pompa, que mesmo sobre questionamentos vários, nos trazem admiração também, por podermos conhecer a arte de 200 anos atrás. As salas se emendam umas nas outras, um labirinto de temas: República, escravos, índios, utensílios, a botica, os personagens. Fôlego para cerca de uma hora e meia de caminhada. Uma atividade aeróbica e cultural de rara oportunidade para nós que moramos no interior e não temos tanto lazer cultural.
Pausa para o almoço. Uma pequena parada no Centro, pertinho do Municipal, foi o suficiente para o calor já começar a pertubar. Fora o medo do mosquito e de outras mazelas que atingem a cidade. Mas relaxamos, pois o repelente era item de primeira necessidade antes de sairmos de Volta Redonda.
De volta ao ônibus, fomos à Casa França-Brasil, com a exposição das aquarelas de Debret, uma riqueza de cores e técnicas, retratos do Rio e de outros lugares do Brasil, que nos trouxe, mais uma vez, emoção, preenchimento e êxtase. Encontrar amigos, partilhar momentos como estes, divulgar relatos, é muito bom para a mente.
O mais emocionante para mim, vinha a seguir.
Há muito tenho vontade de conhecer o Centro Cultural do Banco do Brasil. A exposição "Os trópicos,visões a partir do centro do globo", é de uma beleza ímpar. Tudo, tudo mesmo, distribuído em 5 corredores, narra a cultura de diferentes povos na Oceania, África, Ásia e América tropical. As videoinstalações, as fotografias, os tecidos, as máscaras, os símbolos de rituais. Cera de 130 obras do Museu Etnológico de Berlim. Fora o espaço, o próprio CCBB, que é lindíssimo.
A surpresa está no hall de entrada, com a instalação "O sonho da árvore no escritório", que simplesmente é a grande atração da mostra. A árvore da vida, a árvore dos sonhos, a "máquina do mundo", crescendo em direção à luz, ao centro do universo, no alto da rotunda do hall. Uma criação de dois artistas alemães, uma terapia de relaxamento. Maravilhos ver do alto a reação dos visitantes, deitados e admirando a árvore. As crianças, os namorados, os solitários, os homens de negócios, a moça de mochila nas costas, o gringo, os meninos de rua. Um encontro, um partilhar de sonhos, uma mágica. Lindo demais! Só indo até lá para poder entender essa descrição.
regina vilarinhos.
A exposição sobre Charles Darwin estava no seu último dia e tinha bastante visitantes. Era a única paga, quinze reais; pagamos meia e entramos. Aí, é a nossa viagem agora. Um lugar lindo, planejado, colorido, exuberante. Retornei ao meu tempo de segundo grau, minhas aulas de biologia com o professor José Eduardo, e viajei nas imagens, nos fósseis, nos animais, nos depoimentos. Ludmila não sabia o que olhar, fotografar, admirar, tantas as novidades. Por lá tinham crianças de todas as idades. Fascinadas e loucas para tocar em tudo, pra falar de tudo, diante de um mundo maravilhoso que se abria para elas. E imaginar que ele, o Darwin, conseguiu tanta informação apenas com uma lupa, um estilete, papel e lápis. A observação e a dedicação são importantíssimas, mesmo que se tenha a mais alta tecnologia, para a ciência.
Saímos já emocionadas com tanta beleza. Caminhamos para a exposição da Família Real. Pelos corredores de entrada do Museu, as carruagens do tempo do Império. Lá dentro, a história. As imagens, os objetos, a cultura importada da Europa, o luxo, a pompa, que mesmo sobre questionamentos vários, nos trazem admiração também, por podermos conhecer a arte de 200 anos atrás. As salas se emendam umas nas outras, um labirinto de temas: República, escravos, índios, utensílios, a botica, os personagens. Fôlego para cerca de uma hora e meia de caminhada. Uma atividade aeróbica e cultural de rara oportunidade para nós que moramos no interior e não temos tanto lazer cultural.
Pausa para o almoço. Uma pequena parada no Centro, pertinho do Municipal, foi o suficiente para o calor já começar a pertubar. Fora o medo do mosquito e de outras mazelas que atingem a cidade. Mas relaxamos, pois o repelente era item de primeira necessidade antes de sairmos de Volta Redonda.
De volta ao ônibus, fomos à Casa França-Brasil, com a exposição das aquarelas de Debret, uma riqueza de cores e técnicas, retratos do Rio e de outros lugares do Brasil, que nos trouxe, mais uma vez, emoção, preenchimento e êxtase. Encontrar amigos, partilhar momentos como estes, divulgar relatos, é muito bom para a mente.
O mais emocionante para mim, vinha a seguir.
Há muito tenho vontade de conhecer o Centro Cultural do Banco do Brasil. A exposição "Os trópicos,visões a partir do centro do globo", é de uma beleza ímpar. Tudo, tudo mesmo, distribuído em 5 corredores, narra a cultura de diferentes povos na Oceania, África, Ásia e América tropical. As videoinstalações, as fotografias, os tecidos, as máscaras, os símbolos de rituais. Cera de 130 obras do Museu Etnológico de Berlim. Fora o espaço, o próprio CCBB, que é lindíssimo.
A surpresa está no hall de entrada, com a instalação "O sonho da árvore no escritório", que simplesmente é a grande atração da mostra. A árvore da vida, a árvore dos sonhos, a "máquina do mundo", crescendo em direção à luz, ao centro do universo, no alto da rotunda do hall. Uma criação de dois artistas alemães, uma terapia de relaxamento. Maravilhos ver do alto a reação dos visitantes, deitados e admirando a árvore. As crianças, os namorados, os solitários, os homens de negócios, a moça de mochila nas costas, o gringo, os meninos de rua. Um encontro, um partilhar de sonhos, uma mágica. Lindo demais! Só indo até lá para poder entender essa descrição.
regina vilarinhos.
quinta-feira, 10 de abril de 2008
Vontades, verdades, dificuldades
Não tenho inimigos de plantão. Tenho anjos e mentores que me amparam na solidão.
regina vilarinhos
"Compreender que há outros pontos de vista é o início da sabedoria."
(Thomas Campbell)
É tão fácil ser poeta, e tão difícil ser um homem."
(Charles Bukowski)
regina vilarinhos
"Compreender que há outros pontos de vista é o início da sabedoria."
(Thomas Campbell)
É tão fácil ser poeta, e tão difícil ser um homem."
(Charles Bukowski)
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"Tempo bom não volta mais saudade de outros tempo iguais." (Lilico) Tinha em torno de 14 anos. Eles tinham quase 18. Eram lindos, ...