sexta-feira, 15 de janeiro de 2016

PITADA


De farinha,
na galinha,
na vizinha.
De azeite,
no leite,
no enfeite.
Na fruta,
na truta,
na luta.
No bolo,
na bala,
na fala.
De calor,
de flor,
de amor.
No feijão,
no pão,
no coração.
No café,
no cafuné,
no pé.
Num é?
regina vilarinhos - 2015
O barulho da alma inquieta não te deixa ouvir a vida.
A brisa também é boa. Não se pode ver tempestade sempre
Do amor a alcançar só o gosto e o nome.
Da lua a pedir só o raio.
De dentro da alma,
De fora da verdade
E em volta da tarde
Uns bons goles de vida
Saída pra quando vem
O moço rei desse campo.
Tem uma linha da mão traçada
Para sua felicidade.

regina vilarinhos - 2015

VIAGEM


Tenho céu a me cobrir
e tenho palavras com asas,
cada uma pousando onde querem.
Não posso ir junto
mas sinto-me céu,
cada vez que tua voz
nelas põe vida.
regina vilarinhos - 2015

domingo, 25 de outubro de 2015

Para florir palavras em sua boca é preciso beija-flor!
Drummond teve um caso com a lua. Eu queria ter um caso amoroso com Drummond. Só!

Inverno

Inverno
Os silêncios do inverno deixam a cabeça seca e a expectativa na garganta pede água. Seco é o vento e seca vem a noite, seco e belo o luar. Arranho-me fácil, nos braços, nas pernas, sorriso rachado. Desfolhou-se a árvore, subiram pelo vento as folhas e expostos estão os galhos.
O que corre pelas veias permanece vivo, forte e quente.
Alimenta o carinho da primavera logo ali em frente.
Marcas na memória são difíceis de apagar. Uma foto que explique o sentimento exato também é difícil de encontrar, porque sentimos, vivemos, eternizamos. Mesmo assim, tentamos definir.
Aí, inventamos a saudade e passamos a depositar nela tudo o que vira lágrima.

Chão!
tudo pela frente.
Estrela!
tenho por cima.
Fé!
enche por dentro.
Água!
Limpa os olhos.
Amor!
Cura o tempo.
Meu coração parece um armazém.
Coisas penduradas, sabe-se lá de quem.

O que tenho nos olhos? Um dourado amor. O que tenho no peito? Um rio saudade. O que terei no futuro? Um rio de Minas. 

Sabiá gosta da chuva e eu gosto de ouvir o sabiá gostando da chuva.

Não sirvo para muitas coisas. Além disso, não sirvo para outras coisas, também. De resto, coisa alguma me serve.
Devo servir para alguma coisa.
Minha poesia é feita de invasões. Explodem todas elas em meus silêncios.
Uma vez só te vi.
Mas foi muito tempo até te
reconhecer.
É longo o tempo da alma.
É longo o tempo do amor.
Pequena é a vida neste azul.

regina vilarinhos - 2015