terça-feira, 14 de abril de 2015

CAFÉ

Café
A desculpa
do passei aqui
do boato
da paixão
da ida e
da volta.
Pra quebrar o gelo.

Pra te ver.

A fiel bebida
do músico
do médico
do caminhoneiro
da mãe
do aluno
do professor
do poeta.

O dono
da insônia
da vontade
do verso
do nome
da poesia.

regina vilarinhos

EXPOSIÇÃO INSPIRAÇÕES

Está realmente muito linda!


 Escultura de Hugo Kruger

 Tela de Luiz Carlos Mazza


 Quadro de Ana Paula Carrupt


 Desenho de Ana Cristina Maciel


Escultura de Flávio Dutra



Os artistas


 Confira aqui!

 E qaqui!

ARTIFÍCIOS

Fugimos dos perfumes com máscaras.
Evitamos o toque com luvas.
Deixamos de ouvir usando tampões.
Calamos a palavra com mordaças.
Perdemos os sabores com dietas.

Até quando
não cheirar,
não tocar,
não ouvir,
calar e não saborear
o
Amor?

regina vilarinhos - 2015

CLASSIFICADOS PÓS-MODERNOS


Perde-se tempo nos escombros da alma.
Fala-se despautérios em público.
Aluga-se mastros para bandeiras rasgadas.
Conserta-se janelas para o céu.
Junta-se fragmentos das memórias nos olhos.

regina vilarinhos - 2015

sábado, 21 de março de 2015

EXPOSIÇÃO INSPIRAÇÕES




Inspirações

Num arroubo poético, dez artistas se juntaram e fizeram nascer INSPIRAÇÕES.
Juntos o lápis, a esteca e o pincel.  Juntos, o papel, a tela e a escultura.
As artes plásticas inspirando a poesia e a poesia inspirando as artes plásticas. Uma emprestando para a outra as cores, os sonhos, a luz e a forma. E aí brotaram os versos nas imagens e as imagens nos poemas, inundando nosso viver de beleza!

Os Artistas Plásticos:
Ana Cristina Maciel – Desenho em nanquim
Ana Paula Carrupt – Esmalte sintético sobre vidro
Flávio Dutra – Esculturas de parede
Hugo Krüger – Esculturas em resina e fibra de vidro
Luiz Carlos Mazza – Acrílico sobre tela

Os Poetas:
Anielli Carraro – Poeta e contadora de histórias
Carlos Eduardo Giglio – Poeta e produtor cultural
Regina Vilarinhos – Poeta e cronista
Sandra Cristina Fersi - Poeta
Vinícius Brandão – Poeta e artista circense

A Exposição Inspirações ocupará o Espaço Zélia Arbex, no período de 09 a 25 de abril, de 10 as 19 horas. A abertura será dia 9 de abril, às 20 horas.

Durante o Vernissage, os poetas farão um Sarau com as poesias que estarão expostas na Galeria. Haverá apresentação de Dança Cigana, com a dançarina Ana Paula Carrupt, e de música celta, com a violinista Bárbara Cunha.


terça-feira, 13 de janeiro de 2015

Preciso do som da porteira batendo, do galo cantando. Preciso do sol se pondo atrás do morro e da vida seguindo em frente pela estrada, para que eu possa descansar embaixo do ipê amarelo. Porque eu tenho uma solidão mineira guardada dentro de mim e os olhos transbordam uma saudade de onde não vivi.




Espiral

Espalhei-me pela Terra,
fiz caminhos de Lua
para me perseguirem.
Os que não me alcançam são
os tolos, estes que esperam
pela máquina do mundo,
em estradas e ilhas
perdidas no meio do nada
dentro deles mesmos.
E ficam aí, em devaneios,
na espiral de seus egos.

regina vilarinhos - 2014

PARTIDAS DE MIM


Partidas de mim

Beberei a minha solidão
mesmo você estando aí,
esquecido, aos meus pés.
O pesadelo vai passar e deixarei para trás
a minha fome de eternizar o doce sabor
do beijo,
do abraço,
do gozo.

Onde o farol?
Onde o terno caminhar na areia?
Onde as noites de lua ficarão, quando na manhã
o cinza cobrir a janela?

Muitos temores, muitos os silêncios.
Ali no peito o que dói
é o vento assombrado e frio.
Ali, nos olhos, o que cega é o sal.
Para além dos detalhes do corpo
existiram as tatuagens.
Ficaram as cicatrizes.

Uma a uma, a transcrever
a memória do amor.

regina vilarinhos - 2014




Foto: Partidas de mim

Beberei a minha solidão
mesmo você estando aí,
esquecido, aos meus pés.
O pesadelo vai passar e deixarei para trás
a minha fome de eternizar o doce sabor
do beijo,
do abraço,
do gozo.

Onde o farol?
Onde o terno caminhar na areia?
Onde as noites de lua ficarão, quando na manhã
o cinza cobrir a janela?

Muitos temores, muitos os silêncios.
Ali no peito o que dói
é  o vento assombrado e frio.
Ali, nos olhos, o que cega é o sal.
Para além dos detalhes do corpo
existiram as tatuagens.
Ficaram as cicatrizes.

Uma a uma, a transcrever
a memória do amor.

regina vilarinhos - 2014

LOUCA

LOUCA

Tento resgatar a louca que passou por mim um dia.
Aquela que não me deixava cair,
que ria muito sozinha e
que se deliciava vendo os risos dos outros.
Tento não me esquecer o quanto é preciso estar louca,
para vencer o medo de mergulhar
no grande abismo do amor
e não precisar de paraquedas
Viver no apego louco de olhar para o céu todas as manhãs,
acreditando mais uma vez que tem um azul feito
só para mim.
Sentir bem perto a insensatez de provar o sabor de beijos
doces, de comidas cheirosas, de subir a montanha,
de soltar as asas.
O insano prazer de ouvir a chuva cair e não se lamentar.
Ser demente, idiota, alienada, cega,
desatinada.
Incrivelmente, perdida.
Deliciosamente, desvairada.
Parva, doida, imprudente.
Apaixonantemente, fora de mim.
Incompreensivelmente, liberta.

regina vilarinhos - 2014

PROMESSAS DIFÍCEIS

PROMESSAS DIFÍCEIS

Ser o Fernando nosso de cada dia
junto com o Vinícius,
e Cora e Cecília.
Tentar a poesia e o verso,
amar o infinito momento e
desejar a vida imensamente.
Inventar as pessoas dentro
e por fora, ser um só.
Para ser inteira.
Ou simplesmente ser.

Devagar. Depressa. Aos solavancos.

E mais, muito mais, nem tão
Quintanamente baixinho.
Passarinhamente como Manoel.
Ardendo como Camões.
E amar descontroladamente
como Chacal.


regina vilarinhos