sábado, 21 de março de 2015

EXPOSIÇÃO INSPIRAÇÕES




Inspirações

Num arroubo poético, dez artistas se juntaram e fizeram nascer INSPIRAÇÕES.
Juntos o lápis, a esteca e o pincel.  Juntos, o papel, a tela e a escultura.
As artes plásticas inspirando a poesia e a poesia inspirando as artes plásticas. Uma emprestando para a outra as cores, os sonhos, a luz e a forma. E aí brotaram os versos nas imagens e as imagens nos poemas, inundando nosso viver de beleza!

Os Artistas Plásticos:
Ana Cristina Maciel – Desenho em nanquim
Ana Paula Carrupt – Esmalte sintético sobre vidro
Flávio Dutra – Esculturas de parede
Hugo Krüger – Esculturas em resina e fibra de vidro
Luiz Carlos Mazza – Acrílico sobre tela

Os Poetas:
Anielli Carraro – Poeta e contadora de histórias
Carlos Eduardo Giglio – Poeta e produtor cultural
Regina Vilarinhos – Poeta e cronista
Sandra Cristina Fersi - Poeta
Vinícius Brandão – Poeta e artista circense

A Exposição Inspirações ocupará o Espaço Zélia Arbex, no período de 09 a 25 de abril, de 10 as 19 horas. A abertura será dia 9 de abril, às 20 horas.

Durante o Vernissage, os poetas farão um Sarau com as poesias que estarão expostas na Galeria. Haverá apresentação de Dança Cigana, com a dançarina Ana Paula Carrupt, e de música celta, com a violinista Bárbara Cunha.


terça-feira, 13 de janeiro de 2015

Preciso do som da porteira batendo, do galo cantando. Preciso do sol se pondo atrás do morro e da vida seguindo em frente pela estrada, para que eu possa descansar embaixo do ipê amarelo. Porque eu tenho uma solidão mineira guardada dentro de mim e os olhos transbordam uma saudade de onde não vivi.




Espiral

Espalhei-me pela Terra,
fiz caminhos de Lua
para me perseguirem.
Os que não me alcançam são
os tolos, estes que esperam
pela máquina do mundo,
em estradas e ilhas
perdidas no meio do nada
dentro deles mesmos.
E ficam aí, em devaneios,
na espiral de seus egos.

regina vilarinhos - 2014

PARTIDAS DE MIM


Partidas de mim

Beberei a minha solidão
mesmo você estando aí,
esquecido, aos meus pés.
O pesadelo vai passar e deixarei para trás
a minha fome de eternizar o doce sabor
do beijo,
do abraço,
do gozo.

Onde o farol?
Onde o terno caminhar na areia?
Onde as noites de lua ficarão, quando na manhã
o cinza cobrir a janela?

Muitos temores, muitos os silêncios.
Ali no peito o que dói
é o vento assombrado e frio.
Ali, nos olhos, o que cega é o sal.
Para além dos detalhes do corpo
existiram as tatuagens.
Ficaram as cicatrizes.

Uma a uma, a transcrever
a memória do amor.

regina vilarinhos - 2014




Foto: Partidas de mim

Beberei a minha solidão
mesmo você estando aí,
esquecido, aos meus pés.
O pesadelo vai passar e deixarei para trás
a minha fome de eternizar o doce sabor
do beijo,
do abraço,
do gozo.

Onde o farol?
Onde o terno caminhar na areia?
Onde as noites de lua ficarão, quando na manhã
o cinza cobrir a janela?

Muitos temores, muitos os silêncios.
Ali no peito o que dói
é  o vento assombrado e frio.
Ali, nos olhos, o que cega é o sal.
Para além dos detalhes do corpo
existiram as tatuagens.
Ficaram as cicatrizes.

Uma a uma, a transcrever
a memória do amor.

regina vilarinhos - 2014

LOUCA

LOUCA

Tento resgatar a louca que passou por mim um dia.
Aquela que não me deixava cair,
que ria muito sozinha e
que se deliciava vendo os risos dos outros.
Tento não me esquecer o quanto é preciso estar louca,
para vencer o medo de mergulhar
no grande abismo do amor
e não precisar de paraquedas
Viver no apego louco de olhar para o céu todas as manhãs,
acreditando mais uma vez que tem um azul feito
só para mim.
Sentir bem perto a insensatez de provar o sabor de beijos
doces, de comidas cheirosas, de subir a montanha,
de soltar as asas.
O insano prazer de ouvir a chuva cair e não se lamentar.
Ser demente, idiota, alienada, cega,
desatinada.
Incrivelmente, perdida.
Deliciosamente, desvairada.
Parva, doida, imprudente.
Apaixonantemente, fora de mim.
Incompreensivelmente, liberta.

regina vilarinhos - 2014

PROMESSAS DIFÍCEIS

PROMESSAS DIFÍCEIS

Ser o Fernando nosso de cada dia
junto com o Vinícius,
e Cora e Cecília.
Tentar a poesia e o verso,
amar o infinito momento e
desejar a vida imensamente.
Inventar as pessoas dentro
e por fora, ser um só.
Para ser inteira.
Ou simplesmente ser.

Devagar. Depressa. Aos solavancos.

E mais, muito mais, nem tão
Quintanamente baixinho.
Passarinhamente como Manoel.
Ardendo como Camões.
E amar descontroladamente
como Chacal.


regina vilarinhos

quarta-feira, 12 de novembro de 2014

PROCURA-SE


Estou à procura de imóvel para alugar, de preferência casa.
Não preciso de garagem (ainda); mas quero um jardim, sempre. Quero varanda com paredes brancas onde a rede vai morar e onde os vaga-lumes virão brilhar. Muitas almofadas, um cantinho de café e um banquinho para violar.
Na sala deverá caber uma estante e muitos livros, um sofá, um abajur... e um cantinho para a Bibi, a gata. Também cantos certos para os cantos de samba.
Um dos quartos (sim, quero dois!) para mais livros, uma cama para hóspedes imprevistos e janelas para cortinas coloridas, cheias de borboletas ou estrelas.
Uma cozinha para misturar temperos e cheiros, com capacidade de ter uma mesa para a família, para os amigos do bolinho de chuva, da cerveja gelada e da poesia cantada. Onde se coloque o filtro de água, a geladeira e o fogão, com panelas sempre luminosas e cheias de amor para alimentar.
O outro quarto, ah!, este é para meus sonhos, para meus cheiros, para meus segredos, para a cama grande e para o guarda-roupas, e para o espelho. Sim, espelho não pode faltar, para mirar ali mesmo a mulher que me cuida todos os dias. Uma mesinha com mais livros, o porta retratos, os chinelos no chão, umas roupas espalhadas, a janela para o jardim, e o sol sereno do amanhecer.
No banheiro, o chuveiro e muita, muita água! Um nicho de misturinhas femininas, um pote com escovas de dentes (duas?), o porta toalhas de flor, as suculentas no parapeito da janela, os banhos sem pudor.
Se quintal tiver, é lá que vão me achar. No meio da horta, no meio dos varais, no meio das orquídeas... regando, semeando, colhendo. E se o espaço for coberto, tão logo se julgue correto, um chão para um neto.
A casa é um sonho, eu sei. A vida dentro dela tem que ser real, mas pode conter o sonho também. O que importa é que ela proteja, guarde, acolha, compartilhe, respire paz.
regina vilarinhos - 2014

domingo, 31 de agosto de 2014

Amor

Explode o tempo
com suas tontas voltas.
Sonhos de muitos dias,
abraços espalhados
e sorrisos juntos,
sempre colados.
 

terça-feira, 19 de agosto de 2014

CLARICEANDO

De corpo, mente e de sede inundada, mergulhou fundo na metade dela que ainda estava respirando. E sentiu a imensa vontade de estar em qualquer lugar melhor do que estar ali, junto da sua metade que não mais respirava.
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Algumas coisas nos cansam, algumas pessoas nos encantam, algumas leituras nos desligam e algumas taças nos anestesiam.
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Renovar a vida não só porque é o ciclo. Alguns ciclos eu não quero repetir.
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Fato é que o mundo gira demais e as vertigens derrubam.
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A solidão é a vida precisando tomar rumo, como um cão sozinho na linha do trem. Onde ele vai e de onde ele vem e por quê ele continua caminhando?


regina vilarinhos - 2014