sábado, 16 de abril de 2011

Perplexidade

PERPLEXIDADE

O que dói descompassadamente,
o que ondula e te transpassa
por toda a existência da noite,
por toda a permanência do vento,
de teu desalento
ninguém te salva.

Perdida a tua simplicidade, de onde sorrirás?
Perdida a tua sensibilidade, onde permanecerás?

Nessa labareda infinita no peito
sofre, descompassada, a mente.
E perdeste a árvore crescendo
perdeste o sol nascendo.

Do nome completo de crianças,
Do nome completo de algozes
Do nome e da essência completa de
Mães. Das mães, a mão ao piano.

Anoitecerá,
amanhecerá,
entardecerá;
por do sol será...

Como o sol doura as casas dos réprobros!
Poderei odiá-los sem desfazer no sol?” Álvaro de Campos


regina vilarinhos

sábado, 9 de abril de 2011

Bebida

Dose dupla, com gelo
que é pra refrescar a garganta
e
a alma.

Mais uma, mais uma.
Bebo e esqueço;
Bebo porque mereço; bebo.

Um porre de fazer gosto.

Coragem.
Que é preciso,
pra seguir viagem.

regina vilarinhos

segunda-feira, 21 de março de 2011

Dia Mundial da Poesia

Cura Poesia

Regina Vilarinhos

Poesia pra mim é cura. Não para doença ou vício.
Pode ser na palavra escrita, na música ouvida, na foto revelada ou na dança valsada.
Sinto, toco, caminho poesia todos os dias, por entre minha rua, entre os prédios e seus jardins. Vejo poesia na placa do carro dos amores que vem e vão, nos olhos brilhantes de meus pais, na cama forrada com limpos lençóis.
Bato com poesia na cara quando o vento fecha a porta,
dói poesia nos joelhos quando caio no chão.
Como poesia com café com pão, feijão com arroz,
com coca gelada, na mesa para dois.
Vinho poesia, cervejo poesia, choro poesia, grito poesia.
Roupa lavada com poesia.
Amaciante, pregador, varal e passada a ferro, a poesia.
Em rio de poesia, nado de costas.
Em dia de poesia, ofusco os olhos no sol.
Poesia em pedra dura,
poesia-me com quem andas,
mais vale duas poesias nas mãos...
Aliás, é um tratamento, que nem sei se termina, mas que me alivia.

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

A saudade que dele me dá

Texo de 2006 - como é bom colocá-lo aqui.

A saudade que dele me dá

Algumas pessoas neste mundo já experimentaram fazer amor bem cedo. Quando falo bem cedo, é bem antes de 8 da manhã, antes do relógio despertar. Não é fazer amor na hora em que acorda. É fazer amor antes de dormir, ou não dormir e fazer amor até a hora de acordar. Difícil de entender? Simples demais. Você e seu amor vão para a cama, na hora de sempre ou um pouco mais tarde, sei lá. Aí, se juntam, se aquecem, se namoram, e conversam. Uma conversa muito diferente de todas as outras, longa, interessante, envolvente, cotidiana mas sedutora. Sua cabeça acha o lugar certinho junto ao ombro dele, e o braço te envolve, quente e acolhedor.

Nesse instante, ambos descobrem que os olhos do outro são de um castanho diferente, ninguém tem cor igual. A luz tem que ficar acesa. Os olhos brilhantes de todos os dias, mas nunca de uma noite igual a essa. E os assuntos vão crescendo, se multiplicando. Descobrimos que temos muito tempo para conversar, afinal de contas, ainda são 2 horas e só preciso abrir o ponto às 8 horas.
O perfume do xampu no cabelo dele te lembra o dia em que fizeram dois meses de namoro, você preparou a casa para recebê-lo e ele chegou tão cansado - "Preciso de um banho!" -, mal reparando em você. E depois, lhe deu um grande beijo dizendo que a melhor massagem do mundo vem de suas mãos.

Cada vez que a conversa vai mudando, seus lábios se aproximam tanto, se beijam tanto, a ponto de você achar que o tempo congelou, o sorriso dele é mais branco que o gelo polar. "Como, às vezes, eu me esqueço disso?" E beija, beija... Nossa, é muito tarde! Agora não tem jeito, preciso dormir, assim não consigo estar inteligente amanhã. A mão dele acha a minha. Nem procurava, mas achou. A cama fica grande, o abraço dele me deixa pequenininha.
A luz não precisa ficar acesa. Os primeiros raios de sol já penetram no quarto. Além disso, nós sabemos de cor os caminhos que vamos percorrer um no outro agora. Enquanto o mundo vai acordando, nós estamos nos amando.

É preciso dormir. E ele precisa ir. Seis e meia. Na casa ao lado, o cheiro do café e as vozes de crianças lembram que o dia raiou. A saudade dele já ficou.


regina vilarinhos

sábado, 22 de janeiro de 2011

quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

Praticando amor

Há exatos 2 anos, publiquei esse texto aqui no blog.
E lá vou eu de novo republicar texto.
Atual, sincero e oportuno.

Praticando amor
De vez em quando, eu percebo que não estou praticando amor. Caramba! Assumi, sou imperfeita! E agora? Tem tanta gente aí com muito amor para dar, com tanta cena de amor a fazer, com tantas juras de amor a fazer. E eu, aqui, reconhecendo que não ando praticando amor. "Bela poetisa, essa!", dirão alguns. "Acabou-se a farsa", gritarão outros.
Que me importa! Teve gente que já jurou muito pra mim, e eu nem cobrei promessa. Refiz tantas vezes o mesmo caminho para me assegurar se ouvira errado.
O que eu falo e repito e já escrevi sobre isso aqui, não me prometa o que não tens para dar, ou o que nem queres dar. E eu também serei assim contigo. Eu mesma, Regina, rindo e chorando, brigando e cedendo, mas mantendo-me fiel ao que acredito há muito tempo: não sou uma marionete. O bom é que a vida é um ciclo e todos temos muito que aprender ainda.

Mas, reconheço, preciso praticar mais amor, mais eu mesma, porque quem me conhece sabe o tanto que tenho pra oferecer.


PS: Para aqueles que ainda acreditam em si próprios, sem medo de reconhecer que erra, e que pode tentar de novo.

sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

Tempestade

essa terra que te expulsa,
esse teto que te desaba,
essa rua que te inunda,
esse rio que te invade,
esse trovão que te assombra,
essa torrente que te prende,
esse volume que te afoga,
essa falta que te medra,
esse vazio que te enche
o nada que te resta.

regina vilarinhos

escrito em janeiro de 2010.

quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

EU MEREÇO

Partindo da ideia que ninguém sabe melhor do que eu o que realmente quero e mereço dessa vida:

Eu mereço estar onde estou hoje, porque sei bem o quanto custou e custa. É muito melhor do que se possa imaginar.
Eu mereço ter amigas, que me emprestam muita sabedoria. Mereço conhecer a Giovana.
Eu mereço as perdas e os ganhos, cada lágrima que caiu em 2010.
Mereço a minha amiga Patrícia de volta.
Eu mereço a Lud, sendo mãe merecidamente, eu sei que sim.
Eu mereço estar amando de novo, um amor novo e de um homem mais novo.
Eu mereço saber onde anda minha poesia, que ela volte pra casa logo, porque estou pronta para ela.

Assim mesmo:EU MEREÇO, porque a minha vida não é minúscula.