segunda-feira, 18 de setembro de 2017

A vida que cobre o asfalto
transbordando pelo becos
os sonhos que não envelhecem.
Dos rios de junho a janeiros,
das fileiras iluminadas 
dos fachos de luzes
brotando dos olhos, dos sorrisos.
Vai vida!
Tropicaliamente fazendo dessa
história tua
a história minha e
de todos! 

Amém
para a luta!
Berçário. 
Onde os versos sonham, depois de nascerem.
Poema. 
Onde os versos crescem, depois que me alimentam.

Parque das Ruínas

Quero abrir minhas ruínas.
Deixar o tempo de cada uma dizer o que foi ali, como eu usei aquilo.
Fazer o caminho de cada uma, expondo seu (des)valor.
Traçar a linha de tempo, o perfil, suas configurações.
À elas, render homenagens. 

Arrastar as correntes de todo o passado que possuem.
Depois de tudo isso,
escurecer o dia em que resolvi
destruí-las.
Preciso urgente de um arquiteto,
que projete um abrigo preciso para amor verdadeiro.
Preciso de um engenheiro,
que calcule o tempo preciso para viver esse amor.
Preciso de um professor,
que aprove o ser preciso para recebê-lo.
Preciso de uma tarde...
que abrigue, viva e aprove o meu amor
até a lua nascer.

segunda-feira, 4 de setembro de 2017

Sorrisos encantados
pequeninos, acanhados,
deixados na caixa de correios,
vieram de longe,
cabem em qualquer coração,
aguardam adoção.
Bocas e lábios interessados
favor deixar contato
para posterior
avaliação.
regina vilarinhos - 2014

domingo, 3 de setembro de 2017

Lá íamos nós, domingo de noite. Dentro, o banco parecia já reservado. De joelhos, cada um com a cabeça mais baixa que o outro. Para falar a verdade, somente uma das meninas rezava de verdade.
Levantar-se no dia seguinte, esperar o chuveiro esquentar... valia esticar o domingo mais que tudo antes da segunda. Ir à missa fazia parte do dia longo.

Fotografias de novo, sol nos olhos de novo, férias de novo. Jornal fora do lugar, quem foi? Hora comprida essa da manhã, a esperar os bois no curral, colocar sela nos cavalos. Quatro crianças quebravam os coquinhos. Sua vez, de novo, de tomar conta deles. Vai.
Era hora  da prosa de fogão, os mata-fomes bem quentinhos, doce no tacho. Os ruídos dos morcegos no forro logo depois do almoço e ficávamos todos bem na cama.

Parte II de mais uma coisa que te lembre teu livro de memórias
Ouça: na cena seguinte existe nós de novo. A trilha sonora é aquela mesma que fiz há tantos anos atrás. A foto foi colada no álbum de família, e permanece rosada, permanece guardiã. Dizem que nunca mais nos reunimos, mas é mentira. Todos os domingos estávamos lá, com macarrão e frango assado, refrigerante gelado e a sobremesa de pudim, tal como fantoches preparados pelo tempo.
Suavemente, a mãe ia nos servindo, e tudo ficava bem.
Valemos o monte de figurinhas do álbum que foi lançado no fogo.
Aperte o botão certo e tua TV ficará colorida de novo.
Sua persiana verde, sua janela de vidro, suas horas no berço dormindo
e sua alergia de abelhas não causam mais náuseas.
Respire, afunde, deite, durma, acorde, estude, coma...

Parte I de qualquer coisa que te lembre teu livro de memórias.

segunda-feira, 28 de agosto de 2017

Memórias

As meias brancas, que escondiam pernas, revelam a menina de sorriso escondido, de amor sentido, feito de blusa branca e azul. Quem dormia ontem poetisa e falante ao microfone, acordou, agorinha a pouco, com a timidez de volta na garganta e no peito. Não é mais medo de se abrir e saber-se capaz de ir além das notas dez e tal. É mais que a intelectual, é mais que do que a puxa-saco. Memória de colégio é como a terapia, trazendo à tona os calados segredos, divididos com poucas outras meninas como ela.
Felicidade é um dia de cada vez, gente. Não pode vir tudo de sopetão, depois que se tem mais de 45. Tem que conversar com o geriatra primeiro, tem que ter uma engenharia, contornar com o sorriso preparado pelo dentista, segurar na mão da fisioterapeuta pra não desequilibrar....
Quem é esse que varreu a poeira de meus miolos e me faz espirrar saudades num teclado? Tempo? Ele não manda em mim.
Já disse uma vez e repito: ser feliz é ler o coração, antes que a vida vá embora! Que venham mais fotos. Vou sobreviver!

terça-feira, 22 de agosto de 2017

CANTO PARA ROSA

A mãe abriu sua morada 
para a menina ficar.
Um berço de rosas fez sua mãe,
Com as bênçãos de Yemanjá!
Nas conchas ouve a cantiga
Nas ondas é seu ninar.
Um cheiro de rosas fez sua mãe,
Com as bênçãos de Yemanjá!
Os peixes são os amigos
que vão com a menina brincar.
Uma roda de rosas fez sua mãe,
Com as bênçãos de Yemanjá!
Rei Netuno deu um presente
para a menina passear.
Carruagem de rosas fez sua mãe,
Com as bênçãos de Yemanjá!
Da areia partem os barcos
que vão a menina visitar.
Uma rede de rosas fez sua mãe,
Com as bênçãos de Yemanjá!
Ibeijada fez uma festa
lá no fundo do mar.
Um bolo de rosas fez sua mãe,
Com as bênçãos de Yemanjá!

terça-feira, 25 de julho de 2017

AMÉM

Amém!
Guarda.
Na palma da mão, no canto do olho,
na boca do estômago.
Guarda.
Como cheiro de relva no sereno,
como cores de girassóis,
como zumbido de abelhas
no manjericão.
Guarda.
Em ti,
por conta das memórias
minhas.
Por uma eternidade
de sonho e conto de fadas.
Guarda.
No amarelo luz
da vela
que te guarda.
Guarda, cuida, acalenta.
Como beijo bom.
Com brilho de lua
e caminho de roça.
Guarda.
Como vento de bicicleta,
como água de chuva,
como luz da manhã.

quarta-feira, 24 de maio de 2017