terça-feira, 25 de julho de 2017

AMÉM

Amém!
Guarda.
Na palma da mão, no canto do olho,
na boca do estômago.
Guarda.
Como cheiro de relva no sereno,
como cores de girassóis,
como zumbido de abelhas
no manjericão.
Guarda.
Em ti,
por conta das memórias
minhas.
Por uma eternidade
de sonho e conto de fadas.
Guarda.
No amarelo luz
da vela
que te guarda.
Guarda, cuida, acalenta.
Como beijo bom.
Com brilho de lua
e caminho de roça.
Guarda.
Como vento de bicicleta,
como água de chuva,
como luz da manhã.

quarta-feira, 24 de maio de 2017

Foto colorida 
na cabeceira de sonhos. Cheirinho de margaridas
nos caminhos 
deixamos.
Em algum lugar nesta noite tem o frio de lágrimas num rosto.
Tem uma ponte caindo aos pedaços 
que não te deixa mais atravessar o mundo.
Tem a vez do leão, tem.
Na noite de hoje, faltarão lenços, lençóis e flores.
Mas o relógio despertará, depois da noite de hoje.

DESENCANTO

Desarrumar as gavetas dentro do peito
e juntar os meus doces laços,
com o resto de mundo que me resta.
Deixar partir o amor é fazer de mim um porto de chegada.
Deixar partir um sonho é poder ser vontade de outros.
regina vilarinhos - 2012
Teu olho que me olha
pelo canto de meu olho
lança um brilho
de encanto
do canto
que não me lembro
de quando cantou
pela última vez.

Equilibrando

Eu tento me equilibrar entre o campo e a metrópole Volta Redonda. Aqui temos a vida que temos porque aqui ficamos. Estamos tão perto de tantos lugares mágicos para fugir, se distrair, se misturar com o mar (Angra etc) e a natureza (Penedo, Mauá, sul de Minas). Tristezas existem na alma, não nos lugares. Desapego, é esse meu lema geográfico. A cidade de Volta Redonda é poluída, é corrida, é cheia de altos e baixos. Mas é aqui que tenho os melhores amigos e amigas, foi aqui que outros tantos me fizeram e partiram,deixando saudades imensas. Mas se você der as costas para a chaminé, verá outra cidade, que tem lugares a serem descortinados da fumaça e repletos de outras lembranças para dar. Experimente, explore.
regina vilarinhos - 2012

Todo dia eu quero

Café com leite. 
Deixei na caneca colorida.
A chave do portão ficou no seu bolso. Coloca ração para o peixe e a roupa na corda.
Volto.
Me espera com a boca de hortelã.

ECLIPSE

Da luz que veio em cheio
ausência da lua minha,
camada afável
prata nos olhos
teus.

quarta-feira, 22 de março de 2017

Taboa

Devagarinho, no caminho para Angra e Muriqui. A Rural cheia de família, de boias, bolas.
Banho de rio, cheiro de mato, carro sujo.
- Menino, volta pra cá!
- Vou pegar taboa, mãe!
Fui lá. Na estradinha da memória, agora mesmo.
Voltei com o cheiro da maresia e com areia nos cabelos.
Exercícios de felicidade
Identificar
este mundo
depois do arco-íris
e antes da 
próxima tempestade.
Eu tento.
Com fome, mas não é no estômago. É na alma. Meu alimento: liberdade.