terça-feira, 12 de julho de 2016

Foto na varanda tem sol

Tem sol, tem fundo azul de céu.
Foto na varanda tem a casa no fundo também. A casa tem a
varanda para sorrir, ela espera pela foto sempre.
Um cachorro ou um gato na janela, estão sorrindo?
As plantas penduradas e as cadeiras de ferro, simétricas e brancas.
Foto na varanda tem lembrança de domingos,
de lasanhas e doces-de-leite. Jornal caído no chão.
Porque uma varanda precisa de mulheres nela
e de pedaços de histórias cuidadosamente caídas nos farelinhos de bolo no chão.
O alpendre.
- Onde estão meus óculos?
- No alpendre, vó.
Foto na varanda tem que ter sol, sô!
regina vilarinhos - 2016

terça-feira, 28 de junho de 2016

FLIP 2016 e as vozes que são esquecidas

A programação da FLIP 2016 está voltada para a mulher e a poesia. Ana Cristina César é a homenagem deste ano.
Não vou desde 2015. Não tenho mais gás e energia pra ir, rodar pelas pedras, mostrar meu trabalho. Nem mesmo para a OFF FLIP tenho mais tanta vontade assim.
Mas hoje encontrei esta carta, que é importante divulgar e provocar o debate.

Carta aberta à Festa Literária de Paraty

UMA EREMITA URBANA

Desapeguei. Parti. Caminhei em outra direção.
Falo só para mim. Escrevo só para mim.
Minha casa e meu café, alguns poucos amigos e amigas.
Minhas plantas e meus quadros.
Poesia em volta de mim só meus livros, meus discos e meus bichos. Nada mais?
Os sabores que faço, os ventos que me sugerem cantos, os perfumes e sons que entram pela minha janela.

O que se quiser dizer, que se diga.
O que se quiser julgar, que se julgue.
Suportarei o convívio comigo mesma.
Sem medo da doce solidão sem tédio.
A elegância do céu azul ou cinza, eu escolherei para meus dias.
A companhia das estrelas.
O que será escuro não será significado de noite para mim.
E daqui a alguns anos ou meses, se quiser fazer tudo de novo, eu faço. Desapeguei de algumas datas.
Que eu seja cada vez mais a energia que produz paz; que eu seja cada vez menos a justificativa dos outros.
Quero ser para mim o que tenho me pedido desde a adolescência.
“Nonada”. E depois dela, um todo de mim.
regina vilarinhos

quinta-feira, 23 de junho de 2016

Haicai

Haicai
Colibri colorido
é um beijo no
umbigo.
Beijo na chuva
é a trama da
vulva.
Jujuba e beijo
um doce e um
desejo.
Arrepio com jeito
beijo dado no
peito.

quarta-feira, 25 de maio de 2016

Que magia posso eu ter nas mãos,
para enfrentar a página em branco,
o mar de sons que sopram em meus pensamentos?
O lugar desconhecido de que me falam
e não busco bússola?
Outra vez tenho um minuto só pra transferir
o intransigente último verso
antes de chorar.
Uma das melhores sensações do mundo,
da eternidade,
é o poema a sair da partitura
e ser das cordas.
regina vilarinhos - 2016

Das dores

DAS DORES
Deu um jeito no peito e rompeu os ligamentos com a tristeza. Vai ficar de sorriso aberto durante o resto do ano. Tratamento intensivo.
regina vilarinhos - 2015

Do dia

DO DIA
Arrumar o guarda-roupa e encontrar coisas perdidas. Bagunçar a alma e buscar poesias escondidas.
regina vilarinhos - 2015




Eu tenho vontade de ser grande.
E tenho também a vontade da eternidade.
Tenho a imensidão do por do sol todos os dias
e a poeira das estrelas nos sonhos.
Uma voz soprando versos.
Uma mulher, apenas.

Céu céu céu

Céu, céu, céu
por dentro e por fora,
fez azul,
fez vento
e foi embora.