terça-feira, 25 de fevereiro de 2014
segunda-feira, 3 de fevereiro de 2014
domingo, 19 de janeiro de 2014
Olhos cheios d´água
Regina Vilarinhos
Esse jeito da gente olhar para o outro e querer que se enxergue as palavras.
E eu queria um dia dizer para todos palavras tão simples,
que não precisassem ser apagadas e reescritas,
pois todas as partes que me conhecem,
todas as partes que me prendem,
em cada um dos meus amigos,
são feitas de simplicidade.
De qualquer lugar onde pudessem me ver e ouvir,
saberiam que elas me anunciavam.
Meu primeiro ai, saindo da dor que não explico,
sobre a vontade que tenho de cuidar de cada um de meus amores.
Todo os meus "até logo" precisavam ser "não se vá".
Nenhum deles nunca couberam dentro de minha mão,
mas sempre estiveram lá.
Nem sempre me deram razão, mas sempre me acharam razoável.
De tudo o que soubesse dizer, nada poderia sair por completo antes de minha boca completar a fala.
O prato que servi, a comida que fiz, não tem sabor de ver que guardo nos meus olhos.
Ver foto de Elvis, ouvir mpb, assistir um filme de amor,
pensar nas melhores amigas, dormir com a filha,
tomar chopp, sorvete,
sentir o vento no rosto, fazer o café,
viajar em boa companhia
e lembrar de não esquecer a chuva no telhado,
me fazendo crer que estou em Passa Quatro.
Se fosse só saudade seria fácil explicar,
mas nem de amor é bom falar,
porque fica perdida a metafísica do jeito
mais que de ser poeta, mas de querer ser perfeito.
Esse jeito da gente olhar para o outro e querer que se enxergue as palavras.
E eu queria um dia dizer para todos palavras tão simples,
que não precisassem ser apagadas e reescritas,
pois todas as partes que me conhecem,
todas as partes que me prendem,
em cada um dos meus amigos,
são feitas de simplicidade.
De qualquer lugar onde pudessem me ver e ouvir,
saberiam que elas me anunciavam.
Meu primeiro ai, saindo da dor que não explico,
sobre a vontade que tenho de cuidar de cada um de meus amores.
Todo os meus "até logo" precisavam ser "não se vá".
Nenhum deles nunca couberam dentro de minha mão,
mas sempre estiveram lá.
Nem sempre me deram razão, mas sempre me acharam razoável.
De tudo o que soubesse dizer, nada poderia sair por completo antes de minha boca completar a fala.
O prato que servi, a comida que fiz, não tem sabor de ver que guardo nos meus olhos.
Ver foto de Elvis, ouvir mpb, assistir um filme de amor,
pensar nas melhores amigas, dormir com a filha,
tomar chopp, sorvete,
sentir o vento no rosto, fazer o café,
viajar em boa companhia
e lembrar de não esquecer a chuva no telhado,
me fazendo crer que estou em Passa Quatro.
Se fosse só saudade seria fácil explicar,
mas nem de amor é bom falar,
porque fica perdida a metafísica do jeito
mais que de ser poeta, mas de querer ser perfeito.
terça-feira, 17 de dezembro de 2013
domingo, 15 de dezembro de 2013
sexta-feira, 13 de dezembro de 2013
terça-feira, 26 de novembro de 2013
sábado, 23 de novembro de 2013
Dá um tchauzinho - o dia em que o Cristo sumiu
Conto escrito em 2005 -
foto:web.
- Mãe! Corre, mãe! Vem ver! Mãe! Mãe!
- Pára com isso, menino! Pára! Desse jeito
acorda teu pai e tu já viu como ele fica, né??
-Anda, mãe! Aqui, na janela do meu quarto. O Cristo ... ele sumiu!!
-Anda, mãe! Aqui, na janela do meu quarto. O Cristo ... ele sumiu!!
- Que Cristo?! Tô indo!
Mal pude acreditar! Meus olhos doeram na claridade, baixei o rosto, levantei e olhei de novo: o Cristo tinha mesmo sumido! Olhei para todos os lados, rua calçadas. Nada! A rua estava deserta, só eu e o Mateus vendo aquilo. Quer dizer, não vendo.
- Credo! Que é isso! Mateus, chama teu pai! Agora! Corre! Eu vou ficar aqui vigiando.
Nem parei pra pensar no que falava. Só sentia que tinha que vigiar.
- Cacete! Quantas vezes vou te pedir pra não me acordar cedo na segunda?! Que porra é essa de Cristo que sumiu? Tá doidona, já fumou um e nem me esperou?
- Cala a boca, Otávio! Num tá vendo o Mateus aí? Para de falar essas coisas perto dele. Que diferença faz pra você se é segunda ou sábado? Tu num acorda cedo nunca! Vem aqui e eu te mostro.
- Puta que pariu! Cadê o cara? Neguinho já rouba até a estátua do Cristo? E agora? Como que a cidade fica? Quem vai abençoar? Nossa Senhora da Penha? Já ligou pro bombeiro, pra polícia...
Enquanto Otávio falava sem parar, o Mateus tratou de pegar a digital e fotografar feito um doido. Oito da manhã. Não tinha neblina, não tinha chuva, não tinha fumaça nenhuma, nada de explosão... e nada do Cristo Redentor. Não era culpa do Peréio.
- Otávio, vamos descer! Não liga pra ninguém. Anda, pega a chave do carro, Mateus ponha uma blusa! Boca fechada! Talvez o prédio todo esteja dormindo, nós vamos ser os primeiros...
- Tá maluca, Lúcia? Vamos ser os primeiros a quê?
- A descobrir onde ele está, se é que está em algum lugar... Anda, deixa de perguntas, no caminho eu explico. Ah! Esse elevador sempre lento...
Dentro do carro, comecei a explicar, subindo as Paineiras:
- Essa hora, ninguém tem vontade de subir o Cristo. Aliás, alguma coisa muito esquisita tá acontecendo, nenhum carro na rua, nem o guarda na entrada das Paineiras.
- Ô Lúcia, para de falar da rua e vamos à estátua.
- Vamos até lá com o Mateus e ele fotografa mais de perto. Aí, nós saímos e vamos pro jornal, pra vender as fotos. Este será nosso passaporte para sairmos do SPC direto para as compras de novo.
Desci do carro correndo. Mal olhava para os lados. Não havia ninguém, somente nós três. Mateus vinha ao meu lado e parou de repente.
- Anda, menino, parou por quê??
- Olha mãe! – ele estava imóvel e branco igual à blusa que vestia.
Quando olhei para frente, também congelei. Caramba! Era o Cristo, de cara pra mim, sentadinho nas escadas. Não consegui dar nem mais um passo, emudeci.
- Só vieram vocês?! – falou e baixou o rosto entre as mãos. Parecia cansado. Pudera, 78 anos de braços abertos ... Puxei conversa, meio gaguejando:
- Es... estava esperando alguém?
- Todos os dias eu espero. Desde que começou esta história de me explodir, eu passo a madrugada desse jeito: sentado aqui, escondido desse tal Peréio, e espero a manhã chegar, volto pro meu lugarzinho de sempre, antes dos turistas. Assim, ele não terá coragem de me explodir.
- Mas como? Já tentaram? Não era só uma ideia de um doidão, querendo mídia?
Mateus sentou-se no chão e parecia não acreditar no diálogo que presenciava. Na verdade, nem eu. Mas continuei assim mesmo:
- Ninguém vai fazer isso...
- Mesmo assim, você acha que eu vou me
arriscar? Os caras não explodiram lá no Afeganistão? Por que seria diferente
aqui? Olha: sol quente, chuva, vento gelado, bala perdida, reforma, escalada
coletiva, tudo isso inda vai... Mas ir pelos ares é que eu não quero!
- Entendo. E a polícia? Por que não fazem ronda?
- Entendo. E a polícia? Por que não fazem ronda?
- Dona, se fizerem ronda aqui, vai nevar no Rio de Janeiro. Alguém já tinha pensando nisso antes? Eles acham isso impossível! Eu, tenho certeza, e não tenho seguro nem família...
Deu um suspiro, olhou em volta:
- Só esta vista maravilhosa! É por isso que não quero morrer! Entende? Quando passa um helicóptero, dá até vontade de dar um tchauzinho...
Guardei a máquina, chamei o Mateus, fomos para o carro. Muda, calada. Otávio desceu dirigindo bem devagar, observando a paisagem. Ninguém falava mais nada.
regina vilarinhos
domingo, 10 de novembro de 2013
EXPOSIÇÃO NO COLÉGIO THEMIS - CORDEL
Trabalho feito ao longo do 4º Bimestre de 2013, com alunos de 6ª série, escola pública. O tema era o Ciclo da Água e os alunos preparam textos e imagens relacionados à preservação, ao valor da água em nossas vidas.
Exposição foi dia 9 de novembro e as fotos mostram um pouquinho desse trabalho. A arte dos livros foi feita por Ludmila Vilarinhos.
sábado, 26 de outubro de 2013
Dru-mont Andares
Dru-mont Andares
Ouvir o bendito,
sentir o canto aflito
carregar Itabira
a pedra, o grito
junto ao boitempo.
Os acontecimentos, a morte e a poesia
são todos incontáveis.
Esse que hoje é José,
que foi Raimundo,
que foi bruxo,
nascido Carlos.
Nas laranjeiras das casas,
nas garrafas de leite,
na companhia de J. Pinto Fernandes.
Tempo que não digo mais, não teço nenhum trabalho
que mulheres poderão bater em minha porta.
Anjo bom e mau, vento que rodou
sobre o mar e dormiu no gado.
Muitos países, muitas ruas
uma janela, um mar, um banco
na praia.
Teu ombro, meu amigo,
para minhas confissões.
regina vilarinhos - 2013
Ouvir o bendito,
sentir o canto aflito
carregar Itabira
a pedra, o grito
junto ao boitempo.
Os acontecimentos, a morte e a poesia
são todos incontáveis.
Esse que hoje é José,
que foi Raimundo,
que foi bruxo,
nascido Carlos.
Nas laranjeiras das casas,
nas garrafas de leite,
na companhia de J. Pinto Fernandes.
Tempo que não digo mais, não teço nenhum trabalho
que mulheres poderão bater em minha porta.
Anjo bom e mau, vento que rodou
sobre o mar e dormiu no gado.
Muitos países, muitas ruas
uma janela, um mar, um banco
na praia.
Teu ombro, meu amigo,
para minhas confissões.
regina vilarinhos - 2013
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"Tempo bom não volta mais saudade de outros tempo iguais." (Lilico) Tinha em torno de 14 anos. Eles tinham quase 18. Eram lindos, ...













