sábado, 23 de agosto de 2014
terça-feira, 19 de agosto de 2014
CLARICEANDO
De corpo, mente e de sede inundada, mergulhou fundo na metade dela que ainda estava respirando. E sentiu a imensa vontade de estar em qualquer lugar melhor do que estar ali, junto da sua metade que não mais respirava.
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Algumas coisas nos cansam, algumas pessoas nos encantam, algumas leituras nos desligam e algumas taças nos anestesiam.
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Renovar a vida não só porque é o ciclo. Alguns ciclos eu não quero repetir.
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Fato é que o mundo gira demais e as vertigens derrubam.
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A solidão é a vida precisando tomar rumo, como um cão sozinho na linha do trem. Onde ele vai e de onde ele vem e por quê ele continua caminhando?
regina vilarinhos - 2014
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Algumas coisas nos cansam, algumas pessoas nos encantam, algumas leituras nos desligam e algumas taças nos anestesiam.
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Renovar a vida não só porque é o ciclo. Alguns ciclos eu não quero repetir.
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Fato é que o mundo gira demais e as vertigens derrubam.
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A solidão é a vida precisando tomar rumo, como um cão sozinho na linha do trem. Onde ele vai e de onde ele vem e por quê ele continua caminhando?
regina vilarinhos - 2014
terça-feira, 24 de junho de 2014
São João
Aproximava-se sempre devagar da fogueira. Sentia o calor no rosto e ia
para trás de novo. Tinha medo dos olhos arderem com a fumaça, tinha medo
de correr em volta do fogo, como as outras crianças. Os estalos da
madeira pareciam seu coração festejando o São João.
Sentia uma alegria interna quando via o calendário mudar o mês e o colégio se enfeitar todo de bandeirinhas coloridas. Os ensaios da quadrilha eram para encher o coração de esperanças, porque ele a tirava como par, todos os anos.
Lindo, moreno, simpático e inteligente. Ela amava Ben-Hur. Podia ter nome mais lindo? Ela se achava feia, chata, sem graça. Mas dançava a quadrilha melhor que ninguém e ele gostava disso.
O dia da Festa de São João chegava. Eles dançavam, riam, comiam doces mil... Era a melhor noite do ano para ela.
Quando ia para casa, via as estrelas perdidas no céu. O frio e o vento estavam sempre juntos de seu rosto. Mas olhava assim mesmo, lá para o alto, e entortava a cabeça. Guardava o vestido caipira, esperando o próximo ano, a próxima dança. Torcendo para Ben-Hur estar sempre ali.
Um dia, ele partiu para outra cidade e os dois nunca mais rodaram o anarriê de São João.
Ficou a música dos balões subindo e enchendo o céu de luzes coloridas.
regina vilarinhos - 2014
Sentia uma alegria interna quando via o calendário mudar o mês e o colégio se enfeitar todo de bandeirinhas coloridas. Os ensaios da quadrilha eram para encher o coração de esperanças, porque ele a tirava como par, todos os anos.
Lindo, moreno, simpático e inteligente. Ela amava Ben-Hur. Podia ter nome mais lindo? Ela se achava feia, chata, sem graça. Mas dançava a quadrilha melhor que ninguém e ele gostava disso.
O dia da Festa de São João chegava. Eles dançavam, riam, comiam doces mil... Era a melhor noite do ano para ela.
Quando ia para casa, via as estrelas perdidas no céu. O frio e o vento estavam sempre juntos de seu rosto. Mas olhava assim mesmo, lá para o alto, e entortava a cabeça. Guardava o vestido caipira, esperando o próximo ano, a próxima dança. Torcendo para Ben-Hur estar sempre ali.
Um dia, ele partiu para outra cidade e os dois nunca mais rodaram o anarriê de São João.
Ficou a música dos balões subindo e enchendo o céu de luzes coloridas.
regina vilarinhos - 2014
domingo, 22 de junho de 2014
Vinha de um sonho feito de pequenas felicidades. Pegava os ventos pelas mãos, colhia pingos de chuva na ponta da língua, deitava os cabelos sobre as nuvens. Certa vez, voou sobre as colinas, apenas para brindar um raio de sol com os pássaros. Sentava-se à beira dos abismos para soprar os dentes-de-leão e vê-los cair no vale.
Partiu para o alto e levou as pequenas felicidades que lhe deram pelo caminho.
Não tinha medos. Só tinha o mundo. E ele girava em todos os cantos, dançando junto com os cavalos e peixes.
regina vilarinhos - 2014
Partiu para o alto e levou as pequenas felicidades que lhe deram pelo caminho.
Não tinha medos. Só tinha o mundo. E ele girava em todos os cantos, dançando junto com os cavalos e peixes.
regina vilarinhos - 2014
sábado, 24 de maio de 2014
Prova
Prova
Tenho um cão que nunca brincou comigo e
tenho um livro que nunca li.
Tenho doces presos nos armários.
Tenho uma panela velha que está
sem tampa e nunca a usei.
Ainda resta um carnê das casas cem,
contando as parcelas do sonho engavetado.
Divido um copo de vinho com a mulher no espelho,
que ri desesperada de mim.
Aqueles que sorriem comigo no porta-retratos
ainda ouvem tangos na radiola.
Resta um sol no papel que nunca
esteve na janela em um dia cinza.
Permanece a vida na busca rigorosa dos esquecidos
comprovantes de que ela foi útil.
Regina Vilarinhos - 2014
Tenho um cão que nunca brincou comigo e
tenho um livro que nunca li.
Tenho doces presos nos armários.
Tenho uma panela velha que está
sem tampa e nunca a usei.
Ainda resta um carnê das casas cem,
contando as parcelas do sonho engavetado.
Divido um copo de vinho com a mulher no espelho,
que ri desesperada de mim.
Aqueles que sorriem comigo no porta-retratos
ainda ouvem tangos na radiola.
Resta um sol no papel que nunca
esteve na janela em um dia cinza.
Permanece a vida na busca rigorosa dos esquecidos
comprovantes de que ela foi útil.
Regina Vilarinhos - 2014
quinta-feira, 22 de maio de 2014
Encontros e navegação
Minha grande cidade do interior permite que se caminhe e se encontre. Ainda.
Nesta cidade, de tamanhos variados e de saudades escondidas nas esquinas, nos becos, nos elevadores e nas salas de espera dos consultórios, é que os encontros sempre se fizeram.
Encontros são o mote da vida.
São os amigos, os filhos dos amigos e aqueles outros amigos e seus filhos, que andaram por tantos lugares e, volta e meia, estão de novo à nossa frente.
Algumas vezes me parece que o que deu nó não foi a gente, foi o tempo. E estamos aqui nos encontrando e desatando um por um, a cada reencontro.
O longe é aquele lugar que não chegamos e o mapa de viagem me foi dado há pouco tempo. Eu, que não sabia ler mapas, estive usando bússolas erradas, deixei o navio à deriva em mar bravo. Retornei ao cais e reencontrei meu leme.
Um canto de sereia ainda teima em soar bem próximo.
É uma chance de navegar.
Mas ainda estou em terra firme, porque existe um encontro que ainda não aconteceu.
Eu espero, porque tenho a alma de poeta fingidor e não é minha esta dor de deixar o barco seguir sozinho.
regina vilarinhos
Nesta cidade, de tamanhos variados e de saudades escondidas nas esquinas, nos becos, nos elevadores e nas salas de espera dos consultórios, é que os encontros sempre se fizeram.
Encontros são o mote da vida.
São os amigos, os filhos dos amigos e aqueles outros amigos e seus filhos, que andaram por tantos lugares e, volta e meia, estão de novo à nossa frente.
Algumas vezes me parece que o que deu nó não foi a gente, foi o tempo. E estamos aqui nos encontrando e desatando um por um, a cada reencontro.
O longe é aquele lugar que não chegamos e o mapa de viagem me foi dado há pouco tempo. Eu, que não sabia ler mapas, estive usando bússolas erradas, deixei o navio à deriva em mar bravo. Retornei ao cais e reencontrei meu leme.
Um canto de sereia ainda teima em soar bem próximo.
É uma chance de navegar.
Mas ainda estou em terra firme, porque existe um encontro que ainda não aconteceu.
Eu espero, porque tenho a alma de poeta fingidor e não é minha esta dor de deixar o barco seguir sozinho.
regina vilarinhos
terça-feira, 29 de abril de 2014
Uma
vibração diferente na minha voz, um jeito de caminhar que está mais
contido, a surpresa em olhar para lados diferentes pela rua.
Não tem censura, tem alívio.
Tem mais do sonho sendo realizado, do que do medo de seguir em frente.
Tem um quê de bolo de laranja e um cheiro de chuva no mato.
Sai pela porta da frente e pelas janelas, entra pelos pelos.
Foi depois de assistir um filme, de ler mais de 4 livros em um mês, depois de escrever mais um poema e de ouvir as músicas que nunca tinha ouvido antes.
Bate ponto e sabe ser dona do seu fazer diário.
E está ali, no meio da praça, sentadinha, esperando o frio gostoso do outono.
Esperando o beijo na boca.
Tem uma mudança em curso. E não é pequena.
regina vilarinhos
Não tem censura, tem alívio.
Tem mais do sonho sendo realizado, do que do medo de seguir em frente.
Tem um quê de bolo de laranja e um cheiro de chuva no mato.
Sai pela porta da frente e pelas janelas, entra pelos pelos.
Foi depois de assistir um filme, de ler mais de 4 livros em um mês, depois de escrever mais um poema e de ouvir as músicas que nunca tinha ouvido antes.
Bate ponto e sabe ser dona do seu fazer diário.
E está ali, no meio da praça, sentadinha, esperando o frio gostoso do outono.
Esperando o beijo na boca.
Tem uma mudança em curso. E não é pequena.
regina vilarinhos
terça-feira, 8 de abril de 2014
RASO E TRISTE
Uma ponta de sal
No canto do dia que não começou.
A mesma tentativa de sempre
de colocar a vida para frente
e ficar citando Leibniz e Locke.
Vazio. Espírito, corpo, mente, coração
estão vazios, mortos, junto de muitos outros iguais.
Deixando pauta sem som,
e tenta reger a orquestra de idiotas que
te seguem.
regina vilarinhos
No canto do dia que não começou.
A mesma tentativa de sempre
de colocar a vida para frente
e ficar citando Leibniz e Locke.
Vazio. Espírito, corpo, mente, coração
estão vazios, mortos, junto de muitos outros iguais.
Deixando pauta sem som,
e tenta reger a orquestra de idiotas que
te seguem.
regina vilarinhos
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