Iluminura do banco da praça
Fabrício Carpinejar
"Você não perguntou se eu podia, ou se devia.
Você não me diminuiu para se sentir mais forte.
Você não se escandalizou com a mentira; eu não completei a verdade.
Você não pensou no futuro, não pesou as conseqüências, não penou antes da hora.
Você não se protegeu do que desconhecia.
Não alertou que sofreria comigo, e que depois não sairia ilesa.
Você não me forçou a adivinhá-la.
Não apelou para o bom senso.
Você não me inventou, muito menos queimou o rascunho.
Você não me ameaçou com gentilezas.
Não me incriminou com seus temores, não explicou seus traumas.
Não se fez de vítima como se eu estivesse atacando.
Não, você me carregou nos ombros pela cintura. Os dois dedos dentro do meu cinto empurrando a dança.
Não me solicitou prova, testemunhas, sinais.
Não emprestou a Deus o que acontecia em segredo.
Você lembrou do sinal-da-cruz longe da igreja.
Não me julgou por antigos amores.
Não me condicionou a amar como estava acostumada.
Não esperou que eu pronunciasse o que vinha escrito em carta.
Você me olhava com os cabelos.
Você não pediu fiança, recompensa, para se entregar.
Você veio com a roupa do corpo, com o corpo ainda sem culpa.
Você me fechou em suas pernas e deixou a porta aberta do quarto.
Você me exilou no desejo para me repatriar aos poucos.
Você esqueceu as janelas chiando na cozinha.
Você foi incapaz de me constranger quando desisti de responder.
Você não me incitou a casar contigo, não me incitou a namorar.
Você não isolou minhas frases, não alegou que era uma fase.
Você me perdoou como se não existisse.
Você me fez existir para que perdurasse.
Você não me reclamou distante, não cobrou que mandasse notícias.
Você desaparecia quando desaparecia e voltava quando voltava.
Você me afirmava quando me confundia.
Você segurava a nudez para que subisse.
Você não me comparou a ninguém, muito menos aquilo que já fui.
Você não me subornou com a infância ou com o medo da morte.
Você não explorou meus segredos para usá-los.
Você não quis que falasse para preencher as falhas.
Você arredondou os defeitos pela pressa de cuidá-los.
Você foi generosa com os meus ouvidos, confiando mais no vento do que na palavra.
Você me permitiu.
Você me entendeu ao não entender.
Você não teve nada a ver comigo - finalmente eu não me repetia. "
PS:permito-me a ausência, em fase de provas e trabalhos, minha dedicação ao último ano. Tem gente que pensa que eu brinco de estudar, mas é verdade.
Carpinejar é um grande poeta e emociona. Mais de 150.000 acessos é prova de capacidade. Eu não sei se chego lá, sei que chego onde eu quero.
Abraços
regina
quarta-feira, 9 de abril de 2008
sexta-feira, 28 de março de 2008
AFRICA
Poema de José Craveirinha - poeta Moçambicano falecido em 2003
Tambor está velho de gritar
Oh velho Deus dos homens
deixa-me ser tambor
corpo e alma só tambor só tambor gritando na noite quente dos trópicos.
Nem flor nascida no mato do desespero
Nem rio correndo para o mar do desespero
Nem zagaia temperada no lume vivo do desespero
Nem mesmo poesia forjada na dor rubra do desespero.
Nem nada!
Só tambor velho de gritar na lua cheia da minha terra
Só tambor de pele curtida ao sol da minha terra
Só tambor cavado nos troncos duros da minha terra.
Eu
Só tambor rebentando o silêncio amargo da Mafalala
Só tambor velho de sentar no batuque da minha terra
Só tambor perdido na escuridão da noite perdida.
Oh velho Deus dos homens
eu quero ser tambor
e nem rio
e nem flor
e nem zagaia por enquanto
e nem mesmo poesia. Só tambor ecoando como a canção da força e da vida
Só tambor noite e dia
dia e noite só tambor
até à consumação da grande festa do batuque!
Oh velho Deus dos homens
deixa-me ser tambor
só tambor!
José Craveirinha
Tambor está velho de gritar
Oh velho Deus dos homens
deixa-me ser tambor
corpo e alma só tambor só tambor gritando na noite quente dos trópicos.
Nem flor nascida no mato do desespero
Nem rio correndo para o mar do desespero
Nem zagaia temperada no lume vivo do desespero
Nem mesmo poesia forjada na dor rubra do desespero.
Nem nada!
Só tambor velho de gritar na lua cheia da minha terra
Só tambor de pele curtida ao sol da minha terra
Só tambor cavado nos troncos duros da minha terra.
Eu
Só tambor rebentando o silêncio amargo da Mafalala
Só tambor velho de sentar no batuque da minha terra
Só tambor perdido na escuridão da noite perdida.
Oh velho Deus dos homens
eu quero ser tambor
e nem rio
e nem flor
e nem zagaia por enquanto
e nem mesmo poesia. Só tambor ecoando como a canção da força e da vida
Só tambor noite e dia
dia e noite só tambor
até à consumação da grande festa do batuque!
Oh velho Deus dos homens
deixa-me ser tambor
só tambor!
José Craveirinha
quinta-feira, 20 de março de 2008
Na savana

O morrer e renascer fazem parte da grandeza de amar. Só conseguimos enxergar isso porque amamos demais, tudo em nós cheira a amor e quer amor. Por isso, a frase "Eu sou poeta e não aprendi a amar", é tão verdadeira. Nós não aprendemos a amar. Aprendemos a querer amar. Precisamos amar alguém ou algo ou tudo ao mesmo tempo. Pois esta intensidade só nos faz acreditar que estamos vivendo um dia após o outro, sem prestar atenção na qualidade de nosso amor por nós mesmas.
Quando chega o nosso homem, objeto do nosso amor do momento, nós somos um bichinho frágil. Quando ele parte, nós viramos onça e caçamos nossa presa. Parece que é tudo um jogo. E no final da caçada, os restos de nós mesmas ficam espalhados na savana. Não foi a presa que se feriu. Fomos nós. Os abutres nos rodeiam, fantasiados de pássaros lindos, esperando o último suspiro, que não sai. Curamos sozinhas nossas feridas.
E, claudicando, ofegando e nos lavando na água de nossas lágrimas, nosso olhar em volta acredita que temos amor de novo e podemos recomeçar a viver. Parece dramático, fim de mundo. Mas é assim.
Nos poucos momentos felizes que guardamos de cada um deles, vamos fazendo um tour em nós mesmas, em nossas savanas, preparando novas armas para o ataque e se esquecendo de aprender a defesa.
regina vilarinhos
sexta-feira, 14 de março de 2008
sexta-feira, 7 de março de 2008
Feliz Mulher no dia-a-dia
A escolha de ser mulher nos é dada a todo minuto.
Lembro de quando era menina e tinha de escolher entre o rosa e o azul; quando adolescente, entre ser enfermeira ou professora; mais tarde, entre casar ou ser “titia”.
A opção de cada uma deve ser respeitada, e hoje sabemos que existe muito mais a escolher quando se resolve ser mulher de verdade. Percorremos caminhos difíceis como todos, quando resolvemos ser íntegras, verdadeiras, cidadãs, trabalhadoras, profissionais, éticas, mães, esposas, amantes, amadas, enfim, quando resolvemos a rota para encontrar nossa felicidade.
Em cada etapa de nossas vidas, vemos o mundo com olhos diferentes, com a sensibilidade que nos é particular. Aprendemos caindo e levantando. Manchamos muitas blusas com nossa maquiagem borrada pelas lágrimas. Marcamos muitas bochechas de nossas amigas, de nossos amigos, dos nossos filhos e dos nossos amores de vermelho batom.
Muitos reduzem nossas escolhas entre sermos louras ou morenas, gordas ou magras, fashion ou brega, de cabelos brancos ou com luzes, inteligente ou burra.
A nossa escolha é sermos humanas!
Assim, não é apenas um simples duelo de quem é melhor, de quem sabe mais, de quem é o mais forte. Estamos juntas com os homens para fazermos o equilíbrio energético do planeta.
Se existe o sim, nós podemos ser não.
Se existe a noite, nós chegamos de dia.
Se existe o Sol, nós brilhamos com a Lua.
Se existe o mar, nós somos terra firme.
Se existem retas, nós ensinamos as curvas.
Se existe o cinza, nós temos as cores do arco-íris.
Se existe o velho, nós somos crianças.
Se existe o rude, nos mostramos o belo.
Se existe muita prosa, nós falamos poesia.
O melhor de tudo é estarmos vivas e prontas para sermos felizes um dia de cada vez!
regina vilarinhos
Lembro de quando era menina e tinha de escolher entre o rosa e o azul; quando adolescente, entre ser enfermeira ou professora; mais tarde, entre casar ou ser “titia”.
A opção de cada uma deve ser respeitada, e hoje sabemos que existe muito mais a escolher quando se resolve ser mulher de verdade. Percorremos caminhos difíceis como todos, quando resolvemos ser íntegras, verdadeiras, cidadãs, trabalhadoras, profissionais, éticas, mães, esposas, amantes, amadas, enfim, quando resolvemos a rota para encontrar nossa felicidade.
Em cada etapa de nossas vidas, vemos o mundo com olhos diferentes, com a sensibilidade que nos é particular. Aprendemos caindo e levantando. Manchamos muitas blusas com nossa maquiagem borrada pelas lágrimas. Marcamos muitas bochechas de nossas amigas, de nossos amigos, dos nossos filhos e dos nossos amores de vermelho batom.
Muitos reduzem nossas escolhas entre sermos louras ou morenas, gordas ou magras, fashion ou brega, de cabelos brancos ou com luzes, inteligente ou burra.
A nossa escolha é sermos humanas!
Assim, não é apenas um simples duelo de quem é melhor, de quem sabe mais, de quem é o mais forte. Estamos juntas com os homens para fazermos o equilíbrio energético do planeta.
Se existe o sim, nós podemos ser não.
Se existe a noite, nós chegamos de dia.
Se existe o Sol, nós brilhamos com a Lua.
Se existe o mar, nós somos terra firme.
Se existem retas, nós ensinamos as curvas.
Se existe o cinza, nós temos as cores do arco-íris.
Se existe o velho, nós somos crianças.
Se existe o rude, nos mostramos o belo.
Se existe muita prosa, nós falamos poesia.
O melhor de tudo é estarmos vivas e prontas para sermos felizes um dia de cada vez!
regina vilarinhos
quinta-feira, 6 de março de 2008
O maior poeta de Volta Redonda!
FUGA
esqueço nomes dias datas
minha nave de prata
pirado pirata flibusteiro
na ebulição do tempo atento
ilógico o tempo inteiro
esqueço que me sinto
que me dopo que me estrepo
retrato da inanição
quando me zune o snague
insana gana suicida
esqueço que me assino
que me escrevo escravo e desejo
esqueço que me ensinam
matar e mentir
esqueço o apreço
e o que não mereço
esquecer lembrar memorar
quem serei
quando a memória for
para não voltar?
Rastero - o poeta primeiro
esqueço nomes dias datas
minha nave de prata
pirado pirata flibusteiro
na ebulição do tempo atento
ilógico o tempo inteiro
esqueço que me sinto
que me dopo que me estrepo
retrato da inanição
quando me zune o snague
insana gana suicida
esqueço que me assino
que me escrevo escravo e desejo
esqueço que me ensinam
matar e mentir
esqueço o apreço
e o que não mereço
esquecer lembrar memorar
quem serei
quando a memória for
para não voltar?
Rastero - o poeta primeiro
terça-feira, 4 de março de 2008
Horizonte
segunda-feira, 3 de março de 2008
Houve uma vez um...
Peregrino,
caminhando em minhas estradas
descansando em minhas sombras.
Alpinista,
galgando minhas montanhas
repousando em meus vales.
Cavaleiro,
galopando meus campos,
bebendo de minhas fontes.
Bandeirante,
penetrando minhas cavernas,
devastando minhas matas.
Idealista,
teorizando meu mundo,
dominando meu medo.
Poeta,
escrevendo em meu livro,
assinando com meu suor.
Peregrino de mim,
alpinista sem bandeira,
cavaleiro sem corcel,
bandeirante saciado,
ideal de meus sonhos,
poeta de meus versos.
regina vilarinhos
caminhando em minhas estradas
descansando em minhas sombras.
Alpinista,
galgando minhas montanhas
repousando em meus vales.
Cavaleiro,
galopando meus campos,
bebendo de minhas fontes.
Bandeirante,
penetrando minhas cavernas,
devastando minhas matas.
Idealista,
teorizando meu mundo,
dominando meu medo.
Poeta,
escrevendo em meu livro,
assinando com meu suor.
Peregrino de mim,
alpinista sem bandeira,
cavaleiro sem corcel,
bandeirante saciado,
ideal de meus sonhos,
poeta de meus versos.
regina vilarinhos
Partida
Não derramarei o sangue
Não colocarei sobre ti meu corpo.
Basta da tua palavra.
Não te salvo,
não te prendo,
não te entrego.
Orgulho não é minha virtude.
Criação não é tua verdade.
Fogo e terra se esvaem,
Água e ar se invadem.
O tanto que me enganaste.
O tanto que me feriste
Ficou minha cruz pendurada
ficou a ilusão atada,
ficou meu medo, que persiste.
regina vilarinhos
Não colocarei sobre ti meu corpo.
Basta da tua palavra.
Não te salvo,
não te prendo,
não te entrego.
Orgulho não é minha virtude.
Criação não é tua verdade.
Fogo e terra se esvaem,
Água e ar se invadem.
O tanto que me enganaste.
O tanto que me feriste
Ficou minha cruz pendurada
ficou a ilusão atada,
ficou meu medo, que persiste.
regina vilarinhos
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